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Esportes

Um esporte de classe

Falta de patrocínio e maior reconhecimento não desestimulam os apaixonados jogadores de Rugby

por Soraia Alves


Dois times em campo disputando a posse de bola e os números no placar. Com certeza a cena descrita nos faz pensar imediatamente no esporte favorito dos brasileiros, mas essas não são características exclusivas do futebol. Os empolgantes jogos de Rugby (Rúgbi) podem ser descritos da mesma forma mas em um contexto bem diferente. Jogo limpo, espírito esportivo, respeito às regras e união entram em campo em uma partida de rugby e fazem desse primo do futebol um esporte de lords.

Imagem Rugby History

O intenso contato físico entre os atletas faz com que muitas pessoas considerem o rugby um esporte bruto e violento, mas o que vemos na verdade é uma partida competitiva em que as habilidades exigidas de cada atleta vão muito além do esforço físico. Inteligência e pensamento rápido por exemplo, são essenciais em cada jogada. Cada um dos 15 jogadores dos dois times deve carregar, passar, chutar e apoiar a bola, a fim de marcar o maior número possível de pontos e vencer a partida. “É simples, mas complexo” define a Confederação Brasileira de Rugby. O jogador tem que avançar com a bola de formato oval nas mãos, mas só pode passá-la a outro jogador que estiver atrás. No caso de chutar a bola para frente, os atletas da equipe do chutador também devem estar atrás da bola no momento em que ela é chutada para poderem pegá-la. Para a CBR “esta aparente contradição cria a necessidade de um bom trabalho em equipe e uma enorme disciplina. Somente trabalhando em equipe os atletas conseguem mover a bola para frente na direção da linha do gol dos adversários e assim vencer o jogo”.

A origem do rugby (como a maioria dos esportes) é cheia de histórias e lendas que se fundem, mas a versão mais conhecida é a de que em 1823, durante um jogo de futebol em uma escola da cidade inglesa de Rugby, o jovem William Webb Ellis pegou a bola com as mãos e partiu em direção ao gol dos adversários. Pronto, estava criado um novo esporte que chegaria ao Brasil em 1825 trazido pelo famoso “pai do futebol”, Charles Miller, que também teria sido o fundador do primeiro time de rugby brasileiro, em São Paulo. Só em 1925 o esporte começou a ser jogado regularmente no Campo dos Ingleses, pertencente ao São Paulo Athletic Club, em Pirituba (SP).

A popularização do esporte não foi tão grande como a do futebol e o motivo é uma grande incógnita. O fato é que o Brasil se tornou o país do futebol e o rugby ainda hoje é um esporte desconhecido para muitos brasileiros que chegam a confundi-lo com o futebol americano (que na verdade apresenta regras bem diferentes do rugby). Mesmo assim, o esporte não deixa de conquistar novos adeptos à base do boca a boca, principalmente no meio universitário. O estudante Douglas Linhares Coelho, 20, aluno de psicologia da UNESP Assis conheceu o rugby em uma comunidade da rede social Orkut e resolveu participar de um treino inaugural em sua cidade, São José do Rio Preto. “Houve um amor imediato, por mais que a maioria das pessoas relacione o esporte à pessoas machucadas, o rugby não se trata de nada disso. Na verdade, em um jogo o time adversário se torna seu amigo, e o seu time se torna a sua família”, conta o estudante que fala ainda sobre o conhecido Terceiro Tempo, que é um tempo extraoficial após o jogo em que os dois times confraternizam e comentam os principais lances da partida.

Paulo Rubia, 26, atleta da Academia Universitária de Rugby (AUR) ressalta os valores difundidos pelo esporte e que ultrapassam as linhas do campo. “Dizem por aí que o rugby é um esporte de ogros praticado por gentleman’s e conforme nos envolvíamos com a atmosfera do esporte era nítido perceber como isso é verdade. Inconscientemente todos nós absorvíamos princípios fundamentais como disciplina, respeito, determinação e inevitavelmente víamos esses valores se aplicando também em nossa vida social”. No rugby os jogadores não podem falar, discutir ou insultar os árbitros, aliás só os capitães podem se dirigir ao juiz, e o jogador ou o time que desrespeitar essa regra é punido. Eis uma regra que poderia ser adquirida pelo futebol e que ajudaria a melhorar as lamentáveis cenas de falta de respeito e má educação que temos acompanhado ultimamente.

Embora com pouca visibilidade no Brasil, o rugby é o segundo esporte coletivo mais praticado no mundo. Nossos hermanos argentinos por exemplo, fazem do rugby um dos protagonistas do cenário esportivo do país e não um mero coadjuvante. Os atletas brasileiros encontram dificuldades para conseguir patrocínio e até mesmo organizar os campeonatos. Para Douglas “o governo já mal incentiva os outros atletas do país em outros esportes mais comuns, no rugby então chega ao ponto de as garotas da Seleção Feminina, que por sinal se destaca mais do que a masculina, terem que ficar semi nuas para tentarem arrecadar dinheiro para a copa do mundo”. Paulo ressalta que os atletas de sua equipe arcam com o custo de tudo, “material esportivo, viagens, inscrições dos torneios federados e também o salário do nosso treinador. Alguém poderia perguntar: Mas por que jogar então? Posso dizer que o rugby é apaixonante e me arrependo de não ter começado a praticá-lo desde a infância”. No site da CBR há um link criado pelo Grupo de Apoio ao Rugby Brasileiro (GRAB) para conseguir patrocinadores para as seleções brasileiras, uma mostra bem clara de que a situação realmente não é das melhores.


Imagem Calendário da Seleção Feminina de Rugby

Em 2016 nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o rugby estará novamente na disputa e a preparação para fazer bonito em casa já começou. “Esta inclusão nos Jogos Olímpicos representa uma oportunidade sem precedentes para a sua divulgação no Brasil. O público brasileiro gosta muito de torcer por seu time e, principalmente, pelo seu país, então o evento será uma excelente vitrine para o rugby brasileiro”, afirmou Aluísio Dutra presidente da Associação Brasileira de Rugby. A grande esperança de medalhas nas Olímpiadas é a Seleção Feminina que ganhou os cinco últimos sul-americanos de rugby.

O grande desafio é começar a formar jogadores para 2016, um estímulo que deve começar com um maior incentivo às competições nacionais de agora. Hoje o Brasil conta com 123 clubes dedicados ao rugby, com aproximadamente 8 mil atletas, entre homens e mulheres, dos quais cerca de 1.200 têm menos de 20 anos. O momento promete mudanças, “até lá tudo o que podemos fazer é continuar jogando, continuar acreditando que o rugby ainda será um esporte grande de tradição e conquistas no Brasil”, declara Paulo. Um desejo de todos os amantes dos esportes.

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Categorias: Esporte, Esportes, Hermes

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um comentário em “Esportes”

  1. 27 de setembro de 2010 às 18:01 #

    parabéns pelo post, muito interessante! gosto de esportes menos convencionais e sempre me interessei pelo rugby. valeu pelas informações, repassarei!

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