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London, baby

Londres sem lendas

Renove tudo o que você já ouviu falar da cidade mais despojada do mundo

 

por Érica Perazza

(fotos e texto)

 

Há uma distância de 9.289 km, você se encontra em Londres. Assim como São Paulo, a capital da Inglaterra e do Reino Unido, é ao mesmo tempo descolada e tradicional. Praticamente sem baixa temporada, é sempre possível explorar história combinando com o que há de novo e desconhecido. O escritor Paul Theroux dizia “A minha Londres não é a sua Londres”. Ela acreditava que Londres não podia ser chamada de cidade, pois é praticamente um país, em que cada um pode inventar sua própria cidade lá dentro. 

O primeiro impacto ao chegar na cidade não é o frio de doer os ossos, mas sim a torre de babel que se tornou os vagões do metrô e as esquinas da Oxford Street. Imigrantes de Portugal, Ucrânia, Egito, China, Índia, etc, tagarelam misturando uma única cultura aos seus dialetos para se comunicarem com o resto do planeta.

Se você é fã do sotaque britânico, não se assuste com o sotaque londrino. A língua inglesa na realidade, não é muito parecida com o de Bridget Jones que você conhece. Eles mal terminam as palavras e falam muito, mas muito rápido. E dez anos de curso na Cultura Inglesa vão parecer insuficientes. Além do mais, quando for perguntar por algum ponto turístico, lembre-se que a língua não é visual como a nossa e sim totalmente sonora. Por mais certo que lhe pareça a sua pronúncia, perguntar onde fica Kensington Palace ou a Trafalgar Square vai levantar muitas dúvidas dos residentes e eles não saberão lhe ajudar. Americanos dizem “Kensington” com som de S, ingleses com som de Z. E “Trafaaaaalgar…” é “Trafólgah!”. Pois é, nem inglês americano é muito entendido por lá, já que é meio mole e não possui a entonação britânica que uns acham arrogante e outros acham até sexy. Mas não se preocupe. As pessoas lá são extremamente atenciosas e simpáticas, uma hora vocês vão se entender. Mas é sempre bom comprar um mapa.

Agora que você já sabe que os ingleses não são tão frios e fechados como falam as más línguas (na verdade, depois da morte de Lady Di, eles são mais expressivos e sentimentais), é bom se prevenir das gélidas temperaturas do clima. Porque Londres sim é fria. Trazer duas malas com 20 quilos em cada com casacos não é aconselhável. Primeiro porque depois das suas compras básicas você pode ultrapassar o limite de bagagem permitido pela sua compania aérea e isto não é agradável numa viagem. Segundo porque mesmo que tenha comprado no Brasil uma blusa de lã ou um sobretudo forrado que aqueça bem, não será suficiente. Deixe pra comprar tudo lá, mesmo que você seja pão duro ou econômico, vale muito mais a pena. E não, Londres não é mais a cidade mais cara da Europa. Pelo menos não se você for aos lugares certos. Na Primark localizada na Regent Street, você adquire um moleton, uma blusa de lã e ainda uma calça jeans, tudo de boa qualidade, por meras 11 libras. Existem blusas de manga comprida por £1. Para levar de presente para amigos, óculos de sol por £2. Caso tenha levado apenas uma mochila e exagerou nas compras, você leva uma mala de tamanho médio com rodinhas por £28. Sobretudos por £15 e vestidos de festa por £10, você encontra na Pink Inc (andar de baixo da loja masculina Blue Inc). Para viciados em tênis estilosos, pule na estação de Camden Town (onde também está o mercado repleto de camisetas legais). São diversas lojas espalhadas pelo bairro com todos os tipos, marcas e cores a preços super acessíveis e ainda pela metade do preço no Brasil.

Não se esqueça de um bom guarda-chuva. A chuva em Londres não é mito, mas relaxe que não vai estragar seus passeios. Somente o caos das enchentes paulistas são desanimadoras.

Quer encontrar produtos de marca de luxo? Na Top Village em Covent Garden, você encontra promoções de bolsas Armani por £99, gravatas Versace por £45, malhas de Ermenegildo Zegna por £79. Se você achou caro, compare com os preços do Brasil. A mesma malha do Ermenegildo Zegna, por exemplo, na loja da rua Vittorio Fasano, sai por R$1890. Corra e compre libras. Elas estão abaixo de três reais. Para dicas de como comprar moedas estrangeiras, clica aqui.

