Anúncios

Denúncias e soluções, investigações e descobertas

Eduardo Monteiro da Silva, o Sherlock Holmes brasileiro, abre a caixa de Pandora sem receios

 

  por Juliane Freitas
e Érica Perazza

O advogado civil Eduardo Monteiro da Silva, autor dos livros “Por Baixo da Tanga”( Editora Independente), “O Segredo da Praia do Mar Virado” (Carthago Editorial) e “Sete Gatas” (Carthago Editorial) lançados no mês de outubro deste ano na Livraria da Vila, nos recebeu em seu escritório no Jardim Paulista, em São Paulo, para falar do lançamento simultâneo de seus títulos. No segundo livro, defende que a mulher foi a grande obra de Deus. “Se você prestar um pouco de atenção a mulher é que ao longo da história está sempre consertando as coisas enquanto o homem continua um bruto. Sempre me pareceu importante colocá-la no lugar que de fato merece e não num lugar desprezado”, revela.

Dr. Eduardo começou a escrever e ler qualquer coisa apenas com quatro anos de idade. Desde pequeno, se interessou enormemente por literatura e lia – em média – 500 livros por ano! Hoje dedica mais tempo ao seu trabalho e livros técnicos da sua área. Além de escritor, o advogado já entrou para a carreira política nos anos 70, quando foi vereador pela cidade de Peruíbe. “Eu achei que devia achar um caminho para contribuir para o futuro do país”.  Mas logo percebeu o despreparo dos seus colegas políticos. No começo, ele até conseguiu mudar essa situação, transmitindo informações e fazendo importantes reuniões. “Mas depois de 12 anos fazendo esse trabalho, percebi que era inútil, porque quando eu ia fazer a palestra havia um grande interesse e inúmeras vezes eu fui aplaudido de pé. Três semanas depois, ninguém sabia o que tinha falado. Continuaram fazendo as mesmas coisinhas que fizeram a vida inteira. Então eu percebi que era necessário mudar a essência do ser humano. Quero dizer, eu sou honesto não porque eu quero ser honesto, mas porque eu não consigo ser desonesto. Parei sem rancor, sem mágoas, sem frustrações, mas parei e não volto, nunca mais.”, confessa.

Falante e solícito, fez poucas pausas em quase duas horas de bate-papo, apenas para tomar goles de água em um copo cheio de gelo ou uma xícara de café.

Também mencionou detalhes imperdíveis de seus livros,  sobre seu quê de Sherlock Holmes, as influências de seus 50 anos de profissão, sua aventura na política nos anos 70 e muito mais. 

Pandora: Qual sua expectativa com o lançamento dos três livros?
Dr. Eduardo
: Muito boa. Nós lançamos um livro primeiro, que é o ‘Terra nem Sempre é Terra’ a uns quatro anos atrás e o lançamento foi um sucesso. Foram cerca de 300 livros vendidos quando o normal são 100 livros [no caso de um autor desconhecido].

Uso muito de minha experiência profissional nos livros, uma vez que são problemas que afligem clientes. Na tentativa de resolver seus problemas, nós ficamos conhecendo muita coisa por dentro, que os brasileiros, de uma forma geral, não conhecem e nem imaginam. Logo, pensei em abranger um grupo de leitores, sem usar termos técnicos do Direito. Eu fiz as mesmas denúncias. O objetivo é que as pessoas saibam o que acontece nesse Brasil.

“O Segredo da Praia do Mar Virado” trata da história de uma família de traficantes de altíssimo nível. Possuem avião, barco, caminhões e vão à Europa fazer contrato para compra de armas. O pagamento é feito com cocaína. Quando voltam, vendem as armas para o Evo Morales, para as Farc e para o Chavez. A Polícia Federal e o nosso presidente da república não cuidam das fronteiras de nosso país.

O  livro, “Por baixo da tanga” possui um nome sugestivo, que provoca curiosidade, eu imagino, mas que na verdade tem um duplo sentido.Você talvez não saiba, e não só você, mas 98% dos brasileiros não sabem que o nosso país importa índios?

Você pode dizer ‘não acredito nisso’ e por quê? Por uma razão simples, a FUNAI [Fundação Nacional do Índio]  foi constituída a alguns anos atrás como uma desculpa às outras nações. Ela informava que o Brasil tinha uma entidade que cuidava dos seus índios, isto é, não era uma país que andava matando índios e jogando no buraco. Não! Era um país que cuidava com atenção dos seus índios. Todavia, é mais uma empresa criada pelo governo para colocar amigos na cadeira do governo. Essas pessoas, entretanto, não aceitam os salários que ganham, que não são tão baixos assim, mas não aceitam, são ambiciosas. E descobriram um caminho de como fazer isso. As ONGs [organizções não-governamentais], principalmente na Europa, possuem grande interesse em saber o que se faz com o índio no Brasil então eles vem com dinheiro – que não é pouco – e levam à Funai (que recebe orçamento pequeno do Tesouro Nacional para suas despesas em geral).

