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Saúde

Aborto: assunto de risco

 por Marjorie Okuyama

 

Este mês o programa “Fantástico”, transmitido aos domingos pela Rede Globo, realizou uma reportagem mostrando diversas clínicas clandestinas onde muitas mulheres realizam o aborto ilegalmente. Nesta reportagem, ficou muito clara a posição da transmissora em relação a este tema. Além de apresentar uma visão conservadora e julgar o aborto como forma de assassinato, a matéria mostrou somente as mulheres pobres nas clínicas, acentuando ainda mais a diferença entre classes sociais, como se as mulheres ricas e famosas não praticassem este ato.

Este é um tópico muito complexo e deve ser tratado com delicadeza. Em tempos de eleições, alguns presidenciáveis tentam fugir desta questão ou são a favor da realização de um plebiscito contra ou a favor da legalização do aborto.

As mulheres de classe baixa são as que mais sofrem com a criminalização. Pressionadas e sem o direito de decidir sobre seu próprio corpo e sua vida, a mulher acaba optando por meios clandestinos colocando sua própria vida em risco não apenas fisicamente como também emocionalmente. Não tem outra solução, elas não têm condições de pagar clínicas clandestinas de alta qualidade voltada para as mulheres de classe alta. Infelizmente é assim que acontece no Brasil.

Diante disso, as mulheres da Marcha Mundial propuseram uma política publica integral de saúde para que, desta forma, homens e mulheres adotem um comportamento preventivo e todos tenham acesso aos meios de proteção a saúde. Segundo elas, somente a legalização do aborto no Brasil é capaz de reverter a situação da clandestinidade do aborto, que mata, humilha e pune as mulheres que ousam decidir por suas vidas.

Partindo para dados concretos, cerca de 80% dos abortos ocorre nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, onde a falta de esterilização torna o procedimento de alto risco. Segundo a OMC (Organização Mundial da Saúde), morrem anualmente cerca de 70 mil mulheres em conseqüência de complicações.

Enquanto a questão do aborto não é resolvida, pesquisadores estão encontrando uma alternativa segura, barata e que dificilmente os governos poderão restringir. O “misoprostol”, um medicamento recomendado para prevenir úlceras junto com o “mifepristone” causa o chamado “aborto médico”. A utilização de ambos os medicamentos causa um aborto no início da gestação em aproximadamente 95% dos casos. No entanto, o “mifepristone” é difícil de se obter uma vez que ele é utilizado para a indução de abortos, mas o “misoprostol”, facilmente encontrado, também pode induzir o aborto, porém sua eficiência cai para 85%. Esta prática pode salvar a vida de muitas mulheres permitindo a realização de abortos seguros e baratos. Não se sabe ao certo até que ponto da gravidez o aborto médico é viável, cientistas ainda estão pesquisando a eficácia e a segurança dos abortos em estágios mais avançados.

Esta notícia ainda é uma novidade e está se espalhando aos poucos pelo mundo. É difícil saber se os políticos conseguirão acabar com este novo método e mais, é muito complicado saber até quando certas emissoras adotarão esta postura em relação ao tema e continuarão, por meio de reportagens e novelas, influenciando seus telespectadores.

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Categorias: Comportamento, Saúde

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um comentário em “Saúde”

  1. Adriele
    26 de agosto de 2010 às 21:16 #

    bem achei achei a matéria interessante porem neste texto o jornalista apresenta também parcialidade (mesmo julgando a globo por ter feito isso) devo dizer que ao meu ver clinicas de aborto são eticamente e moralmente incorretas afinal uma criança não pede para vir ao mundo e ninguém hoje em dia pode dizer que desconhece meios contraceptivos claro que há suas excessões como casos de estupro (e ao meu entender é a unica justificativa plausível)acredito que a Globo tenha apresentado como a classe baixa que faça mais isso por que hoje em dia se torna cada vez mais difícil alguém que tenha condições financeiras e culturais deixar-se cair numa burrice dessas a mulher que faz um aborto pode ate ser dona de seu corpo porem não é dona da vida que ela forçou a concepção(exceto em caso de estupro como já havia descrito acima) Particularmente vejo como um ato covarde contra um incapaz e de falta de respeito ao próprio corpo pois pode trazer conseqüências horríveis ao corpo da mulher inconseqüente.

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