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Beatles Forever

A genética beatlemaníaca

Érica Perazza

O Especial The Beatles chega ao fim. Graças a Deus, né? Quem é que agüentava mais um pouco dessa overdose musical beatlemaníaca?

Ah, muita gente! Tantas e quantas!

Acho que não conheço ninguém na face da Terra que não goste de Beatles. Deve existir, provável. Mas não deve bater muito bem da cabeça, certo?

Enlouquecidos mesmo são nossos entrevistados. E quem melhor para contar sobre sua musicalidade atemporal, do que os próprios fãs?

“Quem deu a notícia em primeira mão foi um tio avô meu, o Caetano. Ele e a família iam assistir TV em casa todas às noites e uma noite antes do casal ir para casa ele, disse “Tem um conjunto estrangeiro cujos caras tem um cabelo parecido com o Moe dos Três Patetas. Minha prima, que tinha uma condição financeira melhor, ganhou da minha tia o primeiro LP dos Beatles. Ela e a minha irmã  ficavam ouvindo o disco dos “cabeludos” no quarto da e eu ouvia do lado de fora. Na época, eu achava diferente, mas era muito moleque e não tinha ouvido para essas coisas”.

Era assim que meu pai, o cara mais fanático por rock’n roll, uma verdadeira enciclopédia ambulante, escutava os Beatles. Meu primo, Paulo Serau, sempre fala que ele é o mais fissurado no assunto. E daí, eu pensei que eu não tinha motivos nem necessidade em entrevistar um “especialista em Beatle” para falar por que raios eles são tão atuais, depois de quase quatro décadas de aparecerem no hall da fama. Eu também queria saber por que, quando eu era pequena, minha mãe ganhava bonecos dos Beatles do meu pai e eu não. É, deixa pra lá… Naquela época eu só escutava Chiquititas mesmo.  

Minha amiga, Rafaela Arruda me confessou que “hoje em dia é bem mais controlada”. E eu logo pensei… : Caramba, como tem gente aficionada por Beatles e eles nem existem mais. Não existem mais? Que blasfêmia a minha. Eles existem em cada nota de guitarra de outra banda qualquer. Em cortes de cabelo, etc e tal.

Ela descobriu os Beatles através da TV, em 1995, “enquanto gravava para minha mãe o especial Anthology, exibido na Rede Globo. Foi amor à primeira vista. Costumo dizer que em uma daquelas noites, dormi uma adolescente normal e acordei uma beatlemaníaca”.

Rafaella leva grande influência deles na sua vida. “Aprendi inglês, a tocar violão, me interessei por música, pela cultura dos anos 60 e passei a enxergar o mundo de uma outra forma, pelos olhos da arte, da poesia, da contracultura. John, Paul, George e Ringo, como ídolos, são exemplos de um mundo possível onde exista mais amor, luz e vivacidade.

Toda essa população beatlemaníaca  não estudaram (apenas) as canções, elas também viveram suas melodias. E se influenciaram por completo. “O que inspira neles é a própria música. Os Beatles conquistam novos adeptos, porque, hoje em dia não tem bandas criativas”, meu pai comenta. “Tudo é muito passageiro, e só copiam. Como os músicos dos Beatles, apesar de não serem os top 10 da época, eles (pelo menos) procuravam aprender a tocar. Por isso que eles influênciam gente nova”. 

Meu primo que também faz parte dessa máfia beatle, é músico e conta que fazer uma música simples é difícil. “Acredito que separadamente os Beatles não funcionariam no ínicio da carreira, eram muito crus. Mas quando estavam juntos faziam até chacoalhar o corpo”.

Bom, nem toda família tem o gene beatle. Em alguns casos, como o de Nícolas Godoy [que conta aqui sobre sua descoberta rítmica] o bom gosto não é hereditário. Mas fazer o que, né?

A musicalidade e genialidade imortal é insubstituível. Sendo assim para sempre e por toda a eternidade, os Beatles continuam atuais e conquistando [sem muito esforço] as próximas gerações. Isso persistirá em toda boa família. Como foi [ e será mais uma vez] o caso da família Arima, constituída pelas gêmeas Clélia e Claula (ou Claula e Clélia) e caçula Karina. Mais ´minha amiga Rebeca, filha da Clélia, e os priminhos dela, Eduardo e Gustavo, filhos da caçula.

As primas mais velhas e as irmãs mais velhas se vestiam de Ringo, Paul, John e George (não necessariamente nessa ordem), além disso uma ajudava a outra numa descoberta pelo mundo dos Beatles. Os iê-iê-iê marcaram a infância e também o “bailinhos”.  

Claula: As músicas foram acompanhando o meu crescimento e evolução, e me transmitiam o amor, a paz e a alegria. Sempre atemporal, será executada para os que já a conhecem e para os que venham a conhecê-la, porque a esperança de um mundo melhor é o que todos sonham em que se torne realidade.

Clélia: As músicas que marcaram a minha juventude e que até hoje são atuais e ótimas de se ouvir. As mensagens das músicas me inspiram até hoje.

Karina: Eles me inspiram pelo modo bacana de expressar sentimentos diversos, sem se preocupar com opiniões alheias. São freestyle! Ainada, as letras das músicas são maravilhosas! Passam mensagens lindas de amor, paz, alegria e até esperança como Let It Be. Para cada fase das nossas vidas. Além disso, influenciaram toda uma geração de músicos brasileiros, como Milton Nascimento, Lô Borges, que por sua vez me influenciaram também. Coisas boas não tem validade e assim essa “magia” passa de pai para filho. Além disso, os problemas continuam os mesmos: falta de paz, amor… Então as músicas continuam atuais.

Foi por causa dos Beatles que minha professora de inglês britânico, Maria Purificacíon, a Puri, ganhou seu primeiro dicionário dicionário Portugues/Ingles/Portugues, e mais, foram decisivos na escolha de sua carreira profissional.  Puri define que os quatro garotos de uma forma extremamente criativa, perceberam sem muito glamour tudo o que realmente se passava ao nosso redor. Além disso, ela acredita que eles continuam atuais e conquistando as novas gerações “porque as palavras [dos Beatles] carregam todos os sentimentos que qualquer geração carrega dentro de si, em todas as fases de criação deles, e da vida”.

 
Os Beatles não existem mais. Mas os muros que os quatro derrubaram juntos, permanecem no chão. Quase meio século depois de seu surgimento, nós fãs e admiradores, pensamos, ouvimos, sentimos de modo diferente suas músicas únicas, insuperáveis. Eles nos mostraram que as possibilidades na vida não têm fim. E por isso os Beatles, John, George, Paul e Ringo, jamais morrerão dentro de nós – ou fora, tocando por aí, em vitrolas, rádios, walkman ou iPods. Construímos nossas próprias verdades sobre tantas coisas como o amor e reconstruímos quando seus fragmentos se esparramam. Momento de romance ou fossa, com uma pequena ajuda de nossos amigos, estamos prontos para uma próxima faixa. E o fim deles é infinito.

 Os filhos de Érica Perazza ouvirão The Beatles. E os filhos de seus filhos e de seus filhos…

 

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Categorias: Crônicas do Olimpo, Especial, Música

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