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Decifrando poesia na parede

Nos vidros da Estação Sumaré mais do que apenas retrato

Por Álvara Bianca

A estação Sumaré inaugurada em 1998, tem em suas paredes de vidro blindado obras do artista paulista Alex Flemming. São fotografias preto e branco de anônimos, translúcidas e no formato 3X4, tendo sobrepostas às imagens trechos de poemas brasileiros.

Tanto do lado de fora da estação quanto internamente é possível observar a obra. Que muitas vezes pode até passar desapercebida em meio à correria da capital paulista, mas que levam os olhos muitas vezes para aquelas fotos, aquelas pessoas, numa tentativa de compreender, se é que é possível, o que está escrito.

É uma arte urbana que sai do museu e se infiltra no espaço público do tão utilizado sistema de metrô. A história das imagens da estação é interessante, pois quando houve a concorrência pública, há muitos anos atrás para várias estações do metrô, especificamente a Estação Sumaré nenhum artista queria pelo fato de não ter paredes.

E nisso, Flemming que cursou faculdade de arquitetura pela FAU-USP, mas como o mesmo se considera um artista e não arquiteto, diz “Não, eu vou fazer uma obra de arte na não parede, no vidro, E fiz.”

O projeto original era um e como demorou dez anos para ser realizado, não só ele como o artista também mudaram. “A ideia da Estação Sumaré eu retratei 22 pessoas, 11 homes e 11 mulheres, na verdade eu retratei muito mais pessoas. E daí, eu escolhi esses 22.”

O conceito da obra é por no rosto das pessoas poemas dos que representem os 500 anos do Brasil, começando com os do século XVI com José de Anchieta, passando por Castro Alves, Casimiro de Abreu até chegar ao século XX com Haroldo de Campos.

“Os poemas eu escrevi de uma maneira difícil de ler, eu cortei as sílabas de uma maneira diferente. Eu fiz isso pra pessoa, pro expectador ter que decifrar o outro”.

Flemming não quer uma obra de arte passiva: “Eu quero um expectador ativo, ele tem que decifrar a obra de arte e nesse ponto decifrar o poema e aí decifrar o outro. Porque todos nós, as pessoas anônimas do metrô, dentro de si tem poesia e cabe ao interlocutor, ao outro decifrar essa poesia”.

Quando questionado quanto a poesia que o define, o artista responde com uma criação sua: “Penso, penso, penso e me dou conta que cada vez é mais cedo em São Paulo. Vago e sinto que o meu lado é sempre o outro lado da rua.” Cabendo a cada um interpretar como quiser.

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Categorias: Atena, Exposições, Uncategorized

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