Anúncios

Fab Four Forever

 

A amizade no começo e no fim dos Beatles


Felipe Perazza

 

 

“Sempre fomos quatro caras muito amigos”
Ringo Starr

A história dos Beatles, a maior banda musical que já existiu, é marcada constantemente pela relação de amizade entre os quatro garotos de Liverpool. Um dia eles decidiram formar um conjunto de rock e saíram pelo mundo com a cara e a coragem. Foi muito mais do que amizade, e não só entre John, Paul, George e Ringo.

Quando John Lennon, então um jovem estudante, sonhava um dia ser um astro como Elvis Presley, decidiu montar um conjunto musical, ele recorreu primeiramente à seu inseparável amigo, Pete Shotton. Ambos conheciam-se há muitos anos, cumparsas de grandes aventuras e desobediências civis. Não foi difícil para Lennon convencer seu melhor amigo à assumir à tábua de skiffle, ignorando completamente qualquer falta de talento do colega. Tudo em nome do sonho de ser uma estrela do rock, tudo em nome da amizade. Foi assim que John Lennon, Pete Shotton, Eric Griffths, Bill Smith e Rod Davis – todos colegas de escola – começaram seus primeiros shows no bairro.

Logo após as primeiras apresentações da desajeitada banda, um jovem tão sonhador quanto aquele que liderava a trupe no palco, pediu para fazer parte do conjunto. Paul McCartney, mesmo mais novo do que a maioria dos integrantes, já se mostrava muito talentoso. John, ao comprovar a habilidade do garoto que já tocava e compunha suas prórpias canções, aceitou seu pedido e o escolheu como novo violonista da banda. Sem saber ele, escolhia também seu novo melhor amigo.

Com a saída de alguns dos colegas que não viam na banda nada além de passa-tempo, Paul logo viu a oportunidade de inserir um conhecido seu na banda. Após marcar uma reunião com o líder, Paul pode apresentar seu amigo, George Harrison à John. Este, à princípio mantendo a pose de mau dos estudantes mais velhos, mostrou-se resistente à aceitar um garoto ainda mais novo do que Paul na banda. Após diversas insistências de Paul e diversas demonstrações de perícia de George, Lennon logo se rendeu ao guitarrista e, aquilo que viria a ser finalmente The Beatles, começava a ganhar forma discretamente.

Outra figura importante, dessa vez um colega de John da escola de arte chamado Stuart Sutcliffe foi a nova vítma da amizade com o futuro ícone. Stu, um artista prodígio, altamente elogiado pela comunidade e pelos professores viu-se obrigado à assumir o posto de baixista da banda. Tamanha a consideração por John – o qual considerava um de seus melhores amigos – que aceitou gastar suas economias – originalmente guardadas para material de arte – em um baixo profissional.

Com a adesão de outro amigo dos integrantes, o galãzinho baterista, Pete Best, estava formada a banda The Beatles que passaria os anos seguintes de 1960 e 1961 excursionando em Hamburgo, Alemanha. Bandas joens americanas eram comumente contratadas nos bares locais para trazerem um pouco do agito inglês às madrugadas. Um pouco, na verdade é uma forma educada de dizer que eles passavam 8 horas tocando diretamente, 7 dias por semana. Assumidamente movidos à anfetaminas, os membros da banda agarravam-se apenas uns aos outros naquela bizarra batalha ao estrelado. Algumas curiosidades sobre essa época são mostradas no documentário “The Beatles – Anthology” como a moradia suja dos cinco, atrás de uma tela de cinema, ou a virgindade de Harrison, perdida com uma prostituta e presenciada (e aplaudida) por todos os outros no mesmo quarto.

