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Mais vida ao Rock

Inovação, perseverança e muito rock pelas ruas paulistanas

por Álvara Bianca

Foto: Jéssica Oliveira

Em meio a uma quente tarde de novembro, nada como dar mais vida ao dia com a entrevista com a banda Vinda. O bate-papo aconteceu no Souza, ponto de encontro dos músicos, na região da Pompéia.

São Paulo foi o ponto de encontro de um baiano, um gaúcho, um mineiro e um paulista, que aproveitam a internet para divulgar o trabalho e tocar. Vini D´avila, Bell Rushell, Hugo Nute e Luiz Parpulov formam o time da Vinda. E com três meses de carreira, sete músicas estão prontas e uma das faixas contou com a participação de Lucas Silveira, da Fresno.

Confira a conversa com os integrantes!

Como começou a banda?

Vini: Eu vivia no Rio (de Janeiro) de 2005 a 2009, tinha uma banda lá desde 2007, era um negócio meio virtual. Não tinha música pra tocar e resolvi vir pra São Paulo porque no Rio não dá. O primeiro show foi só aqui em São Paulo. Eu divido o apartamento com o Bell.

Bell: Conheci o Nute num show, o Luíz tocava em outra banda e aí faltava um baterista. E é muito difícil encontrar batera, geralmente eles já estão tocando eu comecei a ser admirador do trabalho do Vini. E lá na Fresno todo mundo tem cabeça aberta, o Lucas tem o Beeshop, o Tavares tem o Esteban. Eu resolvi embarcar nessa jornada com meu projeto paralelo agora chamado Vinda.

Nute: Estou há um ano e oito meses em São Paulo, vim pra cá para tocar. Estudava, morava em Brasília e transferi a faculdade e vim morar aqui. Demorou um pouco e aí finalmente consegui, ele precisava de um guitarrista, eu precisava de uma banda e aí rolou. Eu conheci o Bell na casa dele e o Luiz só no primeiro ensaio.

Como surgiu a ideia do nome?

Vini: Vinda foi um amigo meu que fez, porque Vini D´avila ia ficar muito meu nome. O Vinda se escreve com o V e o I maiúsculo o n minúsculo e o D e o A maiúsculo, forma a palavra vida e é tipo uma vida nova, que no final tudo fica bem. E nada melhor do que estar tocando rock´n´roll.

Luiz:Tem a ver também com as letras, a gente tem o conceito de relacionamento, de falar de amor de uma forma de verdade. “Amargo Demais” fala sobre isso, não é um amor só de parceiro, parceira, é amor demais.

Vini: Amargo Demais eu fiz para a minha mãe.

Vocês compõem?

Luiz: Na verdade, todas as músicas, letras, melodias e a harmonia são do Vini. Só montamos o arranjo bateria, baixo e guitarra. Já que ele tem 384 músicas prontas, estamos gravando o material.

Vini: Não deu tempo de eles comporem, só tem três meses de banda.

O que vem primeiro a letra ou a melodia?

Vini: Melodia, normalmente a melodia.

Luiz: Eu acho que você pega uma letra, um poema, 90% é melodia. A maioria das bandas a primeira coisa que faz são os acordes que é a harmonia, pra depois ter a melodia para por em cima da letra. Tem esse espaço da melodia em cima para encaixar a palavra, a letra. É mais fácil.

Como vocês definem o seu som?

Vini: Rock.

Luiz: Um rock cru. Não digo um rock de garage, mas um rock cru assim.

Bell: Mas eu acho que com algumas experiências de instrumentos. É um rock fácil de ouvir e aceitar.

Luiz: Vou usar as palavras que o Bell sempre diz: é um rock sincero.

Bell: É um rock honesto.

Como surgiu a relação de cada um com a música?

Luiz: Desde sempre. Meu pai era músico, tocava violão e eu com 7 anos comecei a tocar violão, cresci e fui estudar música a fundo.

Nute: Eu lembro que quando era bem moleque, assistindo o desenho dos Power Rangers tinha o som do Van Halen. Aí eu já queria ser que nem ele, tocar assim. Com 10 anos comecei a tocar violão meio que contrariando meu pai e com 16 anos aprendi a tocar guitarra.

Sua família apóia?

Nute: Apóia, às vezes mais, às vezes menos. Não é uma família musical ninguém toca nada.

E vocês, como é a relação com a família?

Luiz: Meu pai foi músico, mas ele chegou numa fase da vida que teve que escolher entre uma carreira musical e trabalhar, montar família. E ele seguiu trabalhar, ter família enfim. Mas ele sempre apoiou porque me viu tocando e eu fui fazer música. Ele se realiza, admira. Ele vive por mim o que talvez ele não tinha vivido.

Bell: Meu pai também toca não profissionalmente, ele é advogado. A minha mãe canta, não profissionalmente, foi professora de história. E só vive de música eu e o meu irmão. Eu comecei a tocar no coral, comecei a tocar violão e com 10 anos fui cantar no coral do colégio. E como a minha mãe é professora da escola, ela falou com o professor de música para ele me botar na bateria.

E fora a música, vocês exercem outras profissões?

Bell: Eu fiz faculdade de Direito, quando tava fazendo o trabalho de conclusão a Fresno me chamou e eu dei graças a Deus por não terminar.

Vini: Eu fiz quatro faculdades, mas não terminei nada. Fiz: Letras, Publicidade, Marketing e Direito.

