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Meio ambiente

A credibilidade da natureza

De que forma a sustentabilidade se vendeu ao capitalismo

por Lucas Marcelino

Imagine que você more em um condomínio – se não for seu caso. Todas as casas e ruas ali são iguais, salvo suas particularidades, e todos devem cumprir com obrigações que são impostas por consciência geral ou em reuniões entre os moradores. Mas olhando a situação de cada família é fácil verificar problemas em algumas e tranqüilidade excessiva para outras quando se trata de respeitar as regras.

Por exemplo, digamos que sua família seja numerosa, tenha umas dez pessoas e seu vizinho seja recém-casado. Neste condomínio existe um problema com excesso de lixo e os moradores resolveram fazer um acordo para diminuir a produção de lixo e determinar um teto para cada casa. A primeira reivindicação é levantada pelas famílias mais numerosas – como a sua – que exigem o direito de produzir mais lixo, pois contam com mais pessoas. Aqueles que não atingem o limite estabelecido são contra esta medida. Até que uma mente pensante cria uma saída. Quem produz mais lixo pode comprar o direito de liberar seu lixo no lugar do que falta para quem produz menos chegar ao limite.

Assim nasce um negócio entre os moradores, vantajoso para quem produz pouco e salvador para quem produz em excesso. E péssimo para o condomínio. Que para ficar mais clara a situação, nesta matéria vai ser chamado sugestivamente de Terra.

Foi mais ou menos assim, só que em proporções astronômicas e tratando de outro resíduo, que nasceu um dos mercados mais promissores dos últimos anos. O mercado de créditos de carbono. Entenda como ele funciona:

O mercado

O Mercado de Créditos de Carbono nasceu junto com o Protocolo de Kyoto – um acordo firmado em 1999 entre 189 países, que determina uma redução por parte dos países desenvolvidos, equivalente a 5,2% da quantidade de gases causadores do efeito estufa produzidos em 1991, até 2012. O Protocolo prevê algumas saídas para os países que não conseguirem reduzir suas emissões, uma delas é a compensação da quantidade de carbono equivalente produzida acima do permitido, através da compra de créditos dos países que poluírem menos. Procedimento chamado de Mecanismo de flexibilização que inclui o Mecanismo de desenvolvimento limpo.

Os créditos de carbono, também chamados de Redução Certificada de Emissões, são certificados emitidos para agentes – países ou empresas – que reduzirem suas emissões além do estipulado pelo Protocolo de Kyoto. Cada tonelada de dióxido de carbono, o CO2, corresponde a um crédito de carbono. Como existem outros gases causadores do efeito estufa, foi criada uma pequena tabela onde é possível converter a quantidade de gases retida em dióxido de carbono. O gás metano, por exemplo, que é produzido em grande quantidade pela criação de gado, tem um potencial causador de efeito estufa 21 vezes maior que o CO2 e por isso cada tonelada gera 21 créditos de carbono. O maior potencial fica por conta do SF6 (Hexafluoreto de enxofre) utilizado como isolante na indústria elétrica, que equivale a 23900 toneladas de CO2, mas representa apenas 1% dos gases geradores de efeito estufa.

O trabalho

Existem várias maneiras de reduzir a emissão dos gases estufa, as mais indicadas são a substituição de óleo diesel ou carvão mineral em caldeiras por biomassa ou biodiesel para produção de calor em empresas produtoras de aço, substituição do óleo diesel de geradores de prédios ou empresas por biodiesel, reflorestamento através da criação de novas florestas como as plantações de Eucalipto, captação do gás metano de aterros sanitários ou fazendas de suínos para utilização na geração de energia e a substituição total ou parcial do óleo diesel pelo biodiesel em caminhões e outros meios de transporte.

