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Identidade Paulistana

Por Thaís Teles   

Terra da garoa, da diversidade, palco da efervescência cultural. A vitalidade paulistana está em diversos pontos e cada dia nos deparamos com novidades e situações que clamam por um minuto de nossa atenção.O universo de possibilidades inseridas nessa grande metrópole esconde muitos segredos, como o Museu do Teatro Municipal de São Paulo, localizado na parte inferior do Viaduto do Chá. O local concentra grande quantidade de imagens, figurinos e objetos que fazem parte da história da vida paulistana.   

Materiais publicitários de espetáculos que passaram pelo Teatro Municipal de São Paulo.

 Segundo o diretor do Museu, Márcio Sgreccer, “durante a Segunda Guerra Mundial, o viaduto foi dividido em quatro segmentos, o espaço que hoje o Museu ocupa estava parado e foi fornecido à Cruz Vermelha, os jovens que pertenciam à instituição faziam calçados, vestimentas, etc., que eram doados aos refugiados de vários países europeus. Após o fim da Guerra, o local passou por diversas mudanças, chegando a ser utilizado como salão de festas por clubes que alugavam o espaço para fazer bailes de Carnaval e diversas outras comemorações. Tempos depois, o mesmo local passou a ser depósito de bibliotecas e foi a partir de então que passou a entrar em decadência”.
Durante muitos anos, a vitalidade daquele ambiente permaneceu adormecida e esquecida, situação superada a partir do dia 11 de outubro de 1983, quando foi inaugurado o Museu do Teatro Municipal de São Paulo.  

A partir de então, um novo local de contemplação se estabelecia na capital paulistana. Figurinos de grandes apresentações –  como “O Barbeiro de Cevilha”, de Gioacchino Rossini, e “Maria Tudor”, de Carlos Gomes -, maquetes de cenários e uma série de materiais publicitários de temporadas históricas que passaram por esse grande monumento cultural enchem os olhos dos visitantes e dão às gerações antigas a chance de voltar no tempo e reviver sensações de noites inesquecíveis. Sgreccer, por exemplo, frequenta o Teatro Municipal desde a década de 70 e segundo o mesmo, “todas as memórias e lembranças que eu vivi como expectador fazem parte da minha lembrança e da minha experiência. A Adélia Pardo, poeta mineira, tem uma frase que eu gosto muito que é: ‘ Tudo aquilo que a memória amou fica eterno’, sempre a cito como um ponto de partida para definir o que representa toda essa memória reconstruída e o que o Teatro representa para mim. Como eu sou formado em teatro, tenho um ator dentro de mim que tem que estudar um texto e precisa descobrir um personagem e atrair para ele uma essência, então é isso que eu faço quando eu estou trabalhando com essa memória, acho que é similar. É como se estivesse num palco com uma luz  iluminando a sua alma, a sua essência, iluminando suas palavras. Isso é o Teatro Municipal, todos os eventos que são representados ali sempre são extraordinários.”  

   

 

A idéia  de preservação cultural começou em São Paulo a partir da década de 70, no entanto, muitas coisas que compõem a história do Teatro Municipal foram esquecidas no tempo, parte do material recuperado é considerado de grande valor, uma vez que pode servir como fonte de estudos para diversas pessoas interessadas em caber e contar um pouco mais a história da capital paulistana.O trabalho de pesquisa e seleção do material que hoje compõe a exposição “Teatro Municipal, Ícone e Memória”, levou dois anos para ser concluído, de acordo com Sgreccer, um dos critérios para escolha de todo material era o estado de preservação e a capacidade de envolvimento e contemplação que os objetos poderiam oferecer, “as fotos têm um apelo que resguarda esse processo e toda essa memória do teatro. Todo acervo está exposto há três anos, mas não envelheceu, ou seja, a pessoa que vem aqui hoje pode voltar daqui dois meses e encontrar algum novo detalhe que tenha passado despercebido na primeira vez que ela esteve aqui. Sinto que a memória de um local tão evidente da história da nossa cidade ainda tem um apelo, um atrativo.  Não há como dizer que a exposição é completa, pois a história do Teatro é muito extensa. Há um senhor que vem aqui e ele sempre questiona o fato de a Ana Botafogo não ter sido selecionada para ter seus trabalhos expostos. Há pessoas que vêm aqui e se emocionam, pessoas antigas que participaram da vida do Teatro Municipal que se reencontram com esses eventos, entende? Então, o reencontro com essa memória reflete a sua lembrança.”  

   

O Museu do Teatro Municipal oferece ao público os seguintes serviços: setor de documentação e consulta que mantém arquivados programas de espetáculos, fotos, gravações, documentos e hemeroteca. Infelizmente um local tão rico ainda é desconhecido por parte relevante da sociedade. Dar-se a chance de contemplar a  lembrança artística do Teatro Municipal de São Paulo é um incentivo para as coisas boas que a cidade oferece.   

Serviço: Museu do Teatro Municipal de São Paulo – Endereço: Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Centro – Aberto de terça à dormingo, das 9h às 17h, entrada franca.  

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Categorias: Atena, Coliseu Paulista, Exposições

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