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Tudo é uma questão de peso

Por Raquel Almada

Em turnê por São Paulo, a princípio até 2 de maio, a peça Gorda vem para desbancar os tabus impostos pela mídia a respeito do peso ideal. Escrita pelo aclamado dramaturgo Neil LaBute, ícone do teatro contemporâneo, o espetáculo já passou pelos Estados Unidos, Europa e América Latina. No Brasil, marcou presença no Rio de Janeiro, onde fez bastante sucesso e agora na terra da garoa. A peça traz a história de Helena (Fabiana Karla), que conhece Tony (Michel Bercovitch), obcecado pelo corpo perfeito. Assim que começam a conversar, em um restaurante, o executivo fica encantado com a bibliotecária e seu jeito cativante e sedutor. Daí em diante começa o dilema. Quanto pesa o amor? Ele, obcecado pelo culto ao corpo, de acordo com os moldes impostos pela mídia, interessado em uma mulher que está acima do peso idealizado pela sociedade, e que não está preocupada com isso?

A questão martela a cabeça de Tony o tempo todo, pois para completar a situação, o empresário ainda conta com seu amigo de trabalho, Caco (Mouhamed Harchouf), que com seu jeito desbocado e espontâneo, o coloca em várias “saias justas”. Para completar, ainda há o fantasma da sua secretária, Joana (Flávia Rubim), com quem teve um caso amoroso, que é absolutamente esbelta, sem nenhuma gordura e totalmente neurótica com o peso também.

Assim, a peça se desenrola com Tony apaixonado por Helena, tentando esconder o romance proibido. E Caco e Joana atormentando a vida do empresário, para que ele conte quem é a misteriosa por quem ele está morrendo, e sofrendo, de amores. Mostra, no decorrer da história, todo o preconceito que Joana, Caco e até Tony tinham com pessoas acima do peso, retratando a visão do senso comum, que não enxerga que são manipulados para pensar dessa maneira, se tornando escravos de si mesmos.

Fabiana Karla, atriz conhecida por seus papéis irreverentes no programa humorístico Zorra Total, da Rede Globo, dentre eles, o da Dra. Lorca, uma médica que não se importa com o controle do peso, e recepciona seus pacientes à base de muitas guloseimas, representa brilhantemente Helena. Apesar de seguir o texto, ela fala com tamanha naturalidade que a impressão que se tem é a de que não há nenhum esforço por parte de Fabiana para interpretar o papel.

A peça nos leva a refletir até que ponto a busca pelo corpo ideal pode ser benéfica para nós, e porque as pessoas acham que para serem felizes precisam ser magras. Mostra que tudo isso é uma fuga da realidade e que as pessoas não são mais ou menos realizadas se estão mais magras ou mais gordas.

A história nos mostra que o importante é, acima de qualquer coisa, a pessoa estar bem consigo mesma, pois na própria peça mostra que Joana, a mulher idealizada de acordo com os padrões ditados pela sociedade, não estava bem consigo mesma, pois não se aceitava. Isso não significa que temos que ser desleixados e não cuidar da saúde, muito pelo contrário, mostra que podemos sim, comer tudo o que temos vontade, mas com moderação.

Apesar de a história ter um fundo dramático, a descontração fica por conta de Fabiana Karla e Mouhamed, cujos personagens são hilários e irreverentes, com frases ótimas, sendo impossível não dar deliciosas gargalhadas.

Local: Teatro Procópio Ferreira

Preços: R$ 60,00 e R$ 70,00

Horários: Sexta e Sábado, 21h30; Domingo, 19h.

Crédito foto: R7

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Tags:

Categorias: Atena, Teatro

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