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Bush lança autobiografia

O ex-presidente seleciona suas principais decisões, mas omite certas  polêmicas

Soraia Alves


Dois anos depois de deixar o cenário político internacio nal ao ser substiuído por Barack Obama, Geroge W. Bush, 64, volta à cena, agora como autor do livro que retrata sua própria trajetória como presidente americano. Coincidentemente, Bush ressurge justamente quando os republicanos também voltam a ser maioria na  Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O jornal The New York Times conseguiu uma cópia do livro, e soltou alguns spoilers antes de seu lançamento oficial na última terça-feira (11/11). No livro intitulado “Decision Points”, Bush foca a narrativa nas decisões mais importantes que tomou ao longo de sua vida política e pessoal. Os fatos vão desde sua decisão em parar de beber em 1986, até a famosa e questionável invasão ao Iraque em 2003.

Em 500 páginas, Bush vai revelando mais de sua personalidade – um homem teimoso e otimista, e mostra como as características pessoais podem ser fatores que influenciam (e muito) na hora de tomar decisões, mesmo que essas decisões sejam de caráter global. Se alguém espera ver algum tipo de retratação ou arrependimento nas palavras do ex-presidente, melhor não se iludir.  O mais próximo de um “ops, my bad” que o ex-presidente chega em seu livro é quando aborda sua ação durante as catástrofes geradas pela passagem do fucarão Katrina. “Como líder do governo federal, eu deveria ter reconhecido as deficiências mais cedo e intervido mais rapidamente”. No restante de seu mandato, Bush tem a convicção de que todas as suas atitudes foram as melhores possíveis.

Ao comentar o episódio no Iraque ele se diz frustrado ao pensar que não encontrou armas  de destruição no país, mas confirma que faria tudo de novo: “A remoção de Saddam do poder foi a decisão certa (…). Para todas as dificuldades que se seguiram, a América está mais segura sem um ditador homicida”. Bush ainda fala sobre a situação atual do país. “O povo do Iraque está melhor agora, com um governo que o atende, e que não tortura e assassina”.

Atualmente W. Bush evita qualquer envolvimento em debates políticos dos Estados Unidos. Mantendo a linha discreta que adotou desde que deixou o gabinete presidencial, em seu livro há poucas menções sobre o atual presidente Obama. Mais precisamente há apenas alguns elogios à Obama pelo envio de mais tropas americanas ao Afeganistão.

Duas importantes relações de Bush são abordadas em Decision Points: a relação com o então vice-presidente Dick Cheney e a com seu pai e também ex-presidente, George Bush. Ambos sempre foram muito influentes nas decisões tomadas por W. Bush. No dia da invasão ao Iraque, Bush-filho ligou inúmeras vezes para o Bush-pai, que encorajou seu rebendo a tomar a decisão. Da parte de  Cheney a influência era tão grande que o próprio Bush cogitou mudar de vice-presidente durante as eleições que o reelegeram em 2004, para provar que ele estava no poder.  “Apesar de Dick ter ajudado com partes importantes de nossa base, ele havia se tornado um pára-raios para críticas da mídia e da esquerda (…). Ele era visto como obscuro e sem coração – o Darth Vader do governo”. Apesar dos mitos sobre o poder de Dick Cheney na Casa Branca e as críticas da oposição, Bush resolveu continuar com seu vice. “Quanto mais pensava sobre isso, mais me convencia de que Dick deveria ficar. Não o escolhi para ganhar vantagem política, eu o escolhi para me ajudar no trabalho. E foi exatamente isso que ele havia feito”.

Ao todo o livro traz 14 pontos tidos como as grandes decisões tomadas por Bush, uma tentativa de defender a história de seu mandato e dar uma cara mais simpática ao ex-presidente. Bush poderia ter usado sua autobiografia para explicar a fundo sua visão sobre a guerra contra o terror. Poderia ter abordado  questões como o desvio de recursos do governo para a Guerra do Iraque, ou a política de mercado livre que adotou e culminou na crise econômica de 2008, mas não o faz e prefere contar sobre seu hábito de correr diariamente. Sobre a crise financeira Bush a define como “uma surpresa”, assim como a crise que atingiu seus assessores de gabinete.

O livro termina com as conclusões de Bush sobre a imagem que espera conseguir ter passado como presidente. “Espero que as pessoas me vejam como o presidente que reconheceu o desafio central do nosso tempo e cumpriu a promessa de manter o país seguro, que perseguiu suas convicções, sem vacilar, mas mudou de rumo quando necessário; que tinha pessoas de confiança para ajudá-lo a fazer escolhas em sua vida, e que usou a influência da América para promover a liberdade”. Caso alguém discorde, Bush manda o recado: “Seja qual for o veredicto sobre a minha presidência, estou confortável com o fato de que eu não estarei por perto para ouvi-lo”.

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Categorias: EUA, Internacional, Política Internacional

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