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Construção do conhecimento

Como ocorre o desenvolvimento do ser humano, principalmente da criança?

Por Lucas Marcelino

 Esse tema é um dos mais discutidos pela psicologia ao estudar o comportamento da nossa espécie e nele se destacam algumas teorias do início do século XX. Duas delas se confrontam em alguns pontos bastante interessantes e acabam por descrever de forma diferente, mas muito parecida, atitudes e conceitos que podem ser notados por qualquer adulto ao olhar para uma criança ou um bebê.

As duas teorias citadas acima são: A construção do conhecimento de Jean Piaget e Pensamento e linguagem de Lev Semenovich Vygotsky (mais conhecido como Vygotsky). Existem ainda outras teorias clássicas a respeito e inúmeras outras desenvolvidas posteriormente, mas nesta matéria vamos nos ater aquela (Construção do conhecimento) que possivelmente mais influencia a forma de educação atualmente empregada nas escolas.

Foto: Divulgação

Piaget (Suíço, 1896 – 1980) foi um epistemólogo e atuou no estudo do desenvolvimento intelectual da criança. Ele é considerado interacionista, ao tentar reunir duas frentes opostas da psicologia, o subjetivismo e o objetivismo. Para ele o desenvolvimento intelectual não poderia fugir ao desenvolvimento biológico, os dois caminham juntos, dando a entender que era preciso uma maturação do organismo para que a criança pudesse realizar novas tarefas, sempre buscando o equilíbrio. Com o decorrer da vida ela passaria a adquirir conhecimentos através da sua própria evolução – criação de estruturas neurológicas mais complexas. Sendo o meio menos importante para esse desenvolvimento.

 Alguns termos foram criados por ele como a adaptação, que seria uma tendência básica das espécies. Outra tendência é a organização, pela qual o indivíduo integra novos conceitos e conhecimentos e os reúne em sistemas coerentes. A adaptação acontece pela organização, onde existem outras duas operações psicológicas: assimilação e acomodação. Para explicar essas operações, Piaget criou um novo conceito, chamado por ele de esquemas.

Os esquemas são estruturas cognitivas onde o individuo armazena as informações que recebe do ambiente. Vulgarmente poderíamos dizer que os esquemas são como caixas onde são arquivados os novos conhecimentos. Quando o indivíduo recebe um novo estímulo – seja por exemplo, uma palavra ou um objeto que antes ele não conhecia – ele tende a guardar essa informação em esquemas onde existem informações parecidas e que podem ser relacionadas ao novo conhecimento. Dessa forma, um adulto ao obter inúmeros estímulos durante a vida, terá uma maior quantidade de esquemas armazenados psicologicamente e que possuem infinitas ligações entre si, permitindo relacionar seus conhecimentos.

A assimilação é um processo cognitivo onde a criança integra um novo estímulo a algum dos esquemas que ela possui. Assim ela está sempre alterando a composição e a forma dos esquemas para acondicionar as novas informações. Em um dos exemplos mais citados, a criança está reconhecendo os animais. Ela conhece, por exemplo, o cachorro. Quando é apresentada a um cavalo, tende a assimilar as características comuns e enquadrá-lo no esquema “cachorro”. A acomodação é a diferenciação entre o cachorro e o cavalo.

Essa mesma criança ao ver um cavalo, tenderá a chamá-lo de cachorro. Um adulto por perto irá corrigir dizendo que aquilo é um cavalo. Então a criança acomodará este novo estímulo em um novo esquema (estrutura cognitiva) “cavalo”. Basicamente a acomodação acontece quando a criança não consegue assimilar um novo estímulo aos esquemas existentes, devido às particularidades desse estímulo. Após a acomodação, a criança pode assimilar o novo estímulo. Essas operações explicariam o desenvolvimento e a adaptação do indivíduo, que é o equilíbrio entre as assimilações e acomodações. Esse equilíbrio é necessário para que não haja assimilação (generalização) nem acomodação (particularização) excessivas.

Aqui surge a teoria construtivista – utilizada na maioria das escolas – que sugere que na maior parte os esquemas não estão prontos hereditariamente, mas compõem-se pouco a pouco, modificando-se através dos novos estímulos.

Piaget ainda visualiza a aprendizagem de forma diferente, classificando-a como uma resposta particular a um estímulo de acordo com sua experiência. Já o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato, correta e aceita de forma geral. Ele descreveu o desenvolvimento da criança em quatro etapas, separadas por idade, o que demonstra que o desenvolvimento cognitivo depende do desenvolvimento biológico. No estágio sensório-motor (0-2 anos) o bebê começa a construir esquemas para assimilar o meio em que vive. Aqui surgem esquemas como “tempo”, “espaço”, “objeto”, sempre bastante generalizantes. São reflexos automáticos onde ele simplesmente vê o que está na sua frente ou segura o que está na sua mão. No estágio pré-operatório (2-7 anos) conhecido como inteligência simbólica, a criança começa a interiorizar os esquemas adquiridos anteriormente. Aqui ela já pode imaginar um objeto sem visualizá-lo e possui algumas características: é egocêntrica, não podendo “sentir” a situação alheia; busca explicação para tudo – a clássica fase onde pra tudo ela quer um “por quê”; além de deixar se levar pela aparência. A criança ao visualizar duas bolinhas de massas iguais não consegue admitir que elas continuem com massas iguais se uma delas for amassada.

No estágio operatório-concreto (7-11 anos), a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, etc. Sendo capaz de retirar dados da realidade e precisando ainda do mundo concreto para obter esses dados. Aqui ela desenvolve a reversibilidade, podendo assim imaginar uma ação anterior ao retirar uma transformação observada. Ela consegue por exemplo, visualizar entre dois copos cheios, de formatos diferentes mas com o mesmo volume, que eles possuem a mesma quantidade de água.  No estágio operatório-formal (11-14 anos), a criança adquire a capacidade de raciocínio sobre hipóteses e pode executar operações mentais seguindo uma lógica formal. Pode por exemplo, criticar um sistema social ou conceitos morais, criando conceitos próprios. Aqui se forma o raciocínio adulto, que persistirá por toda a vida.

Piaget não tinha a intenção de criar uma teoria educacional, embora possua grande comprovação científica, mas seus estudos e sua obra – maior que a enciclopédia britânica, composta por cerca de setenta livros e quatrocentos artigos – influenciaram a forma de se educar as crianças em grande parte do mundo, principalmente no ocidente. Mesmo assim poucas escolas aplicam a teoria genética de Piaget, que na prática obteve poucos resultados frutíferos.

Com a amplitude da obra de Piaget, seria quase impossível reunir aqui todas as idéias desenvolvidas por ele. A intenção desta matéria é apresentar aos leitores um dos mais influentes pensadores para um dos campos mais importantes da sociedade, a educação. Ponto este em que poucos se aventuram a dedicar suas vidas pelo desenvolvimento do ser humano e não apenas individual.

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Categorias: Artemis, Atena, Ciência e Tecnologia, Curiosidades, Educação e História, Saúde

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