Para realizar o cálculo e certificar a redução nas emissões existem empresas e entidades públicas especializadas que seguem determinações da ONU e do Protocolo de Kyoto para assegurar que os empreendimentos alcancem os objetivos propostos. Em seguida a quantidade de emissão reduzida é convertida em créditos que são negociados diretamente entre as empresas ou lançados em bolsas de valores, cada tonelada de óleo diesel substituído por biodiesel gera 3,5 créditos de carbono e um aterro sanitário que encanar o metano produzido e retirá-lo da atmosfera receberá inúmeros e longínquos créditos. Existe inclusive a Chicago Climate Exchange (Bolsa do Clima de Chicago), que trabalha voluntariamente na negociação dos créditos. Em 2008 foram negociaods 708 milhões de dólares em créditos, tendo o Brasil como um dos maiores criadores de projetos para créditos de carbono.

O meio ambiente

Tudo parece muito interessante e alguns otimistas estão enxergando um futuro próspero – e rico para quem souber negociar. Agora, quem entende um pouco mais do assunto está coçando a cabeça e raciocinando quais são os benefícios para todo o condomínio. E olha que está difícil encontrá-los.

A idéia de reduzir as emissões de gases para evitar o efeito estufa é válida. Mas até a idéia de se ganhar dinheiro com essa atitude nenhum palito de sorvete reciclado havia sido mexido. Demonstrando mais uma vez que a intenção é ganhar dinheiro, seja num planeta quente ou frio. Nenhum país desenvolvido se propôs a reduzir a sua emissão de gases, mas apenas incentivaram a redução por parte dos países subdesenvolvidos, já que para reduzir a emissão é necessário reduzir a produção industrial, aumentar a fiscalização sobre empresas e sobre o transporte. Enfim, seria necessário travar o crescimento da economia e tomar medidas repulsivas que causariam incômodos na população (leia-se eleitores).

Assim se torna mais fácil pagar para que países em desenvolvimento que ameaçam a economia das grandes nações provoquem um auto-estancamento no crescimento por um valor irrisório, que não pagaria nem uma parcela da multa que tem aplicação prevista pela ONU para quem não cumprir a meta. E suas empresas ainda se fortaleceriam frente às concorrentes que viessem desses países graças às medidas de diminuição de emissões impostas pelos governos. Seria mais do que matar dois coelhos com uma cajadada só; seria um fuzilamento com apenas uma bala.

Para aqueles que estiverem determinados a ajudar o planeta, resta a limpeza na consciência que os carbonos a menos refletirão em cada um, e, alguns exemplos como o dado pelo ex-Terminator e hoje exterminador de criminosos ambientais – Arnold Scwarzenegger – que implantou medidas fortes para contribuir com o meio ambiente no estado da Califórnia indo contra George Bush que sempre procurou destruir o planeta de várias formas.

No final quem sai ganhando mais uma vez são os que sempre ganharam e da mesma forma, com poder e dinheiro. Novas negociações são lançadas todos os anos e terminam sempre com impasses, enquanto houver dinheiro envolvido – esse bicho que corrói até as melhores almas – será difícil o saldo da natureza fechar no positivo. Precisamos começar cortando os investimentos naqueles que fraudaram resultados para forçar dados assustadores sobre o efeito estufa, que pode até mesmo nem existir.

Parece que a natureza tem uma reserva inesgotável de artimanhas para assustar a humanidade e a cada carta que ela coloca na mesa o prejuízo causado é muito maior do que todo o lucro obtido, se continuar assim, uma hora não teremos mais a quem sacrificar para sobreviver. Só nos restará chorarmos de mãos dadas. Mas contando dinheiro para amenizar a dor.

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Categorias: Os titãs de Gaia [Meio Ambiente]

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4 Comentários em “Meio ambiente”

