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Quanto custa a paz?

Por Alan Azevedo

Por que o Irã? Por que o Brasil insiste tanto em defender o direito de voz do Irã contra os Estados Unidos e a ONU? O presidente Lula discursa  pró-Irã, colocando-se numa posição contra os norte-americanos, que visam aplicar sanções, através da ONU, no país árabe, suspeito de estar produzindo bombas atômicas. Então por que o Brasil está pondo a corda no pescoço?

O presidente norte-americano Barak Obama propôs, em seu discurso ao ganhar o prêmio Nobel da paz ano passado, diminuir drasticamente o número de armas atômicas no mundo. Para servir de exemplo, os EUA e a Rússia assinaram, no começo dessa semana, o plano Start, que diminui em 30% o número de ogivas nucleares em ambos os países. Mas toda essa encenação, por fim, foi direcionada à verdadeira preocupação dos EUA, países como Irã e Coreia do Norte.

Depois de assinado o plano Start, Barak Obama recorreu a ONU para que fossem impostas sanções ao Irã, proibindo os avanços nos estudos de armas químicas e na suposta produção de bombas nucleares. Para tal, o Conselho de Segurança da ONU – formado por países permanentes e outros rotativos, como é o caso do Brasil – deve aprovar a medida. E é aí que entra o Brasil.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva, junto do chanceler brasileiro Celso Amorin, compareceu, nesta terça-feira, à Cúpula de Segurança Nuclear em Washington, para tratar com o presidente norte-americano assuntos que visavam dar chances de diálogo ao Irã. Mas Barak Obama não se mostrou disposto a aceitar a proposta apresentada pelo Brasil.

A Rússia e a China são resistentes contra as sanções para forçar o Irã a desistir de seu programa nuclear, pois têm investimentos milionários em Teerã, capital iraniana. Mas a Rússia já deu sinal de que vai aceitar, assinando o plano Start, e a China também discursa indicando que está aberta ao diálogo e às negociações. Mas o Brasil ainda bate na mesma tecla, “Vamos dar direito de diálogo ao Irã e sua chance de defesa até o último minuto” disse o presidente Lula.

Enfim, o Brasil vota contra às sanções e usa de argumento que “queremos para o Irã o  mesmo que desejamos ao Brasil, direito à tecnologia e estudos nucleares para o bem”. Mas o que realmente não dizem é que o Brasil acaba de abrir linhas de crédito para exportações de produtos brasileiros para o Irã. O país árabe é o segundo maior importador de carne brasileira, depois da Rússia. E não é só carne. Soja, milho e etanol também estão nos planos dos iranianos.

Até aí tudo bem, o que essa linha de crédito bilateral tem a ver com as sanções ao Irã? Dentre várias medidas contra o país persa, algumas delas atingem os bancos iranianos e suas atividades no exterior. Ou seja, o Brasil perderia muito dinheiro nesse processo. Está aí a causa de tanto desentendimento entre Brasil e Estados Unidos. Novamente, o dinheiro se sobrepõe à paz.

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Categorias: Política Internacional, Política Nacional

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um comentário em “Quanto custa a paz?”

  1. Victor Pozella
    19 de abril de 2010 às 16:15 #

    Meus parabéns bela matéria!
    Que me ajudou a entender um pouco mais essa história … Afinal, isso é política, jogo de interesses de todos os lados.
    Quando algum país estiver defendendo outro, sempre haverá um interesse politico econîomico nisso.

    Já estamos aprendendo o que é isso…

    Ficou show!

    Parabéns, quero outras !!! =D
    abraaaaço!

    beijoo

    Victor A. Pozella

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