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O Prazo do