Anúncios

Etanol X GNV

Por Rodrigo Barradas

Quem detém a razão na briga pelo título de combustível mais limpo e econômico?

 Winston Churchill disse uma vez: “A primeira baixa de uma guerra é a verdade”. Nesse caso, obviamente Churchill estava se referindo a ocultação de verdades e a transformação de mentiras em verdades absolutas pela mídia e pela propaganda especializada em prol da defesa e manutenção dos interesses dos países e órgãos envolvidos. No campo do comércio, metaforicamente pode-se também utilizar esse conceito e aplicá-lo, uma vez que estratégias comerciais e de marketing se equiparam às de uma guerra física e armamentista. Alguns casos comprovam essa afirmação, entre elas o sucesso do livro, ‘A Arte da Guerra’, de Sun Tzu, dentro do mundo corporativo e empresarial.

 Tendo o aquecimento global como uma situação iminente, as críticas aos combustíveis derivados do Petróleo se intensificaram e a busca por alternativas menos poluentes tornaram-se pautas importantes nas reuniões dos órgãos competentes e dos líderes das grandes economias. No Brasil não foi diferente, e hoje existe uma briga pelo título de combustível menos poluente e mais econômico, entre o Gás Natural Veicular (GNV) e o Etanol. Resta saber de onde parte a verdade e onde se dissemina a mentira, uma vez que cada órgão defende sua posição, cada qual salvo-guardado por alguma organização governamental que parece lhe apoiar.

 Segundo Juliano Signori, secretário executivo da Associação Brasileira de Gás Natural Veicular (ABgnv) o Etanol não seria tão correto ambientalmente, como dizem por aí. “São gastos 126 litros de água para fazer um de Álcool e, não estamos levando em conta o transporte que é feito por caminhões. Outro detalhe é a quantidade de carbono emitida pelas queimadas, porém, o pessoal do álcool informa que tal emissão é absorvida com o plantio da cana de açúcar, mas não se comprova o quanto”, disse.

 Para Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA), os críticos do Etanol estariam fazendo o cálculo errado. “Eu acho que as pessoas que falam isso, não fazem a conta que deve ser feita. A conta que deve ser feita é em relação ao ciclo de vida. Para calculá-lo você deve analisar todas as etapas de produção de um produto, e o consumo de água é só mais um dos indicadores para saber se o combustível é mais ambientalmente aceitável do que o outro. No caso da água, atualmente boa parte das usinas de São Paulo pratica o consumo efetivo de água de 1m³ por tonelada de cana. Se considerarmos todos os fatores, é reconhecível que o Etanol é um combustível muito mais brando e amigável ao meio ambiente do que os combustíveis de origem fósseis, que são os derivados de Petróleo ou o Gás Natural”.

 “O GNV tem uma maior economia em relação ao Álcool”, é o que diz Juliano Signori. Segundo o secretário executivo da ABgnv, em São Paulo o Álcool estaria custando R$1,29 e o GNV R$1,49. Ele defende que dessa forma, você precisaria de 2litros de Álcool para render a mesma quantidade de quilômetros rodados com 1m³ de GNV. Com a utilização do Gás Natural, protegeríamos mais o nosso solo que após 06 queimadas para plantação de cana, perderia seu poder de cultivo. Signori diz que se continuarmos com o alastramento da cana de açúcar e o Etanol tornar-se um commodity, como certeza ele será mais atrativo para os agricultores que, por consequência reduzirão o plantio de outras culturas agrícolas, pois, a cana é de fácil cultivo. “Creio que o preço do nosso arroz com feijão irá subir. Existe ainda a mão de obra ‘semi-escrava’ que é utilizada para o plantio da cana bem como sua colheita”, disse.

 Já para Mauro Kahn, diretor e fundador do Clube do Petróleo, em artigo publicado no site da organização, o Etanol seria mais ecológico se utilizado em grandes centros como São Paulo. “Não há qualquer dúvida de que o Álcool propriamente dito seja um combustível muito mais limpo do que os derivados do Petróleo. No entanto, ao aprofundarmos a questão, este suposto ganho ecológico não se sustenta da mesma maneira. Em primeiro lugar, o Álcool não evita o consumo do Óleo Diesel, consideravelmente mais poluente do que a Gasolina, muito pelo contrário: na realidade, ele indiretamente estimula este consumo, uma vez que o combustível é utilizado no transporte do Álcool para os grandes centros. A conclusão a que se chega, após todas as questões expostas, é de que o Álcool surge ideal para metrópoles como São Paulo, onde uma frota incrivelmente grande acaba por gerar uma poluição insuportável. Já para uma cidade como Manaus – que por muito tempo poderá contar com as expressivas reservas de Petróleo e Gás de URUCU – o consumo de álcool não encontra justificativa razoável”.

