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Uma noite em 67

por Rafael Carneiro da Cunha

Sabe quando você sai de um lugar extasiado? Pois bem, tive essa experiência no último sábado quando fui assistir ao documentário “Uma noite em 67”. Desde quando ouvi falar primeira vez tive vontade de assisti-lo. A história gira em torno do 3º Festival de Música Popular Brasileira de 1967, transmitido pela TV Record, realizado no Teatro Paramount (hoje Teatro Abril). Esta edição foi marcada pela cena antológica de Sérgio Ricardo, quando após ser vaiado pela plateia enquanto cantava a música “Beto Bom de Bola”, o cantor quebrou seu violão e atirou no público.

Mas, não é somente dessas situações mais marcantes que o documentário retrata. Detalhes de como as canções que concorreram foram feitas, entrevistas com os participantes do festival nos dias de competição e com alguns deles hoje, depoimentos inéditos, entre tantos outros pontos interessantes estão presentes no documentário de Renato Terra e Ricardo Calil.

Eu saí do cinema bem pensativo, principalmente depois de ver espectadores na sala voltando no tempo, resgatando as memórias de uma época que os festivais eram uma forma de esquecer o que acontecia no país naquele período. O Brasil vivia uma ditadura, que havia se iniciado em 1964 com um golpe de estado realizado pelos militares. A época retratada no filme ainda não é a do auge da ditadura, que se estendeu de 1968 até 1974 e que ficou conhecida como anos de chumbo. Nesse período, muitos artistas que participaram do festival de 67 tiveram seus trabalhos censurados devido ao AI-5, que tinha o poder de impedir previamente manifestações artísticas que censores julgavam uma afronta ao regime militar.

A música vencedora desse inesquecível festival foi “Ponteio”, interpretada por Edu Lobo e Marília Medalha. A segunda colocada foi “Domingo no Parque, interpretada por Gilberto Gil e a terceira posição ficou com “Roda Viva” de Chico Buarque. Marco de uma revolução na música brasileira, a edição de 67 trouxe elementos novos para o palco como as guitarras elétricas. Era o movimento conhecido como Tropicália que estava se iniciando.

A mistura das guitarras com a música regional inaugurava no Brasil uma nova linguagem musical. Linguagem que ultrapassou os limites da música e invadiu também as artes e até o comportamento. Com um nome vindo de uma instalação do artista Hélio Oiticica, o tropicalismo reuniu nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes, Rogério Duprat entre tantos outros.

Em São Paulo, o documentário está em exibição no Cine Bombril, no Espaço Unibanco de Cinema, no shopping Frei Caneca, no Cine Uol Lumière e no shopping Bourbon Pompeia.

Confira o trailer do documentário:

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Categorias: Cinema

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