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Dossiê Collor

O caçador cassado

Escândalos e corrupção marcaram a história de Fernando Collor

por Soraia Alves

 

Fernando Affonso Collor de Mello entrou para a história do Brasil como o primeiro presidente a ser eleito através do voto direto após o fim da ditadura militar, e o primeiro presidente a sofrer um impeachment. Vindo de uma família de políticos de Alagoas, Collor cresceu acompanhando a carreira do pai, Arnon de Mello que foi deputado federal, governador e senador pelo estado, e que disparou três tiros contra o senador Silvestre Péricles dentro do Senado Federal. Um dos tirou atingiu e matou o então senador do Acre, José Kairala. Apesar do flagrante, Arnon contou com a impunidade parlamentar para sair da situação sem sequer sofrer uma cassação.

As diversas mudanças de partido político foram uma das marcas da trajetória política de Fernando Collor. Ao iniciar sua carreira em 1979, Collor escolheu a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) como partido e foi escolhido pelo então governador Guilherme Palmeira para ser prefeito de Maceió. Collor renunciou ao cargo em 1982 e migrou para o PDS (Partido Democrático Social), sendo eleito deputado federal. Como deputado, votou em Paulo Maluf durante as eleições presidencias de 1985.

Em 1986, filiado agora ao PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), Collor foi eleito governador de Alagoas, muito graças ao sucesso do Plano Cruzado do presidente José Sarney. Foi durante esse período que Collor ganhou o apelido de “caçador de marajás”, por acabar com cargos de funcionários públicos que ganhavam quantias exorbitantes. Foi também durante sua estadia como governador alagoano que Fernando Collor teve seu primeiro contato com o famos0 impeachment. O pedido ocorreu devido a um programa de enxugamento de gastos do governo implantado por ele e que acarretou a demissão de inúmeros funcionários e a extinção de cargos e empresas públicas.

Muito bem assessorado por sua quipe de marketing, as ações de Collor eram sempre muito divulgadas na tentativa de criar uma imagem positiva para sua futura campanha presidencial. Em 1989 renunciou ao cargo de governador, mudou para o PRN (Partido da Reconstrução Nacional) e se candidatou à presidência da república, com Itamar Franco como seu vice. Concorreu com outros 21 candidatos, entre eles Luiz Inácio “Lula” da Silva, candidato pelo PT (Partido dos Trabalhadores), Mário Covas pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), Paulo Maluf pelo PDS e Leonel Brizola filiado ao PDT (Partido Democrático Trabalhista). Até Silvio Santos tentou entrar na disputa, pelo PMB (Partido Municipalista Brasileiro), mas foi impedido pela Justiça Federal.

Fernando Collor e Lula foram para o segundo turno das eleições, e o moço bem afeiçoado, inteligente e agrádavel que representava a direita venceu o ex-operário que na época era muito mais mal encarado do que o simpático diplomata que conhecemos hoje. Após 29 anos o povo pode novamente escolher o presidente de seu país através de seu próprio voto e Fernando Collor foi o eleito, tomando posse em 1990. Dois anos e meio depois, o mesmo Fernando Collor estaria renunciando à presidência.

Durante seu governo Collor escolheu figuras desconhecidas ou sem nenhum respaldo político para comporem seu ministério e ajudarem na difícil tarefa de conduzir um país, e 15 dias após tomar posse deu início ao Plano Collor, um programa de reconstrução econômica do país, criado pela então ministra Zélia Cardoso de Mello. Como medidas bloqueou o dinheiro depositado nos bancos (poupanças e contas correntes) de pessoas físicas e jurídicas, medida essa que ficou conhecida como “confisco”. Extinguiu órgãos e empresas estatais, aderiu a abertura do mercado brasileiro às importações, o congelamento de preços e pré-fixação dos salários.

O resultado das medidas adotadas por Collor embora tenha reduzido a inflação do país em um primeiro momento, mergulhou o Brasil na maior recessão de sua hisória, com um número gigantesco de desempregados e a falência de empresas. Paralelo a isso via-se um presidente praticando cooper, pilotando seu jatinho e sempre exaltando sua jovialidade e arrogância com frases como a célebre “tenho aquilo roxo”. Era “o jeito Collor de governar”, e por trás desse jeito havia um esquema de corrupção que veio à tona quando o irmão do presidente, Pedro Collor acusou o empresário e tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Paulo César Farias (PC Farias) de organizar um esquema de tráfico de influência e cobrança de propina dentro do governo. Os beneficiados com o “esquema PC Farias” eram do alto escalão do governo, incluindo Fernando Collor.

Investigações, mais denúncias, revelações e confirmações sobre todo o esquema levaram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquéritos) a definir em seu relatório final, com 16 votos a 5, a culpa dos acusados de envolvimento no esquema de corrupção. Foi pedido o impeachment do presidente, culminando com as manifestações que já aconteciam pelo país, com jovens de rostos pintados, protestando e pedindo a saída do presidente. O movimento “caras pintadas”.

Collor ainda tentou “dar um jeitinho na situação” marcando uma reunião secreta com pessoas do governo, mas acabou renunciando ao cargo de presidente e teve seus direitos políticos cassados por oito anos, até o ano 2000. Depois disso, retornou à vida política tentado diferentes cargos nas eleições.  Em 2002 se candidatou ao governo de Alagoas e perdeu. Quantro anos depois conseguiu ser eleito senador pelo mesmo estado, conquistando um mandato de oito anos. Nas recentes eleições de 2010, Collor tentou novamente o cargo de governador de Alagoas, sem sucesso.

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Categorias: Dossiê de Têmis, Política Nacional

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um comentário em “Dossiê Collor”

  1. vanderlei gomes da silva
    22 de junho de 2012 às 20:55 #

    nao e atoa que lula se identifica com ele dois desonesto

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