Anúncios

Especial Música

God Save the Queen 

Filme contará a rapsódia do rei da eloquência do Rock, Freddie Mercury

 

por Lucas Marcelino
 

 

Caso você fosse um diretor de cinema americano, qual seria sua aposta para um filme de sucesso? A maioria apostaria numa história real, baseada na vida de uma pessoa famosa, de preferência que já tenha falecido.
Uma enxurrada de filmes biográficos vem surgindo nos últimos anos, nos cinemas mundiais. Alguns retratam personalidades famosas, sejam da música, artes ou política. Outros pautam-se em celebridades do momento como Jonas Brothers, High School Musical e o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, em estórias de gosto duvidoso ou retratos fantasiosos das suas conquistas. O que todos têm em comum é uma influência antiga que vem desde os tempos de Beatles e Elvis Presley, sem contar James Dean e Roberto Carlos, entre tantos outros.

Alguns desses títulos obtiveram destaque e realmente merecem ser considerados como obras cumulativas, seja trazendo para o grande público personagens curiosos com histórias surpreendentes ou retratando ícones da cultura pop na sua intimidade. O fato é que a cinebiografia se tornou um novo ramo do cinema e alcançou status de grandes produções, deixando um pouco de lado as entrevistas e narrativas, por vezes, entediantes e principalmente o fracasso de bilheteria do cinema de documentário.

O último projeto anunciado nesse ramo da sétima arte contará a história de Freddie Mercury, o maior vocalista da história do rock – segundo votações ao redor do mundo. Mas até onde você conhece a vida e a trajetória desse grande showman?

A Pandora fez um review da vida e da carreira do lendário Farokh Bulsara.
O nome estranho para os ouvidos brasileiros se deve pela terra natal de Freddie Mercury, a cidade de Zanzibar – erroneamente conhecida como ilha de Zanzibar – que é a capital da ilha Unguja, na Tanzânia. Na época do nascimento do cantor (5 de setembro de 1946), o território era uma colônia britânica, mas já foi um território português e até um sultanato de Omã. Por alguns séculos, só existiam edifícios feito de pedra o que deu o nome de Cidade de Pedra para a região, tombada como patrimônio mundial da UNESCO.

Os pais de Freddie eram indianos e seguiam o zoroastrismo, a primeira religião monoteísta com ideais éticos, que veio a influenciar o cristianismo e judaísmo entre outras religiões. Ele foi educado em um colégio interno inglês na maior cidade da Índia, Bombaim, onde estão sediados os estúdios de Bollywood – que não são os responsáveis pelo filme. Nesta escola ele aprendeu a tocar piano com elevada graduação prática e teórica, recebeu o famoso apelido “Freddie” e obteve sucesso no boxe e no tênis de mesa, onde foi campeão diversas vezes. Em 1958 formou com mais quatro amigos da escola a banda The Hectics, onde ele era o pianista.

Em 1964 houve uma revolução que deu origem a Tanzânia e com isso Freddie se mudou com os pais para a Inglaterra, aos dezoito anos. Lá se formou em design gráfico e artístico pela Ealing Art College onde também estudaram o guitarrista do The Who, Pete Towshend, o ilustrador de Senhor dos Anéis, Alan Lee e o guitarrista do Rolling Stones, Ron Wood, entre outros famosos.

Em Ealing, ele conheceu Tim Staffel, responsável por apresentá-lo a Brian May e Roger Taylor que eram integrantes da sua banda – Smile – na época. Freddie tinha se tornado grande amigo de todos e acompanhava a banda nas apresentações e ensaios. Em 1970, Tim deixou a banda e Freddie assumiu os vocais, mudando o nome para Queen e assumindo o sobrenome Mercury – em alusão ao deus grego Mercúrio, considerado o deus da eloqüência e da linguagem e o mais atarefado de todos, que transportava as mensagens dos homens para os deuses. Ele já havia tocado em bandas como Ibex, Soul Milk Sea e Wreckage.

Na Smile, ele havia encontrado tudo o que queria para sua própria banda e junto com os dois integrantes mais o baixista Mike Grose ele fundou o Queen, mas houve um grande rodízio de baixistas até encontrarem John Deacon e a Rainha obter sua formação clássica e inalterável.

Com base em seu diploma, Freddie desenhou o logo da banda colocando personagens que representavam os integrantes. Junto com a coroa estão duas fadas representando o signo de virgem (Freddie), dois leões representando o mesmo signo (Roger e John) e um caranguejo representando o signo de câncer (Brian).
Em 1970 a banda realizou seu primeiro show, iniciando a carreira com a música “Stone cold crazy” da época do Wreckage. Em um dos shows no início da carreira, numa escola para garotas, o pedestal do microfone de Freddie quebrou e ele continuou cantando com a parte de cima, por ser mais fácil se movimentar no palco, surgindo assim uma das marcas registradas do vocalista e do Queen.

