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Intervenção divina e ditadora

Que Deus Abençoe a América

 

por Érica Perazza

O pensamento denominado Destino Manifesto era usado de forma explicíta durante a décade 1840 para expressar a crença de que o população dos Estados Unidos era eleita por Deus para comandar o mundo. Dessa forma,  o expansionismo americano estava apenas cumprindo uma vontade divina que ainda era considerada óbvia (manifesto) e inevitável (destino).

Atualmente o termo não é mais usado explicitamente, mas continua enraizado na cultura norte-americana. Bom, antes fosse apenas na cultura.

No passado, foram exterminados diversos povos indígenas durante a época colonial. Foi Benjamin Franklin quem disse: “Se faz parte dos desígnios da Providência extirpar esses selvagens para abrir espaço aos cultivadores da terra, parece-me oportuno que o rum seja o instrumento apropriado. Ele já aniquilou todas as tribos que antes habitavam a costa”.

Séculos depois, os EUA ainda continuaram a agir conforme sua missão de vigiar o mundo, e claro, de maneira dominadora.

Quem é o verdadeiro ditador?

Foi em nome desses princípios que muitas vezes o país, liderando ou mesmo atuando contra a ONU e a OTAN, provocou várias mortes. 

Abaixo algumas das guerras que a terra do tio Sam participou:

Guerra da Coréia ( 1950-1953)

O motivo da  invasão da Coréia do Sul  foi a entrada das  tropas comunistas da Coréia do Norte. Os americanos não conseguiram impedir os ataques e dos 5.720.000 soldados que participaram da guerra pelos EUA, 36.516 morreram em combate.

Guerra do Golfo ( 1990 a 1991)

 O Iraque foi bombardeado pela primeira vez porque seu ditador anexou o Kuwait ao seu território devido a interesses no petróleo. É considerado um dos maiores massacres da história do Oriente Médio: mais de 100 mil soldados iraquianos foram mortos contra cerca de mil baixas das forças da coalizão.

Guerra Somali (começou em 1986 e prolonga-se até os dias de hoje)

 A invasão da Somália tinha como objetivo acabar com uma guerra civil prolongada, que estava provocando fome em grande escala. A maioria dos somalis opunha-se à presença estrangeira no seu país, o que acabou resultando em mais conflitos, mais mortes e no fracasso e portanto, retirada das tropas da ONU, enfim.

 

Guerra no Haiti (Setembro de 1994 a abril de 1996)

 
Já no Haiti era para liquidar uma ditadura militar corrupta que impedia o reestabelecimento democrático. A invasão, porém, não teve nenhuma ação militar. Assim que a ONU autorizou o uso de força para restaurar a democracia, foi feito um acordo no qual os militares aceitaram abandonar o poder em troca de anistia. 

Guerra na Iugoslávia  (1991 a 2001)

 Os Eua pretendiam evitar o massacre de uma minoria perseguida (a população islâmica kosovar) e vencer o presidente Slobodan Milosevic e o seu exército em quatro dias sem nenhuma baixa se quer.

 

Seu histórico de guerras ainda possui a Guerra Hispano-Americana, a Guerra do México, a do Vietnã (que foi mais sanguinária, na década de 60), as invasões nos anos 80 à Líbia, Líbano, Granada e Panamá, a Guerra do Afeganistão em 2001, em 2003 a do Iraque novamente. Além disso, a Casa Branca apoiou ditaduras mais violentas na América do Sul, como a da Argentina e do Chile; e a do xá Rezha Pahlevi, no Irã; entre outras inúmeras intervenções militares.

John Pilger, correspondente de guerra há muito anos e documentarista da BBC observa: “O terrorismo ocidental faz parte da história recente do imperialismo, palavra que os jornalistas não se atrevem a falar ou escrever”. Michael Albert, também jornalista e ativista dos direitos humanos, nota que “as elites dos EUA gostam da guerra. A guerra envia a mensagem de que as elites não se curvam às leis, nem à moralidade, mas apenas aquilo que afeta os seus próprios interesses.”

A sua constante desculpa, ou melhor, discurso, era a democracia, a defesa dos direitos humanos. Magina que iriam em defesa dos seus interesses econômicos e/ou geoestratégicos. Em contrapartida, sabe-se que foram cometidos métodos de tortura em nome de investigações a favor da segurança nacional. Na época, a mídia chegou a defender tais técnicas para garantir princípios ridículos. O colunista da revista Newsweek, Jonathan Alter, foi um dos primeiros a escrever um artigo entilulado “É hora de pensar em tortura”. O The Wall Street Journal logo chegou a publicar que a “segurança vem antes da liberdade”. O analista conservador, Tucker Carlson, afirmou durante o programa Crossfire da CNN, que a tortura é ruim, mas que “em determinadas circunstâncias ela pode ser o menor de dois males”. Uma prática condenável que tanto os Eua quanto a mídia saíram impunes de seus atos criminosos e insensíveis.

 

Onde está afinal a defesa aos direitos humanos, à vida?

 

Ataques terroristas, crises financeiras, por exemplo, talvez sejam novos manifestos divinos que avisam ao império dos EUA que ele não sairá completamente impune dos seus atos gananciosos. Tomara que eles se convertam ao budismo, e criem compaixão pelos outros países e inclusive a si mesmos. Que Deus abençoe a América e os perdoe, porque não sabem o que fazem.

 

 

Fonte: “O Jornalismo Canalha” de José Arbex Junior.

 

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Categorias: Educação e História, EUA, Política Internacional

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  1. John Lennon, um sonhador | >>>>> pense fora da caixa <<<<< - 5 de dezembro de 2011

    […] EUA, os queridinhos da América e suas guerras em nome dos “Direitos Humanos”. […]

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