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Crônicas do Olimpo

Que país é esse?

  A p***** do Brasil, gigante pela própria natureza 

Por Érica Perazza

Bundas, peitos, plumas. Futebol, Pelé, penta. Samba, carnaval, sexo, camisinha furada. Favelas, violência, tráfico, mortes. Miséria, desigualdade, corrupção. Floresta na cidade, leão andando pelas ruas, assaltante a cada suspiro. Macacos me mordam, mas quem ainda pensa que o Brasil se resume a clichês baratos de uma país tropical e libertino?

O Brasil deixou de ser um país agrário que exportava praticamente somente café, para se tornar hoje a oitava economia do planeta. Mas ainda nós, brasileiros, estamos presos a racismos, conservadorismos e pensamentos com padrões aristocráticos.

Se você já viajou para fora, talvez tenha percebido que o resto do planeta não está nem aí para o que os outros pensam. Brasileiro se preocupa muito com a imagem que o exterior cria dele. Não somos flor que se cheire. Existem casos vergonhosos que acontecem pelas terras brazucas que causam um impacto enorme lá fora. Bom, ninguém é perfeito e até o presidente tem direito a uns goles de whisky, né, companheiro?

Mas cá entre nós, todo mundo se preocupa com o que os outros pensam. No Brasil isso é mais intenso, nítido e inconsciente. Damos satisfações não-obrigatórias, contamos segredinhos bobos, damos desculpas desnecessárias. Não é geral, mas é muito diferente dos gringos que andam, se vestem e se aceitam com mais facilidade e julgam com menos intensidade. Nosso país é um libertino reprimido. Parecemos tolerantes para os que não nos conhecem, mas somos muito mais tradicionais do que os ingleses.

Em compensação, somos um dos povos mais humildes (certas personalidades não estão inclusas nesta questão) da galáxia. Temos orgulho de sermos o que somos, mesmo que não seja “merda nenhuma”. Baixa auto-estima no Brasil se revolve no bar com os amigos ou no shopping com o cartão de crédito. Não tem tempo ruim. E é isso que o povo lá de fora inveja. Não são nossos bosques que nossos campos que têm mais flores, o céu que é formoso, risonho e límpido, mas nossa hospitalidade, nossa flexibildade, nossa felicidade, nosso calor humano, nossa vida que no teu seio tem mais amores. Nisso sim, o Brasil é o melhor do mundo.

Além disso, somos guerreiros, lutamos até o fim. Trabalhamos feito camelos também. Acha que é fácil acordar todo dia às 5h45 da manhã, pegar ônibus lotado de gente suada e espremida, com meia xícara de café no estômago e depois ir almoçar às 15 horas um pedaço frio de hamburguer mal passado? Aguentar chefe de TPM, mesmo que ele seja homem; usar um computador que desliga bem quando você estava salvando aquele documento com deadline nos próximos sete minutos? Acha que é fácil desenvolver essa oitava economia do planeta? Não. Mas a gente consegue, tudo tem um jeitinho.

E até para mudar a imagem do Brasil se deu um jeito. Hoje ainda pode ter alguém que ache que Buenos Aires fica no Brasil, que o Rio é a nossa capital federal, que temos lobisomens e dinossauros como animais de estimação em casa e que pense que falamos espanhol ou tupi. Deve ter alguém que pense que Nova Iorque é maior que São Paulo, que a gente só pense em futebol e não nas 87 contas que temos para pagar no final do mês junto com aquele vestido maravilhoso da promoção; alguém que pense que não existe nenhum brasileiro virgem ou que não saiba fazer gol de bicicleta. É, com certeza ainda tem algum ser humano no planeta que acredite que nossos índios são celebridades que pousam em capas de revistas e que nosso país seja uma orgia pública ( É, só às vezes, vai).

Mas todo mundo sabe quem é Pelé. E muitos sabem mais do que nós sobre nossa história. O belgo Lévi-Strauss estudou sobre nossos povos indígenas; o americano Thomas Skidmore é um brasilianista, autor de livros como autor de Brasil: de Getúlio a Castelo, 1930-1964, Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro, Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985 , O Brasil visto de Fora e Uma História do Brasil e Kenneth Maxwell é um britânico especialista nas relações entre Brasil e Portugal no século XV com várias publicações a respeito. Até os estrangeiros sabem dançar lambada. E a galera fica curtindo um frenético putz-putz nas baladinhas. Putz! Eles nem sabem que  Tom Jobim é considerdo um grande gênio em terras vizinhas. Se ficam em casa, lêem historinhas hollywoodianas ao invés de se aventurar com Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues e tudo mais que nossa cultura tem de infinito.

Muitos valorizam bastante nossa arte enquanto juntamos dinheiro a vida toda pra ver por dois segundos sem graça um quadro da Monalisa. E dá pra encontrar a pé nas nossas esquinas um acervo que não deixa a desejar a nenhum Museum ou Museé como o SESC, a Pinacoteca, a Oca. Temos uma riqueza aqui do lado, dá para ver da janela, tá no céu, tá na terra, tá no mar, tá no ar. Basta abrir os olhos. 

Quando menos esperar vai gritar “terra a vista” e acontecer no seu mundo o descobrimento do Brasil.

Então, Brasil, mostra a tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim, terra boa e gostosa da morena sestrosa de olhar indiferente, um país abençoado por Deus, bonito por natureza, mas que beleza…

 

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Categorias: Crônicas do Olimpo, Editoriais

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um comentário em “Crônicas do Olimpo”

  1. jolpuc
    8 de setembro de 2010 às 21:11 #

    Parabéns pelo site Érica. Como faço para participar?? Mesmo sendo do Matutino, não participando dos DIVERTIDÍSSIMOS Vira-Latas, tenho muita vontade de saber mais sobre o Pandora. Me adiciona no msn, email, orkut, etc…
    Beijos
    Isadora Soares

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