  1. Sylvia
    16 de junho de 2010 às 10:31 #

    Oi,
    passei pra dar uma olhadinha na revista…
    Então,pelo visto vcs continuam com um problema grave…mas é só questão d treino :D…quando vcs dão dados assim vcs precisam dar referências…pq afinal vcs não sabem tudo e não tem esses numeros e informações todos na cabeça de graça…com as referências, se alguém perguntar vcs tem dados sólidos para combater possíveis acusações…
    Pois é sua analogia ficou fácil de intender ^^, só que no caso de pessoas firmas neh…gostei
    Não entendi 2 coisas:
    “Mas até a idéia de se ganhar dinheiro com essa atitude nenhum palito de sorvete reciclado havia sido mexido.” palito? oi?
    e
    “fraudaram resultados para forçar dados assustadores sobre o efeito estufa, que pode até mesmo nem existir.” Mas heim, não existe??? Como assim?? É teoria da conspiração???…sinceramente eu não entendi essa….sempre me ensinaram que o efeito existe e conforme dados históricos o tempo tem mudado consideravelmente…gostaria de uma matéria explicando essa teoria conspiratória! (Desta vez com referências plis)
    Bjuss
    OBS: eu só critico pq eu gosto da revista…senão eu nem lia…quero ver vcs bem!!

  2. Luiz Fernando de Araujo
    5 de novembro de 2010 às 16:05 #

    Bom, gostei da analogia com o condomínio, porque a maioria das pessoas não entende realmente o esquema de créditos de carbono, mas a matéria me preocupa um pouco quanto a algumas informações:
    Primeiro, a ausência de referências, como citado no comentário anterior é preocupante, por motivos óbvios.
    Segundo, quando você mencionou “reflorestamento” como “plantação de eucalipto “… bom, isso na verdade não é reflorestamento, é cultura de eucalpto, como a plantação de soja é cultura de soja. Reflorestamento envolve biodiversidade, é preciso estar atento à isso.

    Terceiro, quando você põe em cheque a validade do aquecimento global… Embora exista uma corrente cética, existem fatos concretos que provem as mudanças climáticas, e alterações causadas pelo aumento da acidez no oceano ou da destruição de biomas, etc. Isso é um fato que já pode ser considerado inegável.

    Apesar disso, gostei da maneira como a matéria foi escrita, mas peço que tenha um pouco mais de cuidado com a temática ambiental, que é muito delicada.

    • 6 de novembro de 2010 às 17:14 #

      Olá,
      Agradecemos os comentários que, entre outras atitudes, geram o debate sobre assuntos tão complicados.
      Buscando no arquivo original da matéria, encontramos algumas referências, retiradas de sites considerados confiáveis. Elas estão postadas ao fim do comentário para consulta. Outras informações foram retiradas de livros e/ou publicações acadêmicas, sendo as últimas encontradas no site da SciELO – respeitada livraria eletrônica de publicações acadêmicas (geralmente teses de mestrado e doutorado). Por terem sido consultadas diversas dessas publicações, seria um pouco confusa a citação das referências no texto, o que pode ser um erro de análise do autor.
      http://www.scielo.org/php/index.php

      Uma dessas referências, que merece destaque é o site: http://www.institutocarbonobrasil.org.br
      De onde foram retiradas, principalmente, informações sobre o mercado de carbono e seus valores.

      Quanto à questão do reflorestamento, inúmeras empresas utilizam da plantação de eucaliptos como meio para equilibrar a produção de “gases estufa” e para diminuir a área desmatada em suas plantações. Por serem grandes consumidores de CO2 e ter comércio vasto para sua madeira, as árvores de eucalipto foram por muito tempo as selecionadas para o replantio em áreas degradadas.

      Como era previsto, ao afirmar que o efeito estufa pode não existir, levamos a discussão a um ponto mais grave que é a discussão sobre a confiabilidade da ciência. Este assunto já foi tratado até por filósofos e será tema de uma matéria da Pandora em breve. Mas fato consumado é o de que alguns dos pesquisadores do efeito estufa fraudaram dados para continuar “comprovando” a existência do mesmo, evitando que houvesse corte no financiamento das pesquisas. Essa notícia – divulgada pelo IPCC – correu o mundo, principalmente porque são poucas as pessoas que têm acesso a conhecimentos científicos para afirmar se os fatos concretos que você citou são relamente alterações provocadas pelo homem ou reações naturais da natureza que ocorrem em épocas distintas. A maioria da população conforma-se em aceitar e repetir argumentos publicados nos meios de comunicação, provando que – na ciência – nem mesmo uma boa referência é o suficiente para garantir a veracidade de uma afirmação.
      Como referência para essa nossa última afirmação, existem inúmeras reproduções da fraude citada acima e inclusive livros sobre o tema. Referências abaixo. Especialmente o primeiro site que contém um artigo de um pesquisador brasileiro que atuou no INPE e na NASA.