Luiz: Eu fiz Multimeios na PUC. De dia sou diretor de arte de uma agência de marketing e à noite sou músico, às vezes troca de dia músico…

Nute: Eu estudo Publicidade de manhã na PUC. No momento eu estou achando mais legal é tocar guitarra, mas eu quero me formar em Publicidade.

O que cada um gosta de ouvir?

Luiz: Ah, muita coisa, sou eclético do rock. Eu gosto muito de Foo Fighters, Muse, Keane. Metalzão antigo Sabath, Van Halen.

Vini: Eu sou chato, não gosto de muita coisa: Skank, Titãs, Oasis, Foo Fighters, Beatles.

Nute: Eu gosto de tudo o que eles falaram. Foo Fighters, vários guitarristas, som instrumental, Carlos Santana, gosto bastante do Steve Wonder.

Bell: Eu gosto de tudo o que eles falaram, não tenho nada contra os Titãs, mas parei de gostar na década de 80. Além disso, gosto muito do som de bateristas como Steve Smith.

Onde vocês querem tocar?

Bell: Bom, acho que a banda sempre teve um pacto de tocar da Augusta de ponta a ponta. Da humildade, do desapego, de tipo entrar em roubada mesmo, carregar instrumento, tocar em show ruim.

Luiz: Eu acho que é um movimento que está começando assim, fazer essas casas na Augusta.

Bell: Na verdade todo mundo tem uma história longa na música.

Nute: É um recomeço, na verdade a gente já fez uma coisa e vai começar de novo.

Bell: Na música não existe atalho. A gente fez dois shows até agora, mas o 1° foi super estranho, uma baita roubada.

Luiz: Foi estranho, mas fantástico. Daqui a pouco a gente vai estar achando que o 2° show foi ruim.

Bell: Eu acho que são etapas mesmo que a gente vai ter que passar e vai se orgulhar disso.

Vocês divulgam a banda pela internet, tem até  fãs. Como é essa relação?

Bell: Eu tenho um pé atrás porque fazer fã-clube tu faz em dois minutos, agora tu fazer um show e não consegue botar 30 pessoas. É na verdade uma grande ilusão, claro que ajuda, que motiva, mas tem muita coisa ainda para construir.

Vini: Mas está legal assim, tem o Twitter e o chat da Vinda também. A gente está pegando pela divulgação boa parte dos fãs da Fresno que também está gostando do nosso som.

Bell: A gente quer pegar qualquer pessoa, qualquer pessoa que esteja afim e mostrar se gosta ou não gosta, acaba desvinculando. Se é música boa é música boa não interessa.

Vini: E é tudo amigo Fresno e Vinda. O Lucas participou do Amargo Demais, vai gravar os pianos agora.

O que é música?

Luiz: Olha, não consigo definir agora o que é, mas eu não vivo sem.

Vini: Fala que a mulher do músico é a música. (risos)

Nute: Eu acho que a música é que nem uma droga, porque ao mesmo tempo que vicia e não sei, rola uma abstinência do dia.

Bell: Para mim é uma arte que consigo expressar o meu sentimento. Na bateria aquela hora que quebro os pratos, espanco a bateria com raiva assim, de tudo que eu discordo, de tudo que eu quero expressar. É a sensação, tu mostra da fase mais agressiva pra mais suave.

Ás vezes eu não acho muito legal, no show do Bon Jovi (Fresno abriu o show em São Paulo) tava todo mundo lá para vaiar. Aí tu tem aquele sentimento de raiva mesmo, do que estão falando, e eu quase quebrei a bateria e no final a galera acabou aplaudindo. Então ao mesmo tempo é o que a música representa para mim.

Na música Amargo Demais tem um trecho que diz: “Sei que distancia me deixou amargo demais…” Então qual é o doce da vida?

Luiz: Saudade de alguém, estar próximo.

Vini: O doce é sentir o amargo, se você sentir o amargo vai sentir o doce. Então o amargo é doce ao mesmo tempo.

Nute: O Bell é pai, tem o filho que mora longe. Isso é um amargo na música. Eu também sinto falta da família, essa semana meu pai e meu irmão vem me visitar.

Bell: Eu vou comprar um protetor de ouvidos para o pai dele.

Qual a expectativa para o show no Hangar 110 dia 21 de novembro?

Vini: Conheço o Hangar desde muito tempo, eu acho que faz parte tocar lá.

Luiz: É uma casa underground reveladora, tem que tocar lá.

Bell: Eu já toquei lá com a Abril, algumas vezes com a Fresno e agora tocar com a Vinda. Não gosto de criar expectativa, a minha única expectativa é estar feliz no palco, de tu fazer o melhor que pode.

Qual a sensação no palco?

Luiz: Tem uma coisa que uma vez meu pai me falou que quando você sobe no palco faz alguma coisa que você está fazendo com prazer para as pessoas te admirarem e elas gostarem e te derem palmas no final é indescritível.

A gente estava falando de droga, isso é a droga você tem a sensação assim literalmente de uma droga, que te motiva e te faz querer.

Qual a mensagem que você querem passar com a música?

Vini: Perseverança, o bem e que no final tudo vai dar certo.

Bell: Eu acho que sei lá, tento passar o exemplo na música como eu tento seguir o exemplo dos meus ídolos. Você pode ir pra tantos caminhos auto destrutivos, não vou passar o dia inteiro numa praça fumando maconha, vou estudar, me dedicar.

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Categorias: Atena, Música

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