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Troca de favores

Por Alan Azevedo

O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, apertou a mão do líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan,semana passada, ao fecharem um acordo multilateral mediado por Brasil e Turquia.

Em combate ao projeto de sanções criado pelos Estados Unidos, com apoio parcial da ONU, para o desarmamento nuclear iraniano, o Brasil vem seguindo em cooperação com o país persa a fim de lhe assegurar uma oportunidade de desenvolver tecnologia nuclear para uso pacífico. Segundo o presidente “é preciso dar oportunidade a todos os países se desenvolverem por igual, e com os mesmos recursos. Quero para o Irã o que desejo para o Brasil, tecnologia para fins pacíficos.”.

Uma acalorada discussão vem se alongando durante os últimos dois meses, desde que o Brasil se revelou contra o projeto de sanções. A Turquia também votava a favor do Irã e junto do presidente Lula, mediou um acordo que visa a troca de urânio pouco enriquecido, 4%, por combustível nuclear, ou seja, urânio 20%, que está dentro das normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Por um lado o Brasil mostrou um lado diplomático forte, isto é, tomou uma posição interessante, mostrando aos países mais ricos que pode exercer sua influência de um modo relevante. Com cadeiras rotativas no Conselho de Segurança da ONU, Turquia e Brasil podem vetar o programa de limitações ao Irã.

Agora, de uma ótica mais pessimista, também deve-se observar certo atrito criado com os Estados Unidos, abalando a sólida relação construída pelos governos anteriores de FHC e do próprio Lula. Por mais que se julguem indiferente ao acordo, os Estados Unidos encontram-se numa situação delicada. O Brasil conseguiu fazer com que os norte-americanos se sujeitem a rejeitar o próprio plano de desarmamento nuclear mundial. Está previsto no TNP o enriquecimento de urânio até 20%, além da troca de materiais para enriquecimento estrangeiro, como fazem a Rússia e a França.

E é exatamente o que o acordo entre Brasil, Turquia e Irã prevê. O Irã mandará seu urânio à Turquia, e receberá em troca o combustível nuclear. Além disso, no TNP está descrito a quantidade de material atômico que Teerã deveria enviar em troca do combustível, quantidade que na época representava 70% do urânio do Irã e hoje significa apenas a metade do estoque do país.

Os Estados Unidos se encontram numa posição peculiar e talvez as medidas para contornar esse problema afetem o Brasil, já que agora está no “time” do Irã.

Mas, o mais interessante que se pode observar da cooperação Brasil-Irã é a criação de mais uma linha de crédito bilateral no valor de US$ 1 bilhão para a importação de carnes, laticínios e matérias-primas brasileiras ao Irã. O presidente Ahmadinejad se disse muito interessado na compra do etanol brasileiro. Nada como uma boa troca de favores.

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Categorias: Dossiê de Têmis, Política Internacional, Política Nacional, Território Nacional

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