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E aí Obama?

Em mais de um ano de mandato parece que o presidente americano encontrou mais dificuldades do que imagianava e vem perdendo o status pop que caracterizou sua campanha.

por Soraia Alves

Após um ano e sete meses de mandato, Barack Obama não deve estar muito satisfeito com os números que estão surgindo em pesquisas americanas que avaliam o seu governo. Um dos candidatos mais populares de todos os tempos, Obama entrou para a história como o primeiro negro a se tornar presidente americano e empolgou multidões com um discurso que visava basicamente corrigir os grandes erros cometidos por seu antecessor George W. Bush. Mas, parece que a população americana “perdeu o encanto” inicial com o presidente que foi visto como a personificação de uma mudança necessária aos Estados Unidos.

De acordo com uma pesquisa encomendada pelo jornal The Washington Post e pela rede ABC, 57% dos americanos não confiam muito (ou quase nada) em Obama como líder político, número bem maior do que na época da campanha eleitoral do democrata. Aliás, o número de pessoas que discordam das atitudes tomadas pelo presidente em diversas áreas, até agora, é maior que o número de pessoas que as aprovam: 54% desaprovam as medidas econômicas de Obama, 53 % e 57 % criticam a forma como o presidente vem administrando a guerra do Iraque e do Afeganistão, respectivamente.  Por fim, 62% dos entrevistados criticam a falta de uma política nacional relacionada à questão da imigração.

A imagem de Barack Obama sofre um novo arranhão a cada polêmica em que se vê envolvida, seja com a problemática situação do vazamento de petróleo no Golfo do México, a infindável novela sobre o fechamento (que nunca sai do papel) da prisão de Guantánamo, em Cuba ou a discussão sobre a criação de um centro islâmico e uma mesquita próximos ao local onde ficava o World Trade Center.

Toda essa situação tem tirado o sono de muitos candidatos do Partido Democrata que participam das eleições de novembro no país, que renovarão os cargos de 435 deputados da Câmara dos Representantes, quase todos os governadores (37 dos 50 Estados americanos e de dois territórios da federação) e parte do Senado (36 das 100 vagas). Os eleitores vivendo em meio a uma lenta recuperação econômica, uma alta taxa de desemprego (9,5%) e assombrados pelos fantasmas das guerras, têm sido alvos facéis para a campanha republicana que tem pressionado os democratas a ponto de pedir que a equipe econômica de Obama renuncie. Há até mesmo eleitores que garantem que Obama é muçulmano e não cristão, o que em um país ferido pelo 11 de Setembro pode significar diversas distorções de opinião.

A recente  decisão da retirada das tropas americanas do Iraque até o fim de agosto mostrou-se mais como uma tentativa dos democratas de amenizar a crescente impopualaridade do partido do que um real cumprimento de uma promessa eleitoral. A população não deixa de criticar a demora da retiradas das tropas e os 4.416 soldados americanos mortos no Iraque não fazem essa demora ser esquecida. Paradoxalmente, nesse tempo de mandato Obama já foi agraciado com um Prêmio Nobel da Paz.

O site PolitiFact.com acompanha de perto a trajetória de Barack Obama desde sua candidatura. Durante a campanha eleitoral do presidente, o site que criou uma sessão chamada Obameter, constatou que Barack fez mais de 500 promessas para seu governo. Com todas elas devidamente anotadas, o site vigia as ações de Obama e aponta o que ele já cumpriu, as promessas que vem tomando forma e aquelas que até hoje estão mais do que esquecidas. O resultado: Cerca de 20% das promessas já foram cumpridas.

Obama sabe que as eleições de novembro serão a prova dos nove sobre seu governo. Uma radical vitória dos republicanos mostrará que a população não acha Obama mais tão pop como na época de sua campanha eleitoral e que seu singular “Yes, we can” não se mostrou tão viável assim. Por outro lado, se os democratas se mantiverem bem votados, Obama poderá respirar mais aliviado e continuar sendo um bom diplomata que adora sair dizendo que um certo presidente brasileiro é “o cara”.

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Categorias: Hermes, Política Internacional

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um comentário em “E aí Obama?”

  1. 28 de agosto de 2010 às 10:21 #

    Toda a campanha que o partido dele se encarregou de fazer pra atingir até o público jovem, seja na MTV ou na CW, por exemplo, causou uma efervescência, além de que os próprios veículos de comunicação de massa se encarregavam de prejudicar Bush, McCain e Sarah Palin, logo, a eleição dele aconteceu sem surpresa pra mim.
    Ser o primeiro presidente negro traria bom status para os EUA, é só conferir o clipe de “It’s a New Day” do will.I.am.
    Muito também se deve à repercussão na midia internacional, inclusive brasileira, que o Obama suspenderia a Guerra do Iraque e seu oponente não, o que significa pouco, já que as tropas deixaram o país esse mês e que significa pouco, já que o controle político [disfarçado] sobre aquele país continua dominante.
    Bom, queria escrever mais, mas tô na aula de história. Eu assisti o show de posse dele na MTV, adorei, teve Rihanna e tudo mais, só que McCain tinha políticas melhores para a compra de etanol brasileiro, por exemplo, ninguém levou em consideração. Que pena.

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