O transporte e alimentação para o bolso dos brasileiros pode ser um pouquinho elevado. O metrô serve o aeroporto de Heathrow e de lá segue para todas as direções. Compre o Oyster Card semanal para economizar boas libras, mas procure se perder nas ruas de Londres e sem querer sair de frente para o Parlamento. Londres é pequena e vale a pena conhecê-la a pé pela quantidade de lugares modernos e antigos que existem para descobrir.

Para saciar a fome e sair do fast-food, o restaurante português Nando’s é uma boa pedida. Por £18, três pessoas saem satisfeitas com um frango inteiro, um acompanhamento e refrigerantes com refil.

Permita-se um luxo e experimente um ( ou vários) dos fofissímos cupcakes da Ella’s Bakehouse. Os mais sofisticados, chamdados de Couture Cupcakes saem por £2,75 cada,  mas eles até brilham! A doceria localiza-se no The Piazza, onde Audrey Hepburn vendia flores em “My fair lady”.

Em Londres tudo é surpreendente. A única coisa decepcionante são as clássicas cabines telefônicas. Apesar de tudo na cidade ser limpo, elas não. Provavelmente porque quase ninguém mais usa, já que celulares de última geração são presentes nos bolsos de quase todo mundo. Apenas tire aquela foto clichê e memorável. Para seus parentes, desbloqueie o seu aparelho e compre um chip local. Vai sair muito mais em conta do que comprar cartões telefônicos  nas bancas, além de fácil, pois você precisa digitar um número antes e depois um código. Só então terá disponível alguns minutos para falar com o outro continente.

Londres por ser uma cidade medieval pode dar a impressão que ela é séria, padronizada e que as pessoas possuem comportamentos mecânicos. Mas assim que você chegar lá, vai perceber a atmosfera londrina leve e cativante. Descontraídos, os ingleses vão  beber em pubs, à festas animadissímas, à shows e inclusive durante a semana. E não é só rock’n roll. Eles amam dance music e as batidas de Lady Gaga, Beyoncè, Michael Jackson, Alicia Keys e pop inglês como Girls Aloud. A banda britânica Keane, conhecida por suas melodias melancólicas, reinventou sem som sem sair de suas raízes e fez uma parceria com o rapper K’naan em seu último álbum, Night Train. Além disso, não se surpreenda se entrar em lojas ou restaurantes que estejam tocando bossa nova.

Sabia que existe verão em Londres? Não é lenda. As temperaturas ficam bem quentes ( com as mudanças climáticas, chegam até os 40 graus), acontecem inúmeras performances ao ar livre, os parques ficam floridos e coloridos. Mas nada como o charme  e a elegância do inverno e do outono.

A moda lá é ser quem você é. Medir as pessoas, nariz torto, sussuros, comentários e risadinhas maliciosas, isso sim é fora de moda. Em qualquer canto londrino que você vá, se sentirá a vontade como se veste, com o que pensa, com o que faz, por mais exótico que seja. E ninguém vai deixar de ser seu amigo se você não veste marca. As imposições que sofremos (e também nos impomos) aqui na América do Sul para eles nevermind, whatever. A cultura, o conhecimento, a educação que são valorizados e estimulados. O que importa é o que você é por dentro, essa identidade londrina é perceptível logo no primeiro dia de estadia. Nos museus, menininhos de quatro anos se divertem identificando pintores famosos. E outra, usuários do The Tube se sem querer apenas encostarem em você, vão pedir sinceras desculpas ou se tiver com malas pesadas indo para o hotel, sem solicitar ajuda, eles carregam para você – independente da idade, cor, sexo (ou pelo menos, se não ajudarem, não atrapalham seu caminho ou te empurram). E relaxa, eles não vão sair correndo com sua bagagem, ok?

Cinza em uns dias, vibrante e ensolarada em outros. Instigante e nunca cansativa. Pois já como dizia o poeta Samuel Johnson, “quem se cansa de Londres, se cansou da vida”.  Vá conferir de perto e descubra qual é a sua Londres.

 

 

 

 

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Categorias: Reino Unido, Turismo

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um comentário em “London, baby”

  1. 15 de setembro de 2010 às 15:26 #

    Londres é tudo isso e um pouco mais. Morei lá seis meses e foi inésquecivel. Quero voltar um dia pra lá.

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