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Paralisia educacional

Sem melhorias nas condições de ensino, departamento de Jornalismo da PUC entra em greve
 

Texto por Érica Perazza e Juliane Freitas
Fotos: Jéssica Oliveira

R$1294. É quanto custa a mensalidade para o curso de jornalismo na PUC-SP.
Alunos inadimplentes, má administração e manutenção da dívida da universidade são alguns dos motivos pelo alto custo. E ainda assim, com um preço absurdo para os padrões econômicos do país, parece não ser o suficiente para manter as estruturas da faculdade.

O campus de Jornalismo, a COMFIL (nome antigo) ou FAFICLA (nome atual), é prédio quase clandestino, ou como tanto dizem “um puxadinho” da PUC.  Os lixos de reciclagem se misturam, e não há fácil acesso para deficientes físicos, nem para quem está com a perna quebrada, por exemplo. Nas salas de aula, as cadeiras até são acolchoadas, mas rasgadas; portas desgastadas. Os tetos, forrados com as famosas placas de isopor que alunos tanto conhecem, caem e não são repostas. A melhor parte são os banheiros. As vaidosas queixam-se da ausência de espelhos, mas o que falta mesmo é limpeza e higiene. Às vezes é possível encontrar sabonete para lavar as mãos, bem como mosquitos e baratas. Mas, praticamente a PUC inteira é assim… precária, abandonada. Um pequeno retrato do nosso país. E passam uma tinta de vez em quando, considerada como “reforma”. Claro.

Sem condições para continuar com as aulas, tanto professores quanto estudantes, se reuniram e entraram em greve na última segunda-feira, 18.



Adriano Lira, estudante do segundo ano, confessa: “Eu sinceramente me surpreendi. Foram mais pessoas do que eu esperava, e com mais vontade também”. Ele acredita que se continuarem nessa pressão, planejando tudo direitinho – e melhor, com a ajuda dos professores – o reitor, Dirceu, vai nos ouvir e tirar o escorpião católico do bolso”.

Dirceu de Melo é o nome do reitor da PUC-SP. Ele e dois secretários da Fundação São Paulo, os padres João Julio Farias e Rodolpho Perazzolo compõe um conselho administrativo deliberativo (o CONSAD) que decide as principais questões burocráticas da universidade.

Em estado de greve desde o dia 6 de outubro, os professores decidiram que caso não fossem atendidas imediatamente as reivindicações do Departamento de Jornalismo, o corpo discente paralisaria suas atividades. Poucos dias depois, no dia 15, uma reunião mal sucedida com o CONSAD culminou na greve, que já se estende por sete dias.

Uma das reivindicações é a abertura de uma agência on-line, prevista na grade curricular aprovada em 2006.  Até o momento sem previsão de implementação, sem corte de gastos que prejudiquem o curso com auditoria e transparência no processo.

Na segunda-feira seguinte à decisão de paralisação dos professores, dia 18, os estudantes reuniram-se em assembléias por período e decidiram aderir ao movimento, pontuando também a necessidade de melhorias direcionadas ao Departamento de Jornalismo, o que passou a ser chamado de “segunda lista”.

O professor José Arbex Jr., chefe do departamento, pontuou que, em sua maioria, as reivindicações das duas listas são as mesmas, considerando que grande parte dos problemas do curso são causados pela forma como a Reitoria e a Fundação São Paulo lidam com o departamento e com a universidade como um todo. O professor também deixou claro que a bandeira levantada pela greve não é apenas pela Agência On-line em si, mas pelo que ela representa.

A negativa à sua implantação remete à ausência de políticas adequadas aos cursos da universidade: a questão da maximização dos contratos, a priorização do lucro (argumento usado pelo Consad contra a implantação da famigerada Agência Online), a falta de estrutura etc., o que impede o pleno funcionamento e independência do departamento, acarretando muitos dos
problemas citados na segunda lista. Algumas das reclamações dos estudantes referem-se à, além do fim da maximização do contrato dos professores, abertura de turmas para as cinco modalidades de TCC no curso de jornalismo (sendo elas impresso, vídeo, rádio, fotografia e online) independentemente do número de estudantes inscritos na modalidade.Cada turma pode se reunir e pontuar suas principais reivindicações. Entre elas, temos:Mais matérias optativas e melhor organização nos prazos de definição dessas aulas;
Ampliação do quadro de professores orientadores de trabalhos de conclusão de curso, os TCCs;
No caso de falta, que os professores avisem com antecedência ou encontrem substitutos;
Seguimento de proposta da aula e cumprimento da grade curricular;
Incentivo a produção e a leitura no curso de jornalismo;
Reposição das aulas perdidas ou trabalhos extras;
Reformulação da matéria Tutoria (planejamento de aula, palestras, discussões sobre mercado de trabalho, etc)

Os alunos também organizaram um Comitê de Greve, com representantes das oito turmas de jornalismo.

As atividades da semana foram intensas. Na terça-feira, os estudantes realizaram ato em frente à reitoria e por todos os cantos do campus Monte Alegre, com cartazes e parafernalhas das mais barulhentas. Os Centros Acadêmicos de Geografia e Ciências Sociais, Direito e Psicologia manifestaram apoio ao protesto.

Durante a primeira semana da greve, alguns avanços puderam ser observados. O comitê de greve misto já conseguiu conversar com o reitor e com a Fundação São Paulo. Uma nova reunião com o Consad, que acontece periodicamente, está agendada para a próxima sexta-feira e lá devem sair as resoluções sobre a implementação imediata da Agência On-line.

O jornalismo tem sofrido duros golpes ultimamente. Entre a queda do diploma e censuras, agora a crise chegou à raiz do problema, a educação.
Que os alunos da PUC sejam vistos como exemplos, pois eles não ficaram paralisados aguardando uma atitude que nunca chega. Todos são capazes de tomar uma pequena iniciativa para uma grande mudança.

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Categorias: Educação e História

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2 Comentários em “Paralisia educacional”

  1. Stefano
    26 de outubro de 2010 às 21:11 #

    Tem umas coisas erradas aí…
    Em primeiro lugar, não vai ter reunião com o Consad. Nós é que vamos à reunião do Consad que acontece a cada 2 semanas acompanhar a votação e, se nos permitirem, falar algo sobre nossas reivindicações. Outra coisa é que foram os centros acadêmicos que manifestaram apoio e aí a Geografia é representada pelo mesmo CA que as Sociais. o CA de Psicologia também mostrou apoio.
    Outra coisa é que os rumos não estão sendo decididos juntos. Na assembleia de ontem ficou bem claro que os estudantes possuem posição soberana e é por isso que os professores só decidiram hoje (em encontro separado, portanto) que também continuarão em greve.

    • 27 de outubro de 2010 às 12:44 #

      Stefano, obrigada por suas ponderações. Já corrigimos as informações. Continue lendo e comentando a Pandora. Abraços

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