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Especial Semana de Jornalismo

Mesa aborda contradições na luta pelos Direitos Humanos

O homem torna-se vítima dos próprios direitos

Por Alan Azevedo

Na manhã de sexta, 28, no auditório 333 da PUC-SP, realizou-se a penúltima palestra da semana de Jornalismo e Direitos Humanos. Com o tema Fragmentos do Discurso Humanista em pauta, foram convidados dois professores e um membro do MST para discussão e debate, incluindo perguntas do público.

Com a presença do professor e articulista da Folha de S. Paulo, Luiz Felipe Pondé, do coordenador nacional do MST, Gilmar Mauro e do professor de História Contemporânea da USP, Osvaldo Coggiola, levantou-se diversas questões como o uso equivocado do discurso humanista por certos países, o determinismo na cultura e ética do cidadão, isto é, como o homem é influenciado pelo meio e, principalmente, nas medidas de solução para um uso mais adequado dos direitos humanos.

Foram oferecidos vinte minutos a cada participante para que suas ideias fossem expostas e defendidas, começando pelo professor Pondé, da PUC-SP. Depois de uma breve contextualização, ilustrando as nossas influências em Rousseau nos âmbitos político e educacional, argumentou que o homem sofre influência do meio em que vive e, portanto, “O ser humano pode se reinventar, uma vez que ele consiga conhecer as bases que o definem até então. Se você conseguir mudar, por exemplo, o meio em que você vive, então conseguirá mudar o ser humano.”

Com a visão de um cético, Luiz Pondé terminou criticando a política, mostrando que mesmo estando numa democracia liberal, o regime governamental continua a invadir o espaço subjetivo do homem em busca de seus interesses, “Toda vez que algum aparelho político, alguma instância política, pretende adentrar no âmbito que na filosofia se dá o nome de moral, dá briga.”.

O segundo a falar foi o coordenador do MST Gilmar Mauro, que logo explicou que não poderia ficar até o final do debate em consequência de um compromisso previamente marcado. As ideias de Mauro, junto com a sua posição política, eram claras e objetivas, sendo expostas de uma maneira didática e orgânica, o que deixou o seu discurso leve e assimilável.

Iniciou atacando o modelo capitalista de uma forma impetuosa, “Nós vivemos sob a lógica do capital, que é a lógica do lucro. Todas as relações sociais são marcadas por essa lógica. O processo de mercantilização de absolutamente tudo na vida se resume a busca incessante pelo lucro.”, o que deu um novo rumo ao debate.

Seguiu defendendo que é impossível existir sustentabilidade no mundo capitalista, já que a lógica da busca pelo lucro ultrapassa as barreiras dos direitos humanos, como é o caso do trabalho infantil ou da venda de agrotóxicos, por exemplo, “Vocês comem o meu produto envenenado com agrotóxicos, porque assim eu diminuo meu custo de produção. O impacto que isso vai ter na saúde não me interessa, o que eu quero é lucrar cada vez mais.”.

Outra questão levantada por Mauro é a reificação do homem, ou seja, a “coisificação” do homem. Ele transforma-se em um objeto de consumo e se vende para o capitalismo. Não existe mais o ser humano, e sim o produto. “Como pode haver avanço no âmbito dos direitos humanos com essa forma de governo?”, pergunta por fim.

Terminada sua teoria, o microfone foi passado ao professor Osvaldo Coggiola, que logo se auto-intitula um “conservador-revolucionário marxista”. Coggiola consegue tocar em pontos importantes da questão, apesar de sua prolixidade. Afirma que há uma mercantilização dos direitos humanos, isto é, ele é “usado por tudo e por todos e em qualquer contexto. Virou um produto.”.

O historiador expôs também a hipocrisia de certos países que violam os direitos humanos para conquistarem os direitos humanos, como é o caso de Israel e Irã, que estão sujeitos a uma guerra atômica em nome dos tais direitos. “Pode-se fazer qualquer coisa em nome dos direitos humanos.”, disse fatidicamente o professor, encerrando seu discurso.

Abriu-se então para as perguntas do público aos dois professores, pois Gilmar Mauro já havia se retirado. “O presidente Truman, o mesmo presidente que assinou o tratado de Direitos Humanos em 1948, anos depois autorizou a construção de uma bomba que mata as pessoas, os seres vivos, sem destruir as construções.” Explicou Coggiola em resposta a um aluno sobre o uso dos direitos humanos na política.

Já Pondé, questionado sobre o determinismo, se é mais fácil mudar o homem ou o meio, responde, “Toda forma de governo que tentou mudar o ser humano, como a ditadura, por exemplo, dá errado. Ela não consegue se sustentar por muito tempo. Agora, existe um determinismo? Existe. Se você tem que trabalhar e compra um carro pra sobreviver você está sob alguma determinação. Mas eu não acho que a gente sabe direito como é que muda o homem, como também não acho que se mudar o meio haverá uma diferença significativa na atuação do ser humano.”. Por fim, termina atacando a posição de Coggiola, “O capitalismo tem muitos problemas, mas não há outro sistema que ofereça algo melhor.”.

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Categorias: Política Internacional, Política Nacional

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