Com o retorno e a experiência de Hamburgo, os Beatles voltaram pra casa, deixando Stu para trás com sua namorada, a fotógrafa e responsável pelo penteado deles, Astrid Kirchherr. Paul então assumiu o baixo, posto que ficaria com ele até o final da banda. Então tocaram mais algumas vezes no Caver Club, até serem descobertos pelo empresário Brian Epstein, que os apresentou à produtora EMI, onde George Martin fez um teste com os garotos. Após ouvir o resultado, concluiu que precisavam de um baterista profissional para gravarem a primeira fita. Estava aí a deixa para o turbulento rompimento com Pete e para a entrada de Ringo Starr, já amigo de alguns anos dos outros três. Com Ringo, vieram em sequência os primeiros pontos de sucesso, alguns shows e muitas gritarias femininas. Enquanto os quatro, agora a formação definitiva dos Beatles, viajavam pela Inglaterra, muitos momentos de amizade foram registrados, como quando o para-brisa do carro que os levava foi quebrado e o vento congelando adentrava o veículo. Ringo disse que eles se salvaram do frio amontoando-se, um em cima do outro. “O que estivesse no topo dava um gole de Whiskey e quando ele estivesse ficando com hipotermia, era hora dele ir pra baixo e outro assumir o topo”.

Foi com momentos como esse que os garotos de Liverpool alcançaram níveis inimagináveis de sucesso no mundo pop. Foram condecorados pela Rainha juntos. Tomaram sua primeira pílula de LSD juntos, e juntos também viajaram pra Índia no programa de iluminação de Maharishi Yogi. Como eles mesmos gostam de registar, o que um trazia de novo, os outros camaradamente aceitavam. Foi assim também quando Paul deixou o bigode crescer pra disfarçar uma cicatriz de um acidente de carro que sofreu.

Mas não foi assim quando um deles, o líder – diga-se de passagem – trouxe uma mulher para o trabalho, em meados de 1968. John Lennon, perdidamente apaixonado, como um adolescente tomou por Yoko Ono, sua companheira inseparável. Uma situação no mínimo questionável pelos outros três caras com quem ele dividiu praticamente todo seu tempo naquela década inteira. Segundo McCartneu: “Houve uma invasão no nosso método de trabalho. Até aquele momento éramos apenas nós 4, daí então havia mais alguém ali”. Como amigos que não querem desagradar um ao outro, os três aceitavam do modo que podiam sem contranger Lennon, nem Yoko, mas o clima mudou. Somou-se à isso também a necessidade de mais destaque de Harrison, o cansaço de Ringo e o stress de Paul e a bomba de formou. Após a tensa gravação do filme Let it Be (1969), concluiu-se que não era mais viável manterem a banda. Brigas diante das câmeras e parcerias afrouxadas marcaram o experimento, que ficou engavetado por um ano.

Quando tudo parecia perto de um final depressivo, George Martin, o produtor conhecido dignamente como Quinto Beatles, pela excelência nas produções do quarteto, teve a idéia de fazer um último disco, só que dessa vez “do modo como sempre fizemos”, como explicou por telefone à Lennon. A necessidade de um desfecho digno de uma banda que conquistou o mundo inteiro pela amizade e pelo amor fez com que John e os outro aceitassem a proposta. Aquele seria o final, e eles sabiam disso. Daí surgiu o disco Abbey Road, com canções que logo se tornariam clássicas como “Come Togheter” e “Something” e outras baladas tocantes como “Here Comes the Sun” e “Because”; tudo somado à primorosa produção de Martin que trouxe também um lado B único, todo feito de músicas menores coladas em uma peça só. Em uma delas, “Golden Slumbers” se ouvida com o estado de espírito adequado é possível notar o nó na garganta de Paul, dando mais que um adeus à banda, aos amigos. Não apenas um disco irretocável, mas um encerramento perfeito para a impecável discografia dos Beatles, com direito à última canção, “The End” que carrega o epitáfio da banda:

“E no final
O amor que você tira
É igual ao amor que você dá”
(The Beatles – The End)

Felipe Perazza tinha 13 anos quando sua mãe deu um CD dos Beatles de presente ao pai dele. Desde então, passou os anos seguintes ouvindo aquele som diariamente. Ouvir sobre amor de forma inocente e sincera era tudo que Felipe precisava

Anúncios

Tags:, , , , , ,

Categorias: Especial, Lira de Apolo, Música

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Trackbacks/Pingbacks

  1. P A N D O R A - 21 de novembro de 2010

    […] 20: Fab Four 4ever  O começo e o fim dos quatro amigos inseparáveis de Liverpool por Felipe […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: