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União européia e Mercosul

A desunião aduaneira

Países se fecham em condomínios econômicos para evitar problemas na vizinhança

 

por Alan Azevedo

Terminada a segunda Guerra Mundial, nascia, em Abril de 1951, a Comunidade Europeia de Carvão e Aço (CECA), embrião da União Europeia. Em 25 de Março de 1957 criava-se a Comunidade Econômica Europeia (CEE), que caracterizava mais um grande avanço na diplomacia do continente. Dezesseis anos mais tarde, a CEE, formada por França, Itália, Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, se alargava com o ingresso de diversos outros países europeus, como a Dinamarca e o Reino Unido. A economia crescera, assim como o fortalecimento dos países membros aumentara sensivelmente, até que, em 1 de Novembro de 1993, a União Europeia finalmente fora criada. Para finalizar esse grande triunfo, o Euro entrou em circulação nos países em 2002.

Depois dessa pequena aula de história, podemos ver que o Euro não passa apenas de um artifício da UE para um controle mais ágil da economia, que consequentemente gera um fortalecimento e valorização da moeda. Mas não deixa de ser um grande plano para sustentar os fundos monetários do antigo continente. É claro, hoje vemos a Grécia, que sofre uma crise de enormes proporções, e amanhã veremos a Espanha, Portugal e a Irlanda pedindo socorro, pois se tratam dos países mais pobres da UE. O que não notamos é que graças ao forte plano econômico europeu, a Grécia ainda respira. O capitalismo se sabota, se destrói em longo prazo, mas o Euro, junto à constância e a hegemonia europeia, consegue fazer o barco navegar por muito mais tempo.

Agora, olhemos para os nossos próprios narizes. Na década de 80 foi criada a Associação Latino-Americana de Integração, com avanços diplomáticos bilaterais entre Brasil e Argentina. Com a adesão em 1991 de Paraguai e Uruguai, esta zona converteu-se em União Aduaneira, na qual todos os membros cobrariam as mesmas quotas nas importações. Mais conhecido como Mercosul, o bloco econômico latino-americano proporciona um excelente câmbio entre os países membros, além de livre acesso e circulação.

Infelizmente, ainda se trata de um grupo fraco em relação ao Nafta ou à União Europeia. Não só pelo fato de Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil (em menor escala) serem emergentes, mas também porque os sistemas de governo de nossos vizinhos são grandes empecilhos para o desenvolvimento do bloco. Vemos o caso da Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez impõe, cada vez mais, cercos ditatorialistas e de censura ao povo. A Argentina também está se mostrando uma adepta às sanções liberais.

Esses fatores individualistas causam um conflito de interesses dentro do Mercosul, o que impede um pleno desenvolvimento, como por exemplo criar uma moeda única para o bloco. Segundo Chávez, estaríamos nos aproximando das leis europeias e norte-americanas, nos rendendo ao imperialismo dos ricos.

O que não se percebe é que sem um forte plano econômico para nos representar, somos facilmente atingidos pro crises, que podem ser provenientes da quebra da bolsa de valores até desastres naturais. Então seria necessário pedir ajuda aos “grandes imperialistas”, pois não teríamos dinheiro em caixa e nem uma moeda forte para câmbio.

Vemos o caso do Chile, por exemplo. O índice de desenvolvimento humano (IDH) chileno era o mais alto da América do Sul, junto com o seu índice de crescimento. O Chile se encaminhava para uma posição de país desenvolvido mas, graças ao terremoto, perdeu-se grande parte disso. E quem ajudou? O Brasil, pois é o único que tem dinheiro em caixa do Mercosul, e os Estados Unidos, além de alguns outros países como Canadá e França.

Os nossos vizinhos, antes de pensarem em um golpe de estado, em poder individual ilimitado ou em manipulação de massas, deveriam levar em conta a situação financeira, política e, principalmente, a questão pública, isto é, ainda tem gente morrendo de fome e vivendo na miséria!

Como dizia Marx, o comunismo só pode ser implementado depois de um grande acúmulo de capital e estabilização social proveniente do capitalismo. Não quero me colocar aqui numa posição de esquerda e nem de direita, e muito menos numa posição radical. Há de se entender que vivemos em um mundo capitalista, dominado por países e grupos de países (como a UE). Para tal, precisamos seguir as regras do jogo. Depois que a população puder estudar e comer, terá quem pense um mundo melhor.

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Categorias: A Mão de Midas, América Latina, Educação e História, Europa, Política Internacional

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