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Dossiê Quércia

O defensor O impostor dos Direitos Humanos

  

por Verônica Gonçalves

 

Orestes Quércia, 72, está envolvido com política desde 1964. Embora o primeiro partido que ele participou tenha sido o Partido Libertador (PL) em Campinas, sua carreira foi toda conduzida no atual PMDB. Por meio desse partido que ele conseguiu notoriedade para em 1966 ter sido eleito deputado estadual por São Paulo e em 1968 ter vencido a eleição para prefeito de Campinas.

A construção da imagem do político Quércia foi toda pautada em um sujeito íntegro e honesto que defendia os direitos civis, especialmente na época na Ditadura. Durante sua atuação em campinas foi responsável por pavimentar ruas e avenidas, construir a terceira estação de tratamento de esgoto, a urbanizar o parque do Taquaral, construir o palácio dos Esportes, instalar praças para prática de esportes nos bairros mais populosos e criar mais núcleos de habitação popular. Mas sua carreira só deu uma alavancada quando concorreu ao Senado em 1974 e ganhou com mais de 80% dos votos do candidato Carlos Alberto de Carvalho Pinto do partido dos militares.

Embora Quércia só tenha vencido por conta da perda de popularidade do governo militar devido as suas propostas econômicas e a radicalização da violência, ele conseguiu o maior número de votos da história. Sua plataforma incluía o retorno ao estado de direito com o fim do AI-5 (responsável pelo fim da liberdade de expressão) e a mudança de foco da economia (do mercado externo para o interno).

Essa imagem perfeita de homem honrado começou a ser desfeita em 1977 quando o jornal Correio Braziliense o acusou de corrupção enquanto era o prefeito de Campinas. Tais alegações geraram um impacto no Congresso, mas não foram investigadas. Ele continuou lutando pela democracia, não como militante de esquerda, mas como político responsável por assinar papéis. Dessa forma ele assinou a proposta de uma nova Constituição, de eleições diretas e de não repressão às greves de metalúrgicos em São Bernardo.

Ao mesmo tempo em que a ditadura estava enfraquecendo na década de 1980, Quércia estava lutando por mais espaço em seu partido. Apesar de sua popularidade ainda viam- no como caipira e despreparado para uma tarefa tão importante. Contudo, por meio de uma política de lealdade recíproca foi ganhando seu espaço até assumir como governador de São Paulo em 1987.

A responsabilidade da função não impulsionou mais sua carreira. Seus quatro anos de mandato renderam mais três processos além daquele em Campinas. Logo nos primeiros meses de governo ele descobriu que seu aliado Otávio Ceccato estava envolvido no rombo da corretora do Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Para agravar a situação o PMDB tinha perdido boa parte de membros que resolveram criar o PSDB. Em termos de feitos para a população ele investiu muito em obras que modernizaram o sistema ferroviário e estradas que ajudaram no escoamento dos produtos agrícolas.

O fim de seu mandato em 1991 terminou de maneira tranqüila apesar de impasses dentro do partido, mas quando foi se candidatar a presidência em 1994 começaram a aparecer mais escândalos da época em que foi governador. Seu nome passou a integrar uma lista de 109 responsáveis pelo rombo de mais de dois bilhões de reais do Banespa. Ele nega afirmando que o maior lucro do banco foi em sua gestão. Quércia também tem um processo envolvendo importações irregulares de produtos israelenses. E para completar foi pedida uma CPI para investigar a privatização da Vasp.

Aquele político honesto e íntegro começou a se revelar corrupto e esperto. Todos os processos abertos contra ele estão parados no Ministério Público e ele continua tendo grande peso no PMDB, especialmente em São Paulo. Onde será que está aquela pessoa tão preocupada com os direitos humanos afinal?

 

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