Como foi o processo de investigação para este livro?
Nós estávamos desenvolvendo um trabalho técnico jurídico, para livrar nosso cliente de uma invasão de índios. Eles declaravam que suas terras eram indígenas, e portanto deveriam receber a colocação de reserva indígena e os brancos deviam ser excluídos de lá. Nós achamos que aquilo que tinha acontecido era fundado num argumento falso, tinham criado a história de que aquelas terras eram indígenas e não eram e nós tínhamos como provar, por isso movemos uma ação judicial. Mas enfim, descobrimos o que de fato acontecia.

Havia uma aldeia antiga, aproximadamente da época de 1860, ocupada por guaranis que tinham vindo de Mato Grosso. Percorri o caminho deles, desde Iguatemi, na divisa com o Paraguai, buscando “a terra sem males”. Muitos morreram e por causa da saúde fragilizada, pararam e fizeram uma aldeia que progrediu normalmente.

Até que numa eleição dos brancos, uma candidata a vereadora, esposa de um gente da FUNAI, insuflada por ele e pelo seu pastor, foi a aldeia buscar voto dos índios. E até tentaram construir uma igreja evangélica dentro da aldeia, porém o cacique percebeu que seu poder estava em jogo. Logo, ordenou que o grupo que não o obedecia saísse imediatamente. Esses não tinham lugar para ir começaram a pressionar o agente da FUNAI. Reivindicaram por asfalto, telefone, supermercado, luz, etc. No Brasil é diferente. No Paraguai, a moeda oficial é guarani, a língua oficial é guarani e o povo é originário dos guaranis. Só que lá eles tem cédula de identidade título de eleitor, carteira de habilitação para dirigir automóvel, eles votam no presidente, nos deputados, eles trabalham pra receber salário, lá não tem bolsa família e essas coisas, mas se índio passar o pé sobre a fronteira do Brasil ele é índio brasileiro. Aí os agentes recolhem todos seus documentos, queimam e dão a ele a carteira de identidade da Funai e passa a agir como índio. Ora, então, o índio é inimputávele e a Funai é obrigada a dar saúde, alimentação, casa e cesta básica e faz isso. O índio brasileiro não planta, não colhe, não trabalha, não caça.

Cada vez mais apavorado, esse agente da Funai colocou todos os índios no caminhão e resolveu levá-los para uma aldeia em Itanhaém. No caminho, a estrada passava pela propriedade do meu cliente.

Quando eles passavam por essa estrada, o índio bateu na porta do caminhão “aqui é lindo, nós vamos ficar aqui”. O agente, em vez de dizer que ali tinha propriedade, disse ‘ótimo, é aqui mesmo que eu ia trazer vocês’.

Para chegar a essa conclusão, nós fomos obrigados a estudar muito a história dos índios no Brasil e da Funai. Eu tenho um pouco de Sherlock Holmes, fui atrás, queria saber. Para você defender o cliente é importante saber a verdade, saber o que realmente aconteceu.

O senhor diz que quer se tornar um escritor reconhecido. De onde surgiu essa vontade?
Neste pouco tempo que sobra, tenho um grande prazer em divulgar as coisas que eu sei e me transformar num escritor de verdade, respeitado pelas teses que eu defendo.

Na medida em que eu organizava melhor o meu escritório, eu via no Brasil duas coisas que sempre me incomodaram um pouco. Primeiro, o Brasil é onde mais se editam livros. Mas se você perguntar pra qualquer pessoa “você gosta de ler?” “Muito” “o que você já leu?” “ah, eu não tenho muito tempo, mas eu li José Alencar, Rui Barbosa, etc”. Buscam nomes na memória, mas ler realmente, ninguém leu. Porque não lêem? Será que não fazem boas histórias? Decidi então aceitar o desafio e tentei fazer boas histórias, não sei se consegui. Outra coisa que me aborrece é os livros não demonstram coragem do autor. Eu queria dizer os nomes das pessoas. E eu digo. Eu quero contar pro meu povo a verdade. Não tenho receio. Se pensarmos sobre o que é algo ruim para o país, temos obrigação e coragem de revelar.


Anúncios

Tags:, , , , , , , ,

Categorias: Caixa de Pandora, Literatura

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

um comentário em “Denúncias e soluções, investigações e descobertas”

  1. 28 de março de 2011 às 18:50 #

    Este procurador é um picareta, todos de peruibe o conhece. Contratou capangas no início para matar os índios e ele é parente do proprietário da área. Esta [aera é um antigo aldeiamento São João Batisita, onde os índios foram expulsos de suas terras e os que sobreviveram foram morar nas encostas dos morros de peruibe e interior de São Paulo. No local tinha mineradora e etc… Posteriormente os mesmos queriam vender a área para o Sr. Eike Batista para que o mesmo construisse um porto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: