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No ar: a televisão brasileira

Do ‘televizinho’ ao 3D. Sexagenária continua ativa

Por Raquel Almada

No dia 18 de setembro de 1950, o Brasil pôde conhecer um novo meio de comunicação: a televisão. Era a inovação chegando aos lares brasileiros, mesmo que inicialmente, em poucas residências, na sua maioria da elite.

O idealizador desse projeto foi Assis Chateaubriand, um dos nomes mais importantes na história do jornalismo. Foi na extinta TV Tupi-Difusora, no Canal 3, que neste dia, na cidade de São Paulo a televisão foi ao ar.

Os testes para a inauguração oficial começaram em fevereiro de 1949, às escondidas, pois Chatô – como era conhecido Assis Chateaubriand – queria ser o percussor no Brasil dessa máquina com sons e imagens, que o país do Tio Sam já experimentava desde 1939. Era o auge do rádio, o veículo de comunicação mais popular e abrangente do país.

Com as famosas radionovelas e noticiários bem elaborados, o rádio era o detentor da atenção de grande parte das famílias brasileiras. Mas era necessário algo mais, para que a elite ficasse plenamente satisfeita. Foi então que Chatô iniciou sua corrida pela televisão, que estava dando certo em países como a Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos.

Chamado, pelos Diários Associados – conglomerado de jornais e revistas do grupo de Chateaubriand – de ‘cinema a domicílio’, a programação inicial nada tinha a ver com exibição de filmes. Teve influência direta do rádio, com o mesmo formato de programação. Inclusive aproveitando técnicos e artistas, como Hebe Camargo, Walter Foster, Vida Alves, entre outros.

Importados dos EUA, foram necessários cerca de trinta toneladas de equipamentos para montar a primeira emissora da América do Sul, a TV Tupi, ou PRF-3 TV, como era conhecida. Apesar de toda essa parafernália, os primeiros anos da televisão brasileira foram marcados por inúmeras dificuldades, dentre elas, falta de recurso financeiro e muita improvisação para os programas e novelas da época, realizados ao vivo.

Difícil de acreditar que a primeira transmissão da TV em nosso país foi ao ar para apenas 200 aparelhos espalhados em pontos estratégicos da cidade de São Paulo, como bares e lojas, além do saguão do Diários Associados.

Por causa da burocracia existente para importar os televisores, não seria possível que eles chegassem na data pré determinada. Então, Chatô usou de sua influência para antecipar a chegada. Assim, no dia combinado, os aparelhos já estavam nos lugares mais conhecidos da cidade de São Paulo.

Um ano mais tarde, mais de sete mil televisores estavam instalados em lares paulistanos e cariocas. A primeira marca a ser produzida em nosso país foi a Invictus. Mas, ainda era um artigo de luxo, adquirido principalmente pela elite, porém cobiçado por muitos.

O preço do televisor chegava a três vezes mais que o preço cobrado pela vitrola mais completa do momento, o equivalente à cerca de nove mil cruzeiros (em 1951). Nunca se visitou tanto um vizinho como nessa época, pois, o felizardo – ou azarado – que conseguia adquirir um televisor, tinha que dividi-lo com a vizinhança toda, surgindo assim, o tão famoso ‘televizinho’.

O tempo passou e a TV continua até os dias de hoje como primeira no ranking de entretenimento. Deixando de estar limitada somente à elite, tornou-se um ‘veículo de massa’ a partir do momento em que foi incorporada pelas classes mais populares.

Em 1990, surgiu a TV por assinatura e a cabo, aumentando o leque de opções para os telespectadores, de maneira a perpetuar a televisão como principal meio de comunicação e globalização.

Em função do processo de massificação que a TV sofreu ao longo de sua existência, o resultado foi um boom de aparelhos nas casas dos cidadãos brasileiros. Em 2001, eram 60.500.000 espalhados em todo o país, de acordo com uma estimativa projetada da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (ABINEE).

Um pouco mais tarde, em 2 de dezembro de 2007, o Brasil pôde experimentar o que há de melhor em termos de qualidade de imagem e som, a TV Digital. Atualmente, vivemos na era 3D, ainda em fase de teste, mas que também não demorará muito para estar ao alcance de todos.

Ante esse quadro, é possível uma reflexão sobre a Internet, que, assim como todas as novidades tecnológicas, começou timidamente na casa de alguns membros da elite e está se difundindo dia a dia.

Conforme mostra pesquisa do IBOPE Nielsen Online, até julho deste ano, 48.703 cidadãos brasileiros tinham acesso à Internet no local de trabalho e residência, sendo 39.258 usuários ativos, ou seja, que acessam com freqüência a Internet. Se ela se tornará tão popular quanto à televisão, quem viver, verá.

Falar em televisão sem citar a telenovela, fica sem dúvida, incompleto, pois ela é uma das principais atrações até os dias de hoje. A primeira telenovela foi exibida em 1951, com o título Sua Vida me Pertence, escrita e dirigida por Walter Foster.

No elenco, nomes conhecidos como Lima Duarte, Dionísio Azevedo e Vida Alves. Apesar de ter sido curta e exibida apenas duas vezes por semana, deixou sua marca. A intenção de Foster era inovar, e realmente o fez, protagonizando o primeiro beijo da televisão brasileira. Foi um ‘selinho’ dado na atriz Vida Alves, mas que para a época foi uma quebra de paradigmas.

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Categorias: Especial

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