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Metalinguagem

  O fedor do jornalismo feudal

por Érica Perazza

 

Relatório

Felipe Milanez, editor da National Geographic (revista  grupo Abril) , foi demitido de seu cargo na empresa em decorrência de suas manifestações publicadas em sua página do Twitter (www.twitter.com/felipedjeguaka) sobre a matéria “A farsa da nação indígena” da Revista VEJA.

O réu ou a vítima

“Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista”, admitiu o jornalista em entrevista ao Portal IMPRENSA. “Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim.”

d’A Defesa

A Ofendida sempre manipula e distorce os fatos. Não não serve ao leitor e sim aos seus interesses de poder econômico.  As (in)verdades da Veja provocam falta de credibilidade no jornalismo em si. Uma revista com esse porte e não cumpre seus papéis fundamentais.

Prova apresentada:

Legislação

De acordo com o Código de Ética do Jornalista,

Capítulo I – Do direito à informação

Art 2º, I – a divulgação da informação precisa e correta. É dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.

II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público.

Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.

d’A Promotoria 

O jornalista Felipe Milanez foi demitido por não ter tido uma postura inadequada perante a imagem do veículo. A empresa está no seu direito. 

Também em entrevista ao Portal IMPRENSA, o redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Testemunhas

A mídia e a sociedade em geral desvaloriza e desqualifica as tradições indígenas como cultura. Aliás, até mesmo movimentos como o do MST. Apenas vêem um lado, o que lhes interessa.  Por que isolam alguns casos para denegrir movimentos políticos, sociais e culturais significantes? Por que a mídia é tão declaratória, tão serva do governo e do capitalismo?

Legislação: Reportagem da Revista VEJA, a mais vendida do país, culpa a FUNAI ou indígenas pelo fracasso do empresário que se dispôs a construir um porto em Peruíbe. Terra indígena é propriedade da União. Além disso, para que os índios iam querer dinheiro? Eles não possuem uma cultura capitalista e venenosa como a nossa.

Decisão do júri:

Nas  redes sociais compartilhamos conteúdos ligados a ideais e opiniões.  Como isso acontece no âmbito público e não mais privado, precisamos pensar duas vezes no que vamos divulgar. Mesmo que seja um espaço que incentiva debates.

O twitter, assim como a internet, veio com uma ferramenta para expressar idéias, sentimentos, é uma página pessoal sim, porém pública e desta forma cercea a “liberdade”.  A verdadeira questão, não é a liberdade de expressão. Você não fala para sua amiga que ela está feia e gorda, por mais que seja verdade, para não perder a amizade. Sempre passamos por situações delicadas na qual nossa sinceridade é colocada em jogo. Já nossa opinião pessoal será a mesma sendo explícita ou implícita. Logo, em relação a nossa liberdade como cidadão, existem regras e valores que afetam direta ou indiretamente a sociedade. Temos que refletir sobre nossos atos, pois estamos juntos construindo o presente. Seja como leitores, jornalistas, advogados, diretores, funcionários, etc.

A melhor forma de discussão é ao vivo. Se reclamarmos sentados, teremos que lidar com as consequências no futuro. Talvez nem estaremos sentados na mesma cadeira.

Infantil da parte de qualquer pessoa reclamar sentado na cadeira em frente ao computador de uma certa situação. Temos que criticar ao vivo, levantar, mudar. Encarar a realidade demonstra caráter.

A internet cede espaço a debates políticos e sociais. Certo, que bonito, mas não estimula atitudes de mudanças. Os usuários ficam lá teclando infinitamente. É fácil fazer isso sem mostrar nossa cara, enquanto fizermos isso, os senhores feudais da comunicação terão mais terras e servos em seu poder.

E eles vão ficar desabafando no twitter, facebook, MSN, blog, skype ou até mesmo por SMS.

Grande coisa, se expressar, há. Isso não exige coragem. Coragem possuem aqueles que dão sua cara a tapas. Nós somos completamente responsáveis pela nossa existência. Gandhi, Dalai Lama, Jesus, Madre Teresa, todos são seres humanos como nós, isto é, tinham ou têm tanto necessidades e sentimentos positivos como sofrimentos e passaram por grandes obstáculos. Mas eles ficaram vomitando palavras no vácuo? Não, eles foram atrás do que acreditavam. Isso diferencia e dignifica a vida e o mundo.

A mídia inteira está contaminada com inverdades, sem apuração nenhuma, com grande interesses por trás. Isso não é pauta quente e nem manchete. Os jornalistas e os leitores devem se unir e lutar contra isso.

É dever do profissional ( por que fez jornalismo, afinal, pra status?) e dever do leitor o esclarecimento antes que a sentença não seja dada:

Um mundo cada vez mais podre.

Observações finais:

Por favor, alguém encaminhe cópias do Código de Ética dos Jornalistas para a imprensa atual. Suponho que tenham ido para o bar nesta aula.

Grata.

Leia também:

 

A internet como espaço público

 

140 emoções

O universo virtual e sensível que o Twitter revela

 

O jornalista como vontade e representação

As teorias metafísicas do passado, presente e futuro da profissão

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Categorias: Caixa de Pandora, Editoriais, Metalinguagem

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5 Comentários em “Metalinguagem”

  1. 20 de maio de 2010 às 2:18 #

    Que vergonha…

Trackbacks/Pingbacks

  1. Especial Semana do Jornalismo « Pandora - 1 de junho de 2010

    […]  O fedor do jornalismo feudal […]

  2. Dossiê de Têmis « Pandora - 15 de junho de 2010

    […] leitores da Revista Pandora sabem que a Veja não merece a MENOR credibilidade por produzir um jornalismo confuso, declaratório, arbitrário. Trata-se claramente que uma notícia […]

  3. Paralisia educacional « Pandora - 26 de outubro de 2010

    […] O fedor do jornalismo feudal […]

  4. Paralisia educacional | - 3 de novembro de 2010

    […] O fedor do jornalismo feudal […]

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