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A beatle oriental

Viúva (negra) do rock

Amada ou odiada pelos fãs, Yoko Ono é parte da história dos Beatles

Soraia Alves

 

Em um especial sobre os Beatles, ela não poderia ficar de fora, e a explicação é simples: não há como falar de Beatles e não citar John Lennon, e não há como falar de John Lennon sem mencionar Yoko Ono, a japonesa excêntrica que divide os sentimentos dos fãs dos Beatles: quem gosta de Yoko garante que muitas das melhores composições de John Lennon não existiriam sem a presença de sua musa inspiradora. Quem não gosta da japa afirma que ela foi a responsável pela separação da banda. Amada ou odiada, fato é que Yoko faz parte da história dos Beatles, e não fosse seu romance com Lennon, provavelmente poucas pessoas a conheceriam.

 

Yoko nasceu em Tóquio no dia 18 de fevereiro de 1933. De família rica, estudou nas melhores escolas do Japão, mas se tornou a “ovelha negra” ao se mudar para Nova York após a Segunda Guerra Mundial, com 19 anos. Além da mudança, Yoko abdicou de todo o dinheiro da família. Nos Estados Unidos cursou faculdade de música, casou-se aos 23 anos com Toshi Ichivanagi, e deu aulas em escolas públicas sobre música e arte japonesa. Ela nunca deixou de se dedicar à sua paixão, a arte, e mesmo aqueles que não simpatizam com a japonesa devem admitir: Yoko sabe criar. Ela participou do movimento vanguardista americano Fluxus na década de 60, com idéias semelhantes ao Dadaísmo. É no mesmo período que Yoko se mostra uma artista pioneira, com performances artísticas e vídeos experimentais que eram raridade na época.

É também pela arte que Yoko Ono conhece John Lennon. O músico foi um dos patrocinadores de uma exposição de obras de arte em Londres, em 1966. Na mostra havia uma obra daquela pequena artista japonesa e de voz fina, uma escada branca na qual era preciso subir para olhar pela lente de aumento pendurada no teto. E o que era visto? A singela palavra YES. Essa obra encantou John, e ele quis conhecer sua criadora. Em suas primeiras conversas com John, Yoko não se mostrou uma fã dos Beatles, tudo o que Lennon precisava naquele momento. Yoko já estava divorciada de seu segundo marido, Antonhy Cox com quem teve uma filha, Kyoko Chan Cox. John, porém estava casado com Cynthia Powell, com quem teve seu primeiro filho, Julian Lennon.

As traições de Lennon com Yoko já não eram mais segredo quando o beatle e Cynthia se divorciaram. A união oficial de John e Yoko acontece em 1969, e pode-se dizer que os problemas que culminaram no triste 10 de abril de 1970, dia em que Paul McCartney declarou oficialmente o fim dos Beatles, começaram com essa união, ou pelo menos os problemas que claramente vinham à tona. Logo de cara Yoko e John gravaram o disco Two Virgins, que na capa traz o casal pelado e os outros três Beatles não gostaram nada da idéia. Ringo chegou a dizer para John: “Pode ser legal para você, mas nós todos temos que responder por isso. Qualquer coisa que um de nós faça, os outros têm que responder.” e como resposta ouviu: “Ah Ringo, você só tem que atender o telefone.”

O casal era inseparável e “tanto grude” irritava os companheiros da banda de Lennon, mas Yoko não se importava em “atrapalhar”. Ela era presença marcante em todos os ensaios dos Beatles, ia para o estúdio com eles e John acabava passando mais tempo ao lado dela do que dos instrumentos. O músico chegou a colocar uma cama no estúdio para a esposa, que se recuperava de um acidente. Mais tarde, Paul declarou: “Foi um período muito difícil. John ia para um canto do estúdio e ficava lá horas com Yoko. Isso era o tempo todo. Nós éramos os Beatles, era nossa carreira e essa garota aparece do nada. Era muito chato ter ela sempre por perto, ela sentava nos amplificadores e a gente ficava com medo de mandar ela sair por causa da reação do John.”

Yoko também usou o estúdio Abbey Road para gravações pessoais, como o disco Yoko Ono Plastic Ono Band, que contou com o apoio de John Lennon e seus amigos Ringo Starr e Klaus Voorman. Há quem diga que Yoko Ono é um tipo de precursora do punk, mas os gritos que se ouvem em suas músicas não fazem de seus discos prévias do que viria a ser o movimento punk. Eric Clapton gostava do “rock experimental” daquela japonesa maluca. George Harrison odiava.

O casal apostou mesmo na parceria musical e lançou alguns discos, dos quais Mind Games, de 1973 traz uma capa que deixa múltiplas interpretações: John Lennon aparece pequeno, quase sumindo em meio ao campo, e atrás dele destaca-se o rosto de Yoko como uma sólida montanha.

Yoko e John tiveram um filho, Sean Lennon nascido em 1975. Yoko e John se tornaram ícones da luta “paz-e-amor”, empunhando como armas, músicas como Imagine, Power to the People e Working Class Hero. Yoko e John, sempre dito assim, como se fossem um só ser, até 8 de dezembro de 1980, quando John é assassinado. Talvez nem a morte tenha mudado essa situação, afinal, como já foi dito, é impossível falar de John Lennon sem citar Yoko Ono, e vice-versa.

Desde a morte do marido, Yoko é por vezes ovacionada por “lançar material inédito” de John. Fora isso, continua seu trabalho com a música e as artes plásticas. Na década de 90 lançou um box reunindo suas músicas, o Onobox. Aderiu ao estilo eletrônico, aos remixes e em 2007, aos 74 anos lançou Yes, I´m a witch, disco que conta com a participação de artistas como Peaches, Flaming Lips, entre outros. Yoko continua engajada e hoje, uma de suas principais bandeiras é pela igualdade dos direitos de casais homossexuais.

Admitir que Yoko foi a causadora do fim dos Beatles é como aderir à teorias conspiratórias de fãs que não admitem os problemas internos que os Beatles enfrentavam, e que mais tarde, até mesmo Paul frisou durante o lançamento de seu primeiro disco solo. “Eram diferenças pessoais, diferenças econômicas, diferenças musicais”. Por outro lado, negar que a presença de Yoko agravou a crise da banda, é negar o que relatos e evidências deixam claro. “Aturá-la por ele (John) vale a pena”, disseram alguns fãs dos Beatles em uma entrevista ao canal CBS, em 1971. “Era Yoko quem estava no meio do furacão, nas performances pedindo paz na cama, na pressão pela expulsão de John dos Estados Unidos, no estúdio durante as últimas gravações dos Beatles (…). Ela era A mulher”, diz Felipe Machado, diretor da TV Estadão, após se encontrar com a japonesa. É por isso que Yoko Ono será sempre uma figura emblemática: a maior viúva do mundo do rock para uns. Uma grande viúva negra para outros.

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Categorias: Lira de Apolo, Música

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  1. John Lennon, um sonhador | >>>>> pense fora da caixa <<<<< - 5 de dezembro de 2011

    […] Viúva (negra) do rock: Amada ou odiada pelos fãs, Yoko Ono é parte da história dos Beatles Rate this: CompartilheEmailDiggLike this:LikeBe the first to like this post. By Equipe Pandora • Posted in Caixa de Pandora, Lira de Apolo • Tagged beatle, Gandhi, John Lennon, Martin Luther King, morte de John Lennon, Paz, The Beatles 0 […]

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