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Especial Semana de Jornalismo

Quanto custa a ética?

Por Thaís Teles

11 de setembro de 2001, dia em que o mundo parou para ver o desastre das Torres Gêmas, mas fechou os olhos para um fato de extrema importância dentro de seu país. A cidade de Campinas parou para acompanhar o funeral do então prefeito Antônio da Costa Santos, mais conhecido como Toninho do PT, assassinado na noite anterior. Os motivos de sua morte ainda não um enigma para sua esposa, Roseana Garcia, que desde então busca encontrar respostas e provas concretas para justificar a morte do seu marido.

A dúvida e o mistério foram aliados de dois alunos de jornalismo da PUC-SP, que em 2007 resolveram contar a história do homicídio de Toninho em forma de documentário. “Ecos”, produzido por Pedro Henrique França e Guilherme Manechini, tornou-se mais um porta voz para não deixar a falta de explicações do caso “Toninho do PT” cair no esquecimento.

No último dia 26 de maio, Roseana, sua filha, Marina dos Santos, e os jornalistas Pedro França e Manechini, compareceram à Semana de Jornalismo realizada na PUC – SP a sim de transmitir a real situação da chacina. Dezenas de estudantes estavam presentes, além de assistir ao documentário, foram convidados a fazer perguntas aos convidados da mesa. Em alguns momentos, Roseana se emocionava ao lembrar do esforço do marido para manter sua ética no meio político e auxiliar as famílias de baixa renda da cidade de Campinas. Para ela, sua morte está ligada à assuntos políticos, uma vez que o ex-prefeito era contra a revitalização do aeroporto de Viracopos, vontade que ia de encontro aos interesses de grandes empresas que tinham grandes interesses na obra. Garcia afirmou ainda que a atuação da polícia nas investigações foi de extrema insensatez, uma vez que as justificativas são desencontradas e os argumentos utilizados para sustentá-las são fracos e de fácil desconstrução.

A união de fatos comprovados no documentário e reafirmados por Roseana, são suficientes para que os espectadores entendam que a mídia é capaz de fazer com que a solução de mistérios sejam trazidas à tona ou esquecidas no tempo. Durante aquela noite outros casos que não tiveram solução também foram lembrados, como o do prefeito de Santo André, Celso Daniel, sequestrado e assassinado um ano depois do homicídio de Toninho. Ambos casos se assemelham não só pelo descaso das autoridades, mas também pela coincidência – ou não – de que ambos pertenciam ao mesmo partido.

Mais uma vez, a imprensa, aliada à podridão que pauta a política e a segurança civil mostraram que são fortes o suficiente para manipular e camuflar a dignidade de um país.

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Categorias: Política Internacional, Política Nacional, Uncategorized

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