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Bienal: arte, urubus e candidatos

Por José Salvador Faro

Estou impressionado com os desentendimentos que surgiram nessa 29a Bienal de São Paulo. É uma impressão positiva porque é saudável que uma exposição dessa natureza mobilize de alguma forma a opinião pública e me parece que esse sempre foi o objetivo da arte: retirar o apreciador – ou o público – do estado de letargia em que vive e mobilizá-lo em torno de algum ponto de vista expresso pelos autores das obras. Sob esse aspecto, a Bienal demonstra vitalidade, ainda que o hiper-realismo e o excesso de significação dos trabalhos expostos possam estar confundindo os visitantes da mostra.

El alma nunca piensa sin imagen, de Roberto Jacoby: realidade política supera o efeito de representação da arte ou é tudo a mesma coisa?

Mas essa impressão positiva é relativizada por uma outra, agora negativa: a incapacidade de vários segmentos da sociedade em metabolizar o impacto das obras que têm um reduzido índice de prefiguração do efeito (acabo de ler o livro de Marcelo Coelho, Crítica cultural: teoria e prática, e concordei inteiramente com o tratamento que ele dá a esse conceito), isto é as obras apelam mais à inteligência do que à concordância. Quando isso ocorreu – e parece que vai continuar ocorrendo enquanto a Bienal durar -, o gesto foi o da censura – emotiva ou institucional. É o caso, por exemplo, do tal presidente da OAB que pediu a retirada dos trabalhos de Gil Vicente (aquele que mostra o próprio autor executando personalidades públicas), ou a determinação da curadoria da Bienal em esconder o trabalho A alma nunca pensa sem imagem do argentino Roberto Jacoby pela referência que faz a Dilma e Serra, o que seria proibido pelas normas do TSE.

Ora, qual é o entendimento que esse pessoal tem da arte? Qual é o limite da liberdade do artista? Penso que nenhuma restrição é possível de ser justificada, com a única exceção da pobre figura dos urubus – porque entendo que nem ao artista é livre a manipulação da vida. E nesse caso é de vida que se trata. Fica o registro.

Gostou? Então conheça mais a opinião de José Faro aqui!

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Categorias: Atena, Exposições, Fotografia e Artes, Política Internacional, Política Nacional

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