Sexo, drogas e Rock’n Roll

 

O psicodelismo ilícito

Érica Perazza

 

Minha inocência acabou no instante que eu descobri que os Beatles usavam drogas. Como assim – aqueles garotos tão fofos – eram super drogados? Mas também eram os anos 60, época de sexo, drogas e rock’n roll, como eu poderia ser tão ingênua? Nem mesmo os Beatles, comportadinhos e tão gentlemen “escaparam” dessa. A imagem que eu tinha deles mudou. Mesmo assim, eles são definitivamente muito mais incríveis e importantes tanto para a história da música quanto a história mundial em si do que eu imaginava. Sem nenhum tipo de apologia, as drogas ajudaram a banda a criar e reinventar. Pelo menos era o que eles acreditavam…

E quem ainda acredita que eles eram bons garotos, reforme sua versão da verdade.

A seguir, a Pandora vai clarear esse lado obscuro dos Beatles, os queridinhos do universo.

John Lennon cheirando coca-cola

Roma portátil
Em uma entrevista dada à revista Rolling Stone em 1970, John Lennon comparou a vida que o seu grupo levava “à decadência da Roma antiga” Segundo ele, “o circo em volta da banda era uma Roma portátil de dinheiro, sexo e drogas e revelou que todo mundo queria fazer parte”. Todavia, as pessoas envolvidas desejam manter a todo custo a imagem certinha da banda.”Por isso que alguns estão se agarrando a ela”, disse Lennon na entrevista. “(Eles dizem) Não tire nossa Roma portátil, onde todos podemos ter nossas casas, nossos carros, nossas amantes e nossas esposas, nossas meninas no escritório e festas, bebidas e drogas.”Nessa mesma entrevista, concedida pelo beatle ao jornalista Jann Wenner, oito meses após o fim do grupo inglês, ele [Lennon] conta que mesmo que não conseguissem nenhuma groupie (tiete), “tínhamos prostitutas. O que viesse. Havia fotos minhas de joelho, me arrastando para fora de bordéis em Amsterdã com as pessoas dizendo: ‘Bom dia, John’.”

Claro que as fotos e outras revelações polêmicas não vieram a tona na época para não escandalizar e denegrir a reputação dos meninos roqueiros.

Encontro com Bob Dylan
No ano de 1964, quando os Beatles estavam em turnê em Nova York, pediram para o jornalista Al Aronowitz providenciar um encontro deles com Dylan no hotel em que estavam hospedados, o Hotel Delmonico.Protegidos dos fãs por um batalhão de policiais, os roqueiros foram para o cômodo mais distante da suíte para ascender um baseado. Bob passou a maconha para Lennon, que brincou que Ringo Starr deveria fumar antes, já que era seu degustador. Depois de enrolar um cigarro para todos os presentes, ficaram chapados. Bob Dylan achava que na estrofe do meio de “I Want to Hold Your Hand” dizia “I get high” enão “I can´t hide”. O encontro daquela noite fora um dos mais importantes para a música. Não porque os Beatles fumaram maconha de boa qualidade pela primeira vez ou porque Paul McCartneydescobriu o sentido da vida,o qual se resumia a uma frase: “Há sete níveis”. Mas sim pela influência de que o grupo exerceu em Dylan e vice-versa. A partir de então, Bob adicionou um rock parecido com os dos Beatles as suas canções, enquanto os Beatles começaram a escrever músicas mais sérias e profundas. Além disso, a maconha fez com que o ritmo frenético do estilo de vida deles ficasse mais lento, relaxado, desacelerados. Dessa forma o quatro beatles encontraram uma sintonia indivudual, particular e seletiva, entrando no outro lado do mundo, que poucos conheciam.

George Harrison e John Lennon  experimentaram LSD sem querer. O dentista,  Dr. Robert ( que depois ivirou nome da música dos Beatles), colocou a droga no café que serviu aos ingleses. Os dois, acompanhados de suas esposas à época, acreditavam piamente que estavam ficando malucos.Só em 1965, junto com Ringo, os músicos usaram a droga de forma voluntária e regular. Distanciados de sua lucidez, eles sentiam estar se comunicando com um outro mundo e suas mentes revelavam uma expansão na alma.  Lennon buscava algo mais pessoal em seus transes. Ao mesmo tempo em que tentou desapegar de sua imagem beatle, ele alcançou uma grandiosidade criativa para suas composições, tanto de forma verbal  quanto de forma visual.

