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As várias faces do Jornalismo Cultural

por José Salvador Faro

Aconteceu nesta 4a. feira, dia 5, a defesa da tese de doutorado de Ana Maria Cordenonssi, minha orientanda no programa de pósgraduação da Metodista. A autora topou o desafio de analisar o suplemento EU& fim de semana do jornal Valor Econômico. Digo “desafio” porque foi preciso um processo de desvencilhanento para que ela descobrisse que muitas das idéias que cercam a compreensão do Jornalismo Cultural são marcadas por um indisfarçável preconceito com o gênero, imaginando-se que ele, num extremo, só atinge sua plenitude quando é destinado às elites pensantes de extração acadêmica e crítica ou, em outro extremo, se volta para as massas.

Os resultados da pesquisa de Ana Maria mostram um quadro mais complexo de referências e todo o conjunto de sua tese reforça a idéia – já trabalhada no grupo de pesquisa sobre o gênero que mantenho na Umesp – de que o Jornalismo Cultural atende tanto demandas do mercado de consumo de bens simbólicos, que é estimulado permanentemente pela midiatização de toda a sociedade, quanto demandas de natureza intelectual sintonizadas com padrões estéticos-expressivos e ético-políticos que avançam sobre os segmentos característicos da sociabilidade moderna. No caso do suplemento do Valor, Ana identificou essas camadas como sendo constituídas por uma elite tecnocrática e empresarial cujos padrões de consumo cultural são cosmolitas e bastante diversificados. O resultado final do trabalho é muito interessante: o jornal esmera-se numa produção qualificada de matérias que acabam por ampliar o próprio conceito de cultura – neste caso abrangente o suficiente para a implementação de pautas que avançam de forma analítica sobre assuntos econômicos, sociais, políticos.

Um olhar simplificador desse quadro levaria o observador a identificar no Eu& fim de semana matrizes “aristocráticas” ou “elitistas” que empurram o Jornalismo Cultural para fora de um entendimento socialmente mais consequente no processo do pensamento contemporâneo. Particularmente, penso que é justamente o contrário o que acontece: oferecendo densidade ao jornalismo que produz, o Valor está mais é oferecendo consistência conceitual à pluralidade de perspectivas com que seu público enxerga o mundo. É bom para a imprensa; é bom para a sociedade. Perdoadas as simplificações de sempre, é assim que funciona a esfera pública. Não sei se Ana Maria vai publicar seu trabalho ou se vai apresentá-lo nessa variedade de eventos que cobrem a produção acadêmica na área da Comunicação. Seja como for, é uma das melhores contribuições para a compreensão do Jornalismo Cultural em particular e do Jornalismo em geral.

A banca da Ana: Carlos Eduardo Lins da Silva (Folha), Belarmino César (Unimep), Magali Cunha (Umesp) e Elizabeth Moraes Gonçalves (também Umesp)
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Categorias: Metalinguagem

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