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Imprensa

Rumos e rumores da imprensa

Por Thaís Teles

Contar a história de um país diariamente não é tarefa simples. Apurar fatos, cruzar informações brutas e traduzir todo esse material em caracteres a fim de dar ao leitor a chance de entender de que maneira tudo isso interfere em sua vida é o principal objetivo e desafio dos jornalistas.

Objetividade e clareza são requisitos essenciais para relatar o cotidiano, ainda mais em tempos virtuais. O imediatismo da internet e a capacidade de interatividade inserido nessa ferramenta, fez com que costumes antigos fossem desafiados a sofrer adaptações. Produzir matérias longas é uma liberdade concedida a poucos jornalistas do meio impresso, uma vez que esse objeto tão presente no cotidiano de muitos indivíduos está sendo substituído pela presença virtual de informações.

No Brasil, o exemplo mais recente dessa mudança de costumes ocorreu há poucos meses com o fim da circulação impressa do Jornal do Brasil. Criado em 1898, o veículo deu voz a muitos capítulos importantes da história do país, como a Revolta da Armada e os àrduos anos de ditadura militar, na qual, através do silêncio e ironias era possível expressar em partes o sufocante momento que os profissionais da comunicação e demais profissões enfrentavam. Pelo JB passaram nomes emblemáticos da literatura e do jornalismo brasileiro, entre eles Clarice Liespector, Rui Barbosa, Carlos Drummond. A excelência dos profissionais está ligada à riqueza do conteúdo.  O “Caderno B” foi pioneiro em perceber movimentos artísticos de uma nova época a partir da produção de conteúdos que focavam no cinema nacional, no ritmo da bossa nova e até hoje é referência de qualidade para muitos veículos nacionais.
No dia 31 de agosto, milhares de pessoas correram até bancas próximas a fim de adquirir a última versão impressa do JB. A queda no número de vendas de exemplares e uma dívida que chega a R$ 800 milhões foram fatores determinantes para que todo conteúdo fosse disponibilizado apenas na rede. De acordo com empresário Nelson Tanure, a decisão foi tomada a partir da falta de rentabilidade do jornal e, segundo o mesmo, uma pesquisa feita com leitores indicou que grande parte era favorável à migração para o meio eletrônico, já que a aquisição do periódico não implicava em sua leitura, muito pelo contrário. Fotor de grande relevância para Tanure, que vê ainda no conteúdo online uma maneira de colaborar com o meio ambiente. 

Foto: Divulgação

A crise da versão impressa não afetou apenas a imprensa brasileira. Na Espanha, o jornal “El Pais” também sofreu com a desenfreada propagação dos tempos modernos. O jornal era controlado por um dos maiores grupos de mídia do país e passou a ser liderado por um grupo de investidores americanos em decorrência da dívida acumulada em 5 bilhões de euros. Em 2007, o jornal espanhol passou a disponibilizar gratuitamente todo o conteúdo na internet a fim de lucrar mais com a audiência e anúncios publicitários em sua página do que com a venda de conteúdo impresso.
As notícias não param, mas as formas como as notícias são transmitidas se renovam cotidianamente. Estar familiarizado com novas linguagens é uma questão de hábito e de se permitir experimentá-las. Muitos indivíduos declaram que o a produção online  deixa a desejar em decorrência de sua superficialidade, porém, o que faz a internet ser um meio tão inovador é sua capacidade rica de abranger de maneira uniforme diversos assuntos. Saber explorá-la com sabedoria é tornar evidente a versatilidade de linguagens que o ser humano é capaz de decodificar, sem menosprezar o passado pioneiro e essencial para atingir a tamanha magnitude tecnológica.

 

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Categorias: Crônicas do Olimpo, Metalinguagem

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um comentário em “Imprensa”

  1. manuel morales
    27 de outubro de 2010 às 15:25 #

    Nelson Tanure tem sido sobejamente atacado pelos cínicos de plantão, como se ele fosse o coveiro do Jornal do Brasil, e não o homem que tem garantido a sobrevivência do veículo, dentro ou fora da internet. O JB pode se renovar, e crescer, e se Nelson Tanure quiser ele pode fazer isso acontecer.

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