As viagens ilícitas nas composições

Há quem interpreta que no disco Rubber Soul o comportamento do grupo muda e isso é perceptível logo na capa do vinil. Distorcidos, mas remodelados até a alma, os mesmos garotos de antes, mas seus eixos olham para direções diferentes e sob um fundo mais escuro e sóbrio que de antes.“Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”refere-se à maconha ou ao haxixe. Ao acordar pela manhã e ver que a garota se foi, John canta: “So I lit a fire: Isn´t it good? Norwegian wood”.

Já em “Nowhere Man”, Lennon quer atrair uma alma perdida para fora do casulo.Na arte da capa do álbum Revolver de Klaus Voorman, cada Beatle tem um quadrante pra si na capa do disco, com seus quatro rostos unidos num num amontoado de cabelos e caricaturas de duendes. Possui também pequenas capas dos álbuns anteriores e fotos publicitárias.Nas músicas de Paul, ele expressava a importância das relações humanas, enquanto o desejo de ser deixado sozinho estava mais presente nas de John. Em  “I’m only sleeping”  é uma canção que produz uma analogia dos sonhos com as drogas, pois existe o poder de interromper as leis do tempo e do movimento para simular o estado semiconsciente entre o despertar e o sono.

“She Said, She Said” é uma viagem psicodélica de Lennon através de ácidos. Lennon fica bravo com o ator Peter Fonda, que dividia com o Beatles uma experiência de “pré-morte-morte-renascimento”. Na música Fonda se transforma numa garota metida, com um tom de humor negro: “She Said, I know what it´s like to be dead/ And she´s making me feel like I´ve never been born”.“Got to Get You Into My Life”  menciona a sensação de alegria que a maconha proporcionava para Paul: “Oh, then I sundely see you/ Oh, did I tell you I need you/ Every single day of my life”.Já “Tomorrow Never “, Lennon queria que a música soasse como “o dalai-lama brilhando no plano astral dos picos fustigados pelo vento do Tibete”.

No disco inteiro de “Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band”, a banda não era mais os Beatles. Eram outros, pensavam, agiam e gravaram como outros. O estilo entrava em sintonia com o espírito no período no qual a juventude adotava outras identidades e participavam de comunidades imaginárias que acreditavam no poder transformador das drogas que expandiam a mente. As experimentações nos sons queriam dar a mesma impressão de quando se usa uma droga pela primeira vez.

O psicodelismo de “Lucy in the Sky With Diamonds” é uma viagem adulta e infantil. Entre as iniciais da música (LSD), os delírios, as árvores de tangerina, tortas de marshmellow, uma garota com olhos de caledoscópio, temos Lucy e o céu de diamantes. Lucy era uma amiguinha de Julian, filho de Lennon. O pequeno chamara a atenção do pai quando desenhou a menina  ñão num céu com estrelas, mas com diamantes.  No mesmo disco, “A Day in the Life”  é a síntese ao contrário de tudo como fossem memórias ou que existisse numa realidade paralela ou alternativa. 

Nossa droga é escutar Beatles. E a sensação extrovertida ou introspectiva que temos com suas músicas pode ser a mesma quando o efeito “doce” das drogas acabavam para eles. Como uma festa que termina com um funeral.  Sorte que podemos tocá-la novamente, viajar e nos aventurar quantas vezes quisermos, pois é um vício saudável. 

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Categorias: Especial, Música

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um comentário em “Sexo, drogas e Rock’n Roll”

  1. pedro paulo
    19 de dezembro de 2012 às 23:34 #

    eu sou muito fan dos beatles tanto que ja tatuei no meu corpo mas quando ouvi pela primeira ves eu pensei eu quero ser como eles. eu ja li muitas historias ruins sobre eles mas eu acho todos nos as vezes erramos. parabens pelo site

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