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Crônica de uma chuva não anunciada

Por Raquel Almada

Seis da manhã, o relógio começa a tocar, são prenúncios de que mais um dia se inicia. O sono é muito grande, mas a vontade de viver é maior ainda. A vontade de prosperar e se realizar como pessoa transcende toda ação involuntária do organismo, implorando por mais 10 ou 15 minutos de descanso.

Nessa cidade grande que é São Paulo, onde ninguém é de ninguém, nem de si próprio, onde todos correm sem saber para onde estão rumando, se aprende a arte de viver, ou de sobreviver, se olhar sob outra ótica.

Planos são adiados diariamente, todo um planejamento feito um dia antes vai literalmente por água abaixo, devido às fortíssimas chuvas que atormentam a vida dos paulistanos. Mas há quem pense o contrário, afinal, ela, que para uns é a grande vilã, para outros é a melhor e indiscutível desculpa para chegar mais tarde no trabalho, para não ir a um compromisso, e por aí vai.

Para entender melhor essas chuvas diárias que nos apavoram mais que ônibus lotado e fila para ir ao banheiro, é necessário recorrer à Bíblia, um livro antigo, mas de muita valia para nós, meros mortais. Ela está presente desde Gênesis, o início de tudo, quando Deus anunciou para Noé que a Terra se encheria de água. Deus também nos prometeu que nunca mais o mundo acabaria em água, o que nos dá um certo alívio quando vemos a chuva caindo do céu.

A verdade é que a chuva, um fenômeno climático muito importante para o bom funcionamento da natureza, tem causado muitos transtornos para a maioria da população paulistana. Já somos fadados ao trânsito, às filas para tudo e ao stress cotidiano, vivendo nessa “masterlópole” onde casas são substituídas por prédios e comércios por pólos comerciais.

E a chuva vem para complementar esse pacote paulistano. É quando a combinação ônibus lotado, trânsito e chuva ficam insuportáveis para nós, meros mortais. Tudo começa quando o lindo céu azul de brigadeiro começa a se transformar em cinza, uma nuance nada agradável para algo que, há poucos minutos, ou segundos, se podia chamar de lindo.

E o horário, é sempre o melhor possível, cronometradamente quando estamos saindo do trabalho, ou para ir trabalhar, saindo do cinema, onde o humano foi para “desestressar-se”, ou na ida a uma consulta, que tivemos que esperar alguns meses para chegar.
São minutos eternos, com conseqüências sem fim, onde a grande maioria das pessoas vêem toda a sua árdua construção e investimentos com mobílias, eletrodomésticos e tecnologia indo por água abaixo. Todos os seus sonhos, construídos com essa eterna sobrevivência esvaindo-se e virando lama.

É quando paramos para nos perguntar o porquê que tudo isso está acontecendo. A resposta, nem sempre vem tão fácil, pois fenômenos climáticos, realmente não se podem explicar. Agora pessoas perdendo sua moradia, seus bens, em enchentes, é absolutamente explicável, e só enxerga quem não está com a lente da hipocrisia implantada em suas pupilas.

Essa é a cidade rumando ao primeiro mundo, mas sem infra-estrutura e pessoas competentemente dispostas a direcioná-la. O ano da copa do mundo e o ano eleitoral. Mas até tudo se estabilizar, ficamos nós, meros mortais, esperando que seja feito algo com essa situação caótica que a chuva traz. Mas aumentada em grande proporção pela má administração pública. E até tudo se amenizar, muitas águas vão rolar.

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Categorias: Crônicas do Olimpo

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