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Eleições

Questões questionáveis

As incoerências políticas e sociais de nossos tempos
por Lucas Marcelino
Mais uma vez estamos em época de eleições. Cada vez mais próxima de uma definição sobre um novo período da nossa história. E mais uma vez assistimos a regurgitação de ofensas pessoais alheias a verdadeira vocação da política – a concepção da justiça e da igualdade entre os governados.
Não podemos questionar a infindável pesquisa por defeitos que os adversários usam entre si, a vitória parece depender cada vez mais do sucesso obtido pelos detetives partidários – que criaram novas profissões como: lobistas, dossiesistas e analista de dados sigilosos, etc. Afinal, nos atemos na história à adoração por personagens e não pelos ideais.
Idolatramos Sócrates e não a sabedoria; Jesus Cristo e não o amor ao próximo; Tiradentes e não a independência; Einstein e não a física moderna; Che Guevara e não a igualdade social; Tancredo Neves e não a liberdade pós-ditadura; Chico Buarque, Raul Seixas e não a gramática correta ou o intelecto avançado. Aceitamos a cada instante uma nova opinião alheia somente pela figura que a pronuncia sem ouvirmos, mas apenas olhando. Tanto que, aqueles que apresentaram propostas para resolver alguns problemas, foram eliminados sob galhofas e descasos.
Plínio Arruda foi alvo de piadas por fazer piadas – que a maioria não entendia – e pelo seu aspecto envelhecido que distorceu suas idéias nos tubos de raios catódicos dos televisores. Foi inclusive acusado de ter excedido seu tempo de permanência nesse planeta, ao qual todos já somos insuportáveis.
Marina Silva obteve maior sucesso, recebeu apoio de quem zombava da sua lentidão e falta de carisma. Principalmente após surrupiar algumas mentes e livrá-las do poder destrutivo do azul e do vermelho. E ao que parece, mereceu essa parcela de poder ao não se deixar vender a alguém mais poderoso.
As prévias eleitorais e os debates se tornam a cada biênio, menos dialéticas e mais sofistas. Apresentam-se menos saídas para a situação calamitosa do país e mais entradas para espetáculos horrendos, onde as principais personagens são figuras repugnantes de aspecto interior que embrulha os estômagos mais seletivos.
Manchada por um falso vermelho, Dilma tem ao seu favor a figura mais carismática desde a abertura democrática, o que lhe proporcionou arrendar pupilas que escondem um vazio interior. Mais uma vez um personagem está acima da história e de suas conquistas e fracassos.
Banhado em um azul sem brilho, Serra – que se ampara no seu ministério da saúde, mesmo sem nunca ter se formado em medicina –  tenta se rebelar usando a tática mais manjada por aqueles que querem eliminar o poder de associação dos rebeldes. Tenta a todo custo destruir a imagem canônica de um herói para os oprimidos, nascido da própria opressão. Pra isso, utiliza de todas as armas que encontra pela frente, fornecendo para o inimigo aquelas que descarta. Sejam elas questões políticas, pessoais, ou religiosas.
Já faz algumas semanas que a religião se sobrepõe a qualquer outra característica dos candidatos. Declarações sobre aborto tornaram-se bombas de efeito moral lançadas ao léu como na época do regime militar. Na tentativa de agradar a grande quantidade de religiosos do país, tais declarações tornaram-se o centro das atenções e das campanhas, que já não possuíam planos de governo e agora possuem apenas plano de ataque.
O problema aqui é a falta de preparo e conhecimento dos candidatos, que não possuem conhecimento filosófico sobre religião, religiosidade e… Aborto.
Religião é diferente de religiosidade. Primeiramente a religião surgiu com a força que conhecemos hoje quando os reis de Israel formaram o judaísmo. Dele derivam outras religiões como o cristianismo e até mesmo o islamismo e todas sofreram alterações de ideais pelas mãos do homem. Já a religiosidade é encontrada no ser humano desde que ele passou a ser um ser pensante e iniciou seu convívio em sociedade. Seja com Sol, a natureza ou os deuses do Olimpo, a religiosidade fez parte da cultura humana em todos os povos e provavelmente continuaria mesmo que fossem destituídas – talvez por um governo opressor – todas as versões da força superior que existem no mundo. O ser humano admite sua fragilidade a cada instante que lança aos céus pedidos de socorro e esses pedidos não cessariam mesmo com o poder da criação da vida. A dúvida ainda é a força de Deus.
Já o aborto, tão criticado pelas religiões por eliminar uma vida, na verdade recebeu essa concepção apenas nos últimos séculos, com o nascimento da sociedade moderna. Moisés foi abandonado numa cesta e criado pela filha de um faraó, para se tornar um dos maiores profetas da Bíblia e do Alcorão. Hércules é filho bastardo de Zeus criado em sua coxa. Durante toda a história da humanidade existiram filhos indesejados que se tornaram figuras importantes.
Até o século XVII, era comum que crianças fossem abandonadas em bosques, conventos ou a própria sorte, sem despertar atenção da sociedade ou determinar prisão dos responsáveis pela criança. Somente com a organização atual da sociedade e a importância cada vez maior da família que as crianças passaram a receber tratamento diferenciado e um lugar importante no coração das pessoas.
A atual sociedade tenta imprimir um sentimento de humanização da vida, defendendo a manutenção da gestação e o respeito pelos direitos da criança. Mas pontos incoerentes se apresentam quando da defesa do uso de preservativos, por exemplo, que evitam a fecundação e a geração de novos seres humanos em nome do controle da AIDS.
Mais incoerentes se apresentam opiniões, as raras propostas e as campanhas dos candidatos que ainda estão na disputa pelo cargo mais decisivo do país, onde não se pode deixar nascerem filhos concebidos pelo pecado.
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Categorias: Crônicas do Olimpo, Política Nacional

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