      Mais uma vez, obrigado pelos comentários. Qualquer dúvidas estamos à disposição.

      Livro: A Fraude do Efeito-estufa: Aquecimento global, Mudança Climática – Os Fatos. Autor: Kurt G. Bluchel

      Sites:
      http://www.midiaamais.com.br/ambientalismo/3525-luiz-carlos-baldicero-molion
      http://veja.abril.com.br/240210/dogma-derrete-antes-geleiras-p-094.shtml (pra quem aceita somente a Veja como referência!)
      http://www.revistameioambiente.com.br/2008/03/28/creditos-de-carbono/
      http://www.revistameioambiente.com.br/2006/08/16/o-que-sao-creditos-de-carbono/

  3. 13 de maio de 2011 às 18:52 #

    Olá,

    Alguns dizem que há interesses por trás desse tal de aquecimento global. Pode até haver alguns que se aproveitam no meio de uma coisa midiática tão grande, mas enquanto o absurdo empirismo dessa gente que comanda e domina essa questão não aplicar as ciências de conhecimento universal e assim continuar cometendo erros tão absurdos e elementares da física básica, podem deixar que se trata apenas de ignorância científica mesmo e, por isso, uma “conspiração” climática mundial não se sustenta. E ja deram muitas provas disso, em seus “modelos” fajutos (os quais são ajustados para darem os resultados desejados, que absurdo!!), em publicações de revistas, em “previsões”, etc. Primeiro eles têm que entender bem e resolver cientificamente a questão, como eu já a resolvi, modestamente, o que o Molion não conseguiu, antes de afirmarem que há conspiração, por uma questão de lógica e bom senso.

    Quem comanda e domina essa questão no mundo é o IPCC e seus meteorologistas, climatologistas, hidrologistas, etc, os quais, para afirmar que existe aquecimento “global”, absurda e ingenuamente relacionaram um aumento de temperatura com um aumento de CO2. Mas, para constatar que há aumento do efeito estufa não basta uma simples e ingênua relação de um parâmetro com outro, pois na atmosfera há muitos outros parametros que precisam ser relacionados entre si para podermos realmente constatar um aumento de aquecimento atmosférico. E tais relações são baseadas na teoria física da questão, o que não se vê os profissionais acima relacionados fazerem, por isso erram tanto e tão absurdamente. E falo isso não apenas em relação às coisas que se vê na mídia, mas em relação às publicações de suas revistas internacionais, cujos artigos deveriam ser um primor de ciência, mas não são, são muitos e enormes absurdos mesmo.

    Além de eles terem relacionado somente um único parâmetro com outro, eles escolheram apenas as partes da história em que há os referidos aumentos, mas há outras partes da história em que há reduções desses parametros que não foram considerados por eles. É nessa hora que entra o Molion, que escolheu para suas afirmações exatamente o lado contrário dos outros, ou seja, quando os referidos parâmetros decrescem, cometendo o mesmo erro, só que do lado contrário. Vale lembrar que o Molion é tambem meteorologista e, como os outros empíricos, só depende de dados experimentais, os quais têm uma variabilidade natural complexa que confunde se as análises não forem ajudadas pela verdadeira teoria científica. Trabalhei e tenho trabalhado teórica e experimentalmente com sistemas de aquecimento atmosferico e posso dizer que quase tudo que tem sido dito sobre o tal do aquecimento “global” está essencialmente errado, inclusive pelo Molion.

    Por incrível que pareça, o ser humano é sim capaz de causar mudanças climáticas, mas não do jeito que dizem. Com poucas palavras, faço qualquer um entender como o ser humano pode sim interferir no clima. Enquanto isso, conheçam mais em sartori-aquecimentoglobal.blogspot.com.

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