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Aldeia indígena cria associação e cooperativa para se proteger e gerar sustentabilidade

por Rafael Carneiro da Cunha

 

Com o objetivo de se proteger do trabalho escravo e da violência exercida por posseiros, a população indígena Ashaninka, da aldeia Apiwtxa, que vive próxima ao Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, fundou em 1989 a Associação Apiwtxa. Hoje o grupo desenvolve um trabalho de manejo para recuperar os recursos de sua reserva e possui uma cooperativa.

Além de proteger a população da aldeia, a constituição da associação foi uma forma de lutar mais organizadamente pela demarcação de terra, que se iniciou em 1985 e foi concluída em 1992. A aldeia Apiwtxa conta com 483 habitantes e uma área de cerca de 870 mil quilômetros quadrados, que faz divisa com o Peru.

Lá, atividades como o manejo florestal, repovoamento de rios e matas com animais nativos, como os tracajás (um tipo de quelônio), são praticadas. “Nós enfrentamos muita resistência do governo que quer implantar sua própria política. Infelizmente a gente acaba sofrendo algumas interferências, mas tentamos buscar sempre uma autonomia para o que fazemos. Nós também temos nossa forma de fazer ciência”, explica o tesoureiro da associação, Issac Piyãko.

Em 1989 a aldeia criou o primeiro Sistema de Recuperação do território, utilizando práticas de manejo sustentável, trabalho que continuou em 1992 quando foi desenvolvido um projeto de pesquisa que contribuiu para a análise do território com o objetivo de criar alternativas de sustentabilidade econômica e ambiental visando a autonomia do povo. Com um centro de pesquisa consolidado iniciou-se o reflorestamento. Foram 146 árvores frutíferas e de madeiras de leis plantadas, das quais foi possível em um ano tirar mais de 50 toneladas de alimentos para a comunidade.

Para difundir esse conhecimento que vem dos antepassados foi inaugurado em 2007 o Centro de Formação Yorenka Ãtame – Saber da Floresta, localizado em frente à sede do município de Marechal Thaumaturgo. No local, oficinas de educação, cultura, meio ambiente e seminários são oferecidas para comunidades indígenas do município.

Hoje a aldeia ainda enfrenta problemas com as madeireiras peruanas, que invadem o território e ameaçam sua integridade. A comunidade se manifesta fazendo denúncias por meio de um blog, que conta também com diversas informações sobre a população, a associação e a cooperativa.

Outro meio de sustentabilidade da aldeia é a constituição da cooperativa Ayompari, que trabalha com a produção de tecelagem, instrumentos e artesanato. A venda se limita a turistas que passeiam pela região e outras comunidades vizinhas. Além disso, pessoas de outros municípios e de outros estados do país podem fazer encomendas. Os produtos feitos pela cooperativa estão expostos no site: http://picasaweb.google.com.br/aldeiaapiwtxa/ArtesanatoAshaninka?authkey=t_RXnnyg9GE#

Registro

As histórias do povo Ashaninka podem ser conferidas no quinto DVD da coleção “Cineastas Indígenas: Um Outro Olhar”, produzido pela ONG Vídeo nas Aldeias. A coleção também reúne documentários de outras aldeias indígenas do Brasil.
Os filmes referentes aos Ashaninkas são: “Shomõtsi” (2001), “A Gente Luta, mas Come Fruta” (2006), “No Tempo da Chuva” (2000), “Caminho para a Vida”, “Aprendizes do Futuro” e “Floresta Viva” (2004).
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Categorias: Os titãs de Gaia [Meio Ambiente], Território Nacional

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