O Trident Studio’s decidiu contratar a banda, que impôs alguns termos para não sofrer com experiências da época do Smile. Em seguida a empresa tentou vender o Queen e mais duas bandas para a gravadora EMI, mas eles só queriam o Queen e o negócio não foi pra frente. Com isso eles foram colocados de lado pelo Trident e só podiam ensaiar quando não havia ninguém nos estúdios. Um dia o produtor Robin Cable estava produzindo a música “I can hear music” dos Beach Boys e como já tinha ouvido Freddie cantar, pediu para que ele gravasse a canção. Freddie insistiu para que Brian e Taylor participassem da gravação e com isso eles gravaram também “Goin’Back”. Robin tentou convencer o Trident Studio’s a liberar a banda para a EMI, mesmo assim eles lançaram as músicas sobre o pseudônimo Larry Lurex, para não expor o nome Queen.

O primeiro disco foi lançado e eles saíram em turnê abrindo para o Mott the Hoople. Na volta eles gravaram Queen II e saíram novamente em turnê. Com o lançamento de Heart Attack Sheer e o grande sucesso do disco eles passaram a excursionar pelo mundo sempre com grandes shows. Nessa época conseguiram rescindir contrato e gravar com a EMI. Devido à grande quantidade de shows, Freddie acabou criando nódulos na garganta, que causaram alguns cancelamentos.

Em 1975 eles lançaram a clássica “Bohemian Rhapsody” – que na verdade é junção de três músicas em uma – sob ressalvas de que as rádios não executariam a música por causa da longa duração para os padrões da época. Um programa na BBC executou somente as primeiras frases da letra por alguns dias até tocar a música inteira e fazê-la estourar na Inglaterra. Na música “You’re my Best friend”, Freddie não quis tocar piano elétrico e o baixista Deacon teve de aprender a tocar para poder gravar a música.

Nessa época Freddie adotava um estilo baseado no glam rock da época com roupas coloridas e espalhafatosas, um cabelo longo, unhas pintadas, delineador preto e vestimentas inspiradas no balé. O piano se tornou o instrumento clássico da banda. No momento em que Freddie se sentava para executar algumas músicas, o público aguardava em silêncio até ouvir os primeiros acordes e explodir junto com o vocalista cantando em uníssono. Freddie também desenvolveu grande habilidade para dominar o público durante as apresentações, afirmou uma vez: “Gosto de fazer o público se sentir parte do espetáculo”.

Nos anos seguintes o Queen continuou com seu desenvolvimento musical e alavancando sua fama ao redor do mundo. Passaram a excursionar por todo o mundo chegando a América Latina. “Nós estávamos muito nervosos”, admitiu Freddie. “Não tínhamos o direito de criar expectativas num lugar totalmente estranho. E acho que eles nunca tinham visto um show tão ambicioso antes”. Foi em São Paulo inclusive que o Queen alcançou o maior público para um show de rock. Reconhecido pelo Guinness Book, um show no estádio do Morumbi reuniu cerca de 200.000 pessoas
Depois disso eles participaram com enorme sucesso da histórica edição do Live Aid, sendo a banda mais elogiada entre os militantes da causa que buscava chamar a atenção para a fome na África. No Rock In Rio eles fizeram uma exibição primorosa, com a mais famosa participação do público em show, quando todos os presentes acompanharam Freddie e Brian May na clássica “Love of my life”.

O Queen era no momento a maior banda do mundo e resistia bravamente a incursão do punk rock, que já havia derrubado inúmeras bandas poderosas do hard rock. Mas aos poucos Freddie Mercury começou a sumir de cena e as suspeitas sobre sua condição de soro-positivo começaram a aumentar, até a sua morte em 24 de novembro de 1991.

A singularidade de Freddie Mercury sempre caminhou paralela a história do Queen e embora se destaque dos outros integrantes o próprio não se sentia uma estrela, disse em uma entrevista para Glória Maria: “Eu não sou o líder da banda, todo mundo diz isso, mas eu sou só o vocalista” e em outra ocasião “Nunca me considerei o líder dos Queen. Quanto muito a pessoa mais importante” Mas ao mesmo tempo que negava isso, ostentava uma auto-estima avassaladora que pode ser entendida como uma arma motivacional. Alegou, por exemplo, “Não vou ser uma estrela, vou ser uma lenda! Quero ser o Rudolph Nureyev do rock n’ roll!” e também “Há pessoas que se contentam com o segundo lugar. Eu não. Assumo-o como uma derrota. Quando se vive a experiência de se ser o primeiro, o número dois não é suficiente”.

