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Dossiê Sarney

O reinado inabalável da cara de pau

As peripécias de José Sarney moldando o jeitinho brasileiro de fazer política



Por Juliane Freitas

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, mais conhecido como José Sarney, foi o último presidente brasileiro antes das eleições diretas. Após décadas de carreira política, em 1985 assumiu o comando do Poder Executivo do país após o falecimento de Tancredo Neves, então presidente, do qual era vice. Nascido em Pinheiro, há menos de 200 quilômetros de São Luís, até hoje sustenta o nome de sua família na política maranhense. Sua filha, Roseana Sarney, é atual governadora do Maranhão e herdeira de muitos talentos do pai, como a predisposição a negar acusações de corrupção. Os dois escapam ilesos e sem nenhuma dor na consciência de todas as denúncias a seu respeito.

Também pudera, Sarney é, desde 2009, Presidente do Senado Federal. Fora eleito por 49 votos a 32, desbancando o candidato do governo Tião Viana , do PT. Logo no ano de sua eleição, sofreu onze acusações, entre elas de utilizar atos secretos e outros benefícios como empréstimos em favor de parentes, desvio de recursos públicos, omissão de bens a fim de sonegar impostos e envolvimento duvidoso na operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga seu filho Fernando, acusado de lavar dinheiro e fazer caixa dois em prol da campanha da irmã no Maranhão. Os membros do Conselho de Ética, no entanto, votaram unanimemente a favor do arquivamento das denúncias.

A última de Sarney, fresquinha, é de que ele teria indicado Aldo Ferreira para o cargo de Secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado do Amapá, preso no início do mês por fraudes em licitações de contratos sob sua alçada, durante a Operação Mãos Limpas. O senador negou participação no caso. O nome dele não consta nos relatórios da CPI. Fatos mais antigos revelam Sarney como apoiador do regime militar. Nos anos 80, pouco antes de sua posse como presidente da república, enquanto era deputado federal, votou contra a emenda constitucional Dante de Oliveira, que propunha o voto popular, amplamente reivindicado pelo movimento “Diretas Já”.

Outras falcatruas deste ícone da política brasileira podem ser lidos em um site dedicado a todos que o querem bem longe do governo, o #ForaSarney, que também pode ser acompanhado no Twitter.

Enquanto isso, o presidente mantém os números de quem veio para ficar: senador há 18 anos e mais de 50 anos de carreira. É a cara da política – da impunidade e da cegueira – brasileira.

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