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A Economia e Ciência

Devorados como bens de consumo

Por quem, para que  e como nos manipulam a fim de entendermos os bens de consumo como verdadeiras necessidades?

por Alan Azevedo

Bem de consumo. Econ. Bem econômico que se destina ao consumo a fim de satisfazer as necessidades de certo indivíduo. (Dicionário Aurélio).

Mas afinal, que produtos são esses? Realmente precisamos deles? E quem decide isso? Essas três perguntas são os pilares para se entender o que é bem de consumo e para o que ele serve.

Por enquanto ilustrarei esse quadro de um modo didático. Entendemos bem de consumo por roupas, móveis, imóveis, carros ou qualquer tipo de objeto ou mercadoria que sirva para “satisfazer” e também alimentar as nossas necessidades. A economia não julga o que é um bem ou um mal para o indivíduo, ou seja, ela não discute valores éticos ou morais. Apenas classifica de “bem” aquilo que satisfaz a necessidade de um indivíduo, por exemplo, o cigarro para o fumante.

Agora, eles são necessários? Que necessidade é essa? Enfim, são inúmeras perguntas para poucas respostas. Temos que levar em conta que não andamos nus, que temos frio e fome, que precisamos de um teto para viver, entre diversos outros fatores. Então realmente existe uma necessidade a ser satisfeita, isto é, temos que nos agasalhar com uma boa blusa para ficarmos quentes, nos alimentar e deitar numa cama confortável para um bom descanso. Precisamos disso para sobreviver. E é nesse ponto aonde as coisas se confundem.

Peguemos um exemplo bem simples, o carro. O automóvel é um luxo a parte. Ninguém vai morrer por não ter um carro. Assim como nenhum indivíduo vai sofrer por não ter uma nova televisão de plasma. Nem todo bem de consumo satisfaz uma necessidade. Esse bem, na realidade, serve apenas para alimentar os desejos do ser humano. O desejo de ser poderoso, de ter controle, enfim, de ser superior a outros.

Existem os bens de consumo básico e os dispensáveis. O grande problema é que o mundo é tão globalizado, tão unificado que ele precisa que os produtos dispensáveis tornem-se básicos. As grandes empresas, protagonistas de tal globalização, precisam aquecer a economia, que gera dinheiro e que, por fim, resulta em poder. E para isso precisam vender, fazendo o carro e a televisão de plasma ter o mesmo valor de produtos indispensáveis como a comida e uma camisa.

E a terceira resposta já está dada. As grandes empresas, os interessados em lucrar. Eles nos vendem a imagem que eles mesmos têm e dá certo. Por exemplo, o que, afinal, uma empresa quer? Ter controle do mercado, poder. Para isso ela precisa ter dinheiro. Uma pessoa que deseja comprar um carro ultramoderno precisa ter dinheiro para conseguir poder, assim como no primeiro caso. A imagem da “necessidade” é vendida de acordo com os interesses do capital.

Por fim, volto à definição de bem de consumo (bem econômico que se destina ao consumo a fim de satisfazer as necessidades de certo indivíduo) para mostrar que as nossas necessidades estão completamente distorcidas para que as necessidades, também distorcidas, de um terceiro, sejam supridas. Parece confuso? Entenda que nós somos os bens de consumo de alguém. A diferença é que não temos preço.

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Categorias: A Mão de Midas, Comportamento

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2 Comentários em “A Economia e Ciência”

  1. Artur Capuani
    22 de junho de 2010 às 17:44 #

    Ótimo texto Alan! Realmente o ser humano precisa começar a diferenciar elementos supérfulos dos necessários, pois afinal, muitos de nós não possuem nem o básico para viver.

    Nesse ponto o governo cubano tem muitos méritos. Nesta ilha no Caribe a sociedade tem acesso à maioria das necessidades básicas. Pena que seja um governo de atitudes intransigentes que atua de forma praticamente ditatorial.

  2. Gabriel
    25 de setembro de 2011 às 22:31 #

    Bom texto, mas discordo. A necessidade não é ter um carro, mas se locomover. O individuo entao passa a escolher (todos escolhem) a melhor opção, o que inclui avaliar por exemplo consumo de combustivel, assim como o estilo. Mas concordo que seja uma cadeia, e tambem um mercado. Ao se lançar um produto, o mercado responde se aceita, e passamos para o jogo comum de ideias, que são apresentadas, muitas incentivadas, distorcidas, sendo o objetivo não o serviço, mas o lucro. por fim, considerando as necessidades basicas, partimos do pressuposto que temos a necessidade de viver. Mas por que? qual a diferença, que não a intensidade e qualidade, que nos impede de analisar enfim a necessidade de uma tv de led? helenistas me defendam!

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