Para Freddie a música era o mais importante na sua vida, em uma entrevista ele soltou a famosa frase: “Eu sou uma prostituta da música”. Desde o início da carreira quando os integrantes passaram a morar juntos, Freddie chegava com a mala recheada de peças de gosto duvidoso que compunham seu tradicional figurino e as retirava alegando que eram peças lindas, que um dia valeriam uma fortuna. Depois de um tempo ele reconheceu que seu vestuário não era tão lindo assim: “Se usasse hoje aquelas roupas, pareceria ridículo. Aliás, parecia ridículo, mas naquela época funcionava”. Ele foi também o responsável pela sugestão do nome da banda, pois segundo ele “Queen significa algo grande, pomposo”. Freedie era formado em Design – todos os membros do Queen tinham grande graduação, Brian era formado em Física e astronomia; Roger em Biologia; Deacon em Eletrônica.

Na década de 80 Freddie mudou seu visual em cima do palco, adotando um figurino mais simples, normalmente com uma calça com alguns detalhes dourados e sem camisa, mostrando o porte atlético. Já com o cabelo curto e o bigode destacado, essa se tornou sua imagem mais famosa graças ao sucesso consolidado nessa época. Esse visual foi modificado somente no final da carreira quando ele se apresentou ao lado de Montserrat Caballé. Um sonho que ele nutria desde 1983 quando assistiu ao primeiro show da cantora.

A maior voz do rock no entanto não era fadada a entrevistas e Freddie além de tímido e recluso nunca se considerou a pessoa mais feliz do mundo constantemente tentava separar o líder nos palcos do ser humano em casa. Em uma entrevista chegou a afirmar que “Vivia a pior forma de solidão. Podia comprar tudo que precisava menos uma relação amorosa estável”.

Para livrar-se dessa solidão ele buscava o amor. Costumava separar seus casos de seus amores, não acreditava que pudesse amar um homem como amava uma mulher. Sua grande paixão foi Mary Austin, uma gerente que ele conheceu em 1970 e com quem se relacionou até o final da década e para quem fez a música “Love of my life”. Esse namoro acabou quando ele assumiu sua bissexualidade, mas ela manteve-se como sua melhor amiga e confidente, recebendo até parte de sua herança.
A homossexualidade foi tema constante em sua vida. Músicas, trejeitos e a intimidade dele eram sempre relacionadas a atitudes ou causas gay. Para Glória Maria ele negou que “I Want Break Free” seja uma música para os gays, embora o clipe represente todos os integrantes vestidos de mulher: “A música foi escrita por John Deacon e ele é casado, tem quatro crianças, não sei de onde você tirou essa mensagem, mas não tem nada a ver com as pessoas gays. É sobre todo mundo, alguém que tem uma vida dura e quer se libertar. Não tem nada a ver com a causa gay.” Para o mundo afirmava ter mais amantes que Elizabeth Taylor e em sua intimidade abusava de extravagâncias na decoração da casa e nos bens que adquiria.
Freddie sempre foi extravagante e uma pessoa à altura do posto que ocupava. Desde festas excêntricas, que dizem, eram à altura das orgias do Deus Baco, até sua forma de se expressar, ele demonstrava ser uma pessoa especial e dedicada que queria sempre estar no topo. Essa força e imponência serão o destaque do filme que está sendo preparado e que tem como intérprete de Freddie, Sacha Baron Cohen. Para alívio dos fãs o diretor Peter Morgan afirmou:

 “Para ser honesto, não quis escrever um filme sobre a aids. Apenas contemplei o período. É quando ele rejeita os músicos da banda e, depois, volta para eles. Será uma espécie de filme sobre família. Algo do tipo ‘odeio minha família, quero ser independente, mas depois volto’”.

Freddie Mercury morreu um dia após declarar publicamente que estava com Aids. Nos últimos dias de vida, recebeu visitas de seus grandes amigos e esteve sempre rodeado das pessoas que mais gostava. Acabou por adormecer eternamente em seu quarto, sobre um divã, vestido em um robe de cetim, na mansão que possuía em Londres onde seus fãs tentavam resumir os sentimentos em pequenas frases. E talvez alguém tenha chegado perto o suficiente de resumir Freddie ao pichar: “As lendas nunca morrem”.

Anúncios

Tags:,

Categorias: Música

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: