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O mercado do medo

 

por Érica Perazza

 
Holofotes, sistema infravermelho, travamento dos portões, monitoramentos, cercas elétricas, CFTV, sistema de controle de veículos, entre outros alarmes. Cada vez mais as empresas especializadas em segurança tecnológica inovam e investem em dispositivos mais eficientes e modernos. “Hoje empresários e cidadãos estão cada vez mais preocupados – e conseqüentemente optam por soluções que valorizam a proteção em empresas ou residências.”, afirma o especialista em segurança Walter Uvo, da Focus Mind.

Crimes como assaltos e sequestros deixam a todos com medo. Mas será que isso tudo existe pela taxa considerável de violência nas cidades?

De um lado, o horror, o caos, a desordem, muitas vezes televisionados por programas sensacionalistas. O comportamento das pessoas chega a ser influenciado pela exploração desse tipo de conteúdo. A psicóloga Mariana Chalfon alerta: “Exacerbando o lado emocional do fato, a ansiedade e o receio das pessoas podem aumentar. Dependendo da estrutura da pessoa, ela poderá se sentir mais ou menos afetada pelo sensacionalismo”.

Do outro lado… Políticos – não muito confiáveis – alegam que “está tudo bem, tudo sob controle” com propagandas com borboletas e pessoas correndo por um campo florido. E a segurança pública, se torna privada.

O homem continua sendo classificado como um animal, apesar de ser racional. E sendo assim, o nosso corpo animal preserva o instinto de sobrevivência: em situações de ameaça à integridade, nosso corpo se prepara para fugir ou lutar. “O problema é que as relações humanas vão além do patamar animal e passam para o patamar racional, no qual a reflexão não permite o ato de fugir ou lutar. Nosso corpo e nossa mente são obrigados a lidar com este impulso para sobreviver de outra maneira”.

“Não adianta ter todo o aparato tecnológico, se o fator humano for falho, e o morador por sua vez não estiver envolvido, de nada adiantará.”, alerta o gerente predial, de um grande condomínio paulistano, Rick de Oliveira.

“Hoje os prédios estão mais vulneráveis, pois, o acesso de pessoas é maior.”, declara o especialista de condomínios, Jorge T. Margueiro, da GS Terceirização. Porteiros para condomínio que possuem aparatos de segurança precisam ter conhecimentos de informática; ser pro ativo; desinibido; comunicativo; com visão de segurança; ser conhecedor das instalações, dos equipamentos e também das normas de segurança; estar sempre alerta.

Esses equipamentos de segurança, além, de proteger o condomínio, auxilia na proteção do próprio profissional. “O mais utilizado é o dispositivo de desperta vigia, que emite um sinal a cada 15 minutos, caso o porteiro não responda ao sinal sonoro ele dispara um alarme na central de monitoramento, que trata a ocorrência, verificando o motivo pelo qual o funcionário não respondeu ao sinal enviado.”, destaca Margueiro.  

Mesmo assim muitas pessoas não se sentem seguras. “Os aparatos tecnológicos permitem monitoramento, mas não garantem que a situação adversa ocorra”, observa Marina Chalfon. Para ela, essa sensação de controle total é uma ilusão e, lá no fundo, as pessoas sabem disso.

Além do mais, morar em casas e prédios, é privar-se de certa liberdade. Você já se sentiu assim? Luize Irvin sim. Até entrar em sua casa, ela passa por diversas câmeras. “Logo na entrada de meu prédio, tem uma. Passo por dois portões, pela guarita e, até chegar ao elevador (também com câmera), existe mais uma porta e duas câmeras. Não me sinto segura, e sim, observada. Presa num filme” confessa.

Sentimos medo de tudo, parece que sentimos muito mais medo hoje em dia, arriscamos menos, nos acomodamos mais. Não parece? Tudo é perigoso. Até tomar coca-cola! Vai saber? Até um inocente ato de sorrir pode ser assustador. Preocupamos-nos com o que nem deveríamos se quer cogitar.

“A história nos diz que já houve épocas em que a morte por combate, assassinato e doenças era mais comum do que hoje, proporcionalmente”, lembra Chalfon. Entretanto, a ansiedade coletiva toma proporções inéditas em nossa contemporaneidade. A Síndrome do Pânico, por exemplo, “um contraponto à ansiedade intensa, têm sido mais frequente nos últimos 15 ou 20 anos”. De acordo com a psicóloga, a síndrome se concretiza como uma paralisação da pessoa, que apresenta sintomas de formigamento dos membros, falta de ar e paralisação. A pessoa se sente sem saída. Neste caso, deve procurar a ajuda especializada de um psicólogo e um psiquiatra.

Ao mesmo tempo em que buscamos um lugar a salvo, consumimos perigo. A expectativa de vida subiu, mas o marketing do medo aumenta cada vez mais a desinformação promovida por indivíduos e organizações que têm a ganhar com o temor excessivo. Mas qual seria o contrário do medo?

 

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Categorias: A Mão de Midas, Caixa de Pandora, Ciência e Tecnologia, Hades

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