 Em contrapartida, segundo Alfred Szwarc da UNICA, não se pode esquecer que o Gás Natural é formado principalmente por Metano, que é o seu principal constituinte. “O Metano é um dos principais gases do efeito estufa, ele tem um poder de aquecimento da atmosfera 23 vezes superior ao do Dióxido de Carbono, que é apontado como o principal causador do efeito estufa. Então quando o Gás Natural não queima de forma eficiente, uma parte desse gás sai pelo escapamento que é liberado pela atmosfera, dessa forma, além de você ter uma emissão maior de poluentes, como Monóxido de Carbono, você também vai ter uma emissão considerável de Metano na atmosfera, o que é um problema. Se comparamos com o Etanol, ele tem uma emissão muito baixa de Metano, quase que desprezível, tem uma emissão praticamente nula de Dióxido de Carbono se você pensar no ciclo de vida do produto, todos os estudos feitos por pesquisadores da Unicamp, que ao substituir a Gasolina por Etanol você deixa de emitir até 90% do Dióxido de Carbono”.

 Deve-se procurar saber e entender até que ponto o consumidor é agente ativo nessa discussão. O que é exposto de forma clara e imparcial nos grandes meios de comunicação? Quem defende os interesses de quem, e quem é que paga a conta? A resposta é um tanto clara, pois obviamente os mais atingidos são os consumidores e o planeta, que sem uma resposta clara e oficial, tem de aceitar a escolha duvidosa de um lado para apoiar, pois não existe um plebiscito para que se discuta o assunto junto à sociedade civil.

O Gás Natural, o Etanol e a adulteração

 Outro ponto que vem sendo discutido estaria ligado à adulteração desses combustíveis. Claramente os combustíveis líquidos são mais fáceis de adulterar, em contra partida, a adulteração do Etanol vem caindo significativamente através dos anos.

 Juliano Signori da ABgnv, defende que o Gás Natural teria larga vantagem em relação ao Etanol pela quase impossibilidade de adulteração. “Se levarmos em conta a combustão, isto é, a emissão pelo escapamento, o Etanol perde para o GNV, sem contar que o gás é mais limpo, mais difícil de adulterar, quase impossível, bem como, mais difícil de roubar, isto é, transferir de um tanque para outro. Pela sua dificuldade de adulteração torna-se até fiscalmente mais correto”.

 Já para Alfred Szwarc, apesar de existir a adulteração de combustíveis, os números que abrangem o Etanol tem diminuído ao longo dos anos. “A questão da adulteração dos combustíveis é um problema mundial, o que muda é o tipo de adulteração e a magnitude desse problema. Então se você quer discutir a adulteração, vamos discutir a adulteração do Óleo Diesel, adulteração da Gasolina, não só do Etanol. O Etanol está sujeito a qualquer outro produto, obviamente você pode adulterar mais facilmente um combustível líquido do que um gasoso. Por outro lado o quanto a sociedade precisa investir para distribuir esse combustível gasoso até os pontos de venda? Você tem investimentos em dutos, em compressores e isso não é barato. Agora eu acho que não é uma comparação correta. Não são coisas comparáveis, se você for ver o índice de adulteração do Etanol ele caiu muito, é só ver os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP)”, informou.

 Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Para combater fraudes – tais como a adição de água ao etanol anidro para ser vendido como hidratado (mistura conhecida como “álcool molhado”) – a ANP estabeleceu, por meio da Resolução nº 36/2005, a obrigatoriedade de adição de corante de cor laranja ao etanol anidro. Como o etanol hidratado é incolor, o corante denuncia se houver presença do anidro irregularmente misturado. Com a medida, o índice de não-conformidade no etanol caiu de 3,8% em 2006 para 2,3% em 2008.

 Fonte: Agência Nacional do Petróleo (ANP)

Anúncios

Tags:, , ,

Categorias: Artemis, Ciência e Tecnologia, Os titãs de Gaia [Meio Ambiente]

Pandora nas redes sociais

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

um comentário em “Etanol X GNV”

  1. Sylvia
    25 de agosto de 2010 às 17:42 #

    Tá, vou ser honesta, não tive paciência de ler toda a sua matéria porque acho o assunto muito chato e já oro com uma menina que trablha com biodiesel…então eu guardo esse assunto pra suportar com ela…

    Mas de qualquer forma, meu o texto ficou bom até onde eu li e dei uma olhada por cima… VOCÊ CITA AS SUAS FONTES!!!!!!!!!!!
    Nossa vc merece uma estrela de ouro por isso…ensina seus colegas a fazerem isso tb..foi simples não foi….não doeu nada…kkss

    Boa sorte com a revista e tudo mais!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: