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Telejornalismo e a história da TV brasileira

Grandes nomes do gênero discutiram o tema no último evento do jornal O Estado de S.Paulo e Livraria Cultura

por Juliane Freitas

 

Aconteceu na semana passada o 4º encontro Estadão & Cultura.

Desta vez, o evento homenageou os 60 anos da televisão brasileira através de conversas com personalidades do meio televisivo, no Teatro Eva Herz, na livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Gratuito e aberto ao público, também pode ser acompanhado pelo twitter (@tvelazer).

Iniciados no dia 11, os bate-papos contaram com a presença dos humoristas Marcelo Tas e Márcio Ballas, dos programas CQC e É Tudo Improviso, ambos da Band. que falaram, é claro, sobre o humor na televisão.

No dia 12, com Ana Paula Padrão, Paulo Markun e Lílian Witte Fibe, para uma conversa sobre telejornalismo, mediada pelo diretor da TV Estadão, Felipe Machado.

Na sexta-feira, 13, o dramaturgo Silvio de Abreu fechou o evento e falou sobre novelas.

A Revista Pandora esteve lá no segundo dia, para assistir à palestra “Telejornalismo – O Brasil visto pela TV”, em meio a uma platéia lotada de estudantes de jornalismo. Os convidados falaram sobre reportagem, Twitter, sensacionalismo, política e os rumos do telejornalismo.

Bem à vontade com o clima intimista do ambiente, Ana Paula Padrão foi a primeira a responder à rodada de perguntas de Felipe Machado, sobre a importância da reportagem no telejornalismo.

Para ela, essa é a área nobre do jornalismo e é essa experiência, das ruas, que constrói os suportes para ancorar e editar um jornal.

A âncora do Jornal da Record também comenta o fato de o jornalista de TV ser tratado como celebridade e manifesta grande incômodo a respeito: “eu vivo do conteúdo, eu não vivo da minha bunda”.

Os convidados também foram indagados sobre o jornalismo na internet. Para Lilian Witte Fibe, leitora assídua de portais jornalísticos de todo o mundo, o telejornalismo não será substituído tão cedo pela “nova” mídia, já que a TV continua sendo o meio mais procurado pela maioria dos brasileiros, graças à ascensão da classe C, embora ainda haja muito conteúdo de má qualidade na televisão aberta, a qual confessa não assistir.

Sobre esse assunto, Paulo Markun considera importante que os programas jornalísticos tragam inovações e acredita que a tendência é eles se tornarem “cada vez menos ‘tele’ e até menos ‘jornal’”.

Para ele, a internet terá grande papel nas eleições deste ano já que a cobertura política na TV é insuficiente e mostra “sofreguidão dos jornalistas”. Exemplificou citando o fato de que no debate dos presidenciáveis à Band, a candidata Dilma Roussef respondeu a 12 perguntas em 16 minutos.

Marcelo Tas enviou sua pergunta ao trio sobre o que acham da relação jornal/humor e as jornalistas, admiradoras de Tas, acham que o jornalismo cada vez mais precisa se adequar às maiorias e o povo precisa entender o noticiário.

Ana Paula acredita que “o CQC está chegando nas pessoas pela simplicidade e pela fala fácil”. Markun, no entanto, acha que esses programas humorísticos da atualidade são irrelevantes e não cumprem o papel dos jornais de levar notícia à população.

Os três convidados, por fim, defenderam a interatividade no jornalismo, como uma forma de enriquecimento de reportagens e elemento de democratização. Markun chegou a dizer que este público que faz notícia também é jornalista e que esse status não tem mais volta.

Com pouco tempo de conversa e somente algumas perguntas da platéia, todas por escrito, não foi possível aprofundar muitos assuntos e a conversa fluiu num certo ritmo de pingue-pongue, sem grandes reflexões. No entanto, vale a deixa para que nós, cidadãos, pensemos nos caminhos do telejornalismo atual, inegavelmente sob o monopólio da Rede Globo.

Algumas emissoras já perceberam a necessidade de oferecer uma alternativa ao público.

Programas como o CQC, da Band, e Profissão Repórter, da Globo, mostram que inovação atrai audiência.

O SBT também lançou um programa este ano, o Conexão Repórter, sob o comando de Roberto Cabrini. Segundo a apresentação na internet, modernidade e exclusividade, além de grandes reportagens, são os objetivos da equipe.

Na Rede Record, a contratação de Ana Paula Padrão, por anos repórter e apresentadora da Globo, foi uma aposta da emissora para dar uma nova cara ao Jornal da Record.

Além do desafio de criar programas de qualidade – tanto técnica quanto, principalmente, de conteúdo – e atraentes, o telejornalismo enfrenta pela primeira vez um concorrente mais versátil, a internet.

Pensando nisso, a Rede Bandeirantes está divulgando em seus telejornais o portal E-Band Repórter, onde estudantes de jornalismo podem publicar suas reportagens, que poderão ser utilizadas nas publicações e programas do canal, e concorrem a um prêmio de jornalismo.

A fusão entre os meios de comunicação está cada vez maior. A televisão fala sobre internet, que por sua vez transmite on-line jornais impressos de todo o mundo. Estamos presenciando uma revolução no jornalismo e a tendência é a renovação do modo como conhecemos e de como ele é representado na tv.

Veja aqui todos os vídeos do evento que inspirou essa matéria.

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Categorias: Comportamento, Educação e História, Metalinguagem

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