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Jornalistas brasileiros são alvos da violência

 Por Marjorie Okuyama

O México não é o único país no qual os jornalistas que tentam exercer a profissão são brutalmente assassinados por traficantes de drogas ou por aqueles que não querem ver suas mentiras e sujeiras estampadas na primeira página do jornal. No Brasil temos alguns casos que não repercutiram na mídia ou foram esquecidos com o passar do tempo. Muitos ainda não foram solucionados. Alguns entraram para a história e merecem ser lembrados.

No dia 9 de junho de 2002, a polícia confirmou a morte do jornalista que trabalhava na “Rede Globo”, Tim Lopes. Ele estava desaparecido desde o dia 4 de junho e, na época, investigava a venda livre de drogas e shows de sexo explícito com menores em bailes funks no subúrbio do Rio de Janeiro. Em setembro, o chefe do tráfico conhecido como Elias Maluco foi preso e condenado a 28 anos de prisão. Ao todo, os sete acusados pela morte do jornalista foram presos e somaram 155 anos de prisão. Esse ano, um dos condenados, foragido desde fevereiro, se entregou. O outro ainda não foi encontrado. Tim Lopes era considerado um dos mais importantes repórteres investigativos do país, porém não pôde continuar seu trabalho em meio a tanta violência. Esse foi um dos casos mais repercutidos ao longo dos anos.

Os traficantes não são os únicos vilões. A Polícia Militar foi alvo de estudos durante alguns anos pelo jornalista Caco Barcellos. Ele investigou a morte de muitos inocentes, que por estarem no lugar e na hora errada tornaram-se vítimas da PM. Os policiais levavam os corpos para o hospital e sempre alegavam que as pessoas não resistiram e morreram quando na verdade já chegavam sem vida no local. Caco Barcellos conta diversos casos no livro “Rota 66- A História Da Polícia Que Mata” e, por conta disso, teve sua vida ameaçada. Para não se tornar mais uma vítima da violência desse país, ele foi enviado para ser correspondente da “TV Globo” em Londres.

Um caso envolvendo inimigos políticos é do jornalista Samuel Roman, assassinado em Coronel Sapucaia, Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Morto em abril de 2004, ele era conhecido por trabalhar em rádios locais e em seu programa denunciava supostas irregularidades da prefeitura. O prefeito da cidade daquela época, Eurico Mariano foi condenado por ter contratado os pistoleiros que executaram o jornalista. Hoje no Supremo Tribunal Federal, seis assassinatos de profissionais da imprensa estão em julgamento.

Ao invés de trabalhar nos casos que já aconteceram, o Brasil deveria se envergonhar das mortes que ocorreram ao longo dos anos. O país deveria impedir as mortes e dar proteção para os indivíduos que estão tentando fazer seu trabalho e lutando por uma democracia. Do jeito que está a tão aclamada democracia do país se encontra ameaçada.

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Categorias: América Latina, Internacional, Política Internacional, Política Nacional, Território Nacional

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um comentário em “Jornalistas brasileiros são alvos da violência”

  1. 14 de setembro de 2010 às 11:00 #

    É realmente frustrante deparar com situações comos essas. A arte de informar e trazer à luz dos acontecimentos para a sociedade, infelizmente custa um preço muito alto! O preço tabelado e estabelecido por àqueles que se julgam no direito de impedir que nós jornalistas exerçamos nossa profissão (que ao meu ver é a mais nobre de todas) com dignidade cujo o objetivo é tentar promover a ética e a moral numa sociedade corrupta onde quem teria de dar exemplos não dá! Até que ponto vale a pena nos expormos de tal forma por amor à profissão? – Por quê as autoridades policiais não se unem à imprensa para acabar de uma vez por todas com essa terrível criminalidade? – A quem interessa esse cenário de horror instalado nas camadas mais sofridas da nossa sociedade? Quem está por trás desse “negócio” que com certeza enriquece uma pequena parcela dos que estão envolvidos? – Talvez não encontremos respostas para tantas perguntas, até porque como jornalistas, o melhor é manter a imparcialidade enquanto estamos vivos.

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