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Censuras

Por Alan Azevedo

Hoje, ao ler O Estado de S. Paulo, passei o olho novamente por aquela tarja preta, presente diariamente na seção de política nacional, que enuncia “Estado sob censura há 270 dias”. Quando dizem “Estado”, claro, se referem ao jornal. Isso fez com que me passasse pela cabeça quando eu via no omeço do ano passado a conta em 23 dias.
Enfim, a questão nos pede uma breve contextualização. Lembram-se de José Sarney, atos secretos, Fundação Sarney ligada com a Petrobrás em Maranhão e empregos fantasmas? Sim, aquele breve escândalo infrutífero (vulgarmente conhecido como “acabou em pizza”) com o presidente do Senado. Contudo, no meio de todas essas acusações, levantaram-se suspeitas sobre o empresário, filho do presidente do Senado, Fernando Sarney. A Polícia Federal criara a Operação Boi Barrica, para investigar atuações ilícitas de Fernando e o jornal Estado foi censurado de publicar informações sobre tal operação.
Outro exemplo que vi foi na estréia do programa humorístico CQC – Custe o Que Custar – pela Rede Bandeirantes de Televisão. Ao produzirem uma reportagem denunciando a prefeitura de Barueri por desvio de verbas e doações, foram censurados previamente pelo prefeito, com aval do governo federal.
Agora vamos à Venezuela. O presidente Hugo Chávez tem sob censura a maioria dos canais venezuelanos. Não obstante, abriu diversos outros canais estatais que defendem o governo atual. O presidente, alegando terem cometido infrações contra o governo, fecha os canais televisivos privados ao invés de abrir processos administrativos, o que seria correto. Podemos notar isso na Argentina também, onde o governo já censura alguns canais privados e ameaça o grande jornal Clarín.
Eu quero chegar numa frase que aprendi com a minha professora de história no terceiro colegial: “Todo tirano, para implantar uma ditadura, tem como primeiro objetivo controlar os veículos midiáticos e as informações do país”. Para que haja uma censura, como foi no caso do jornal O Estado de São Paulo, o governo deve estar de acordo ou, no mínimo, apoiar.
Governo nos lembra presidente, que nos remete a Luís Inácio Lula da Silva. O presidente brasileiro, na melhor das hipóteses, é indiferente a tais censuras, pois está previsto em constituição a liberdade de imprensa. Estamos vendo países da América Latina tentando programar um sistema de governo autoritário controlando as mídias logo após nos recuperarmos de um fato marcante quanto foi a Ditadura Militar no Brasil. E pior, quem quer controlar as notícias são os mesmos que lutaram contra as ditaduras, como os presidentes Kirchner, que combateram a repressão na Argentina.
Se o Brasil está seguindo a mesma linha dos nossos vizinhos latinos eu não posso dizer. Mas é melhor ficarmos de olhos bem abertos antes que os vendem

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Categorias: Política Internacional

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um comentário em “Censuras”

  1. Karina
    30 de abril de 2010 às 1:29 #

    A diferença entre o atual governo e o antigo e que o outro pagava p não ser noticiado, e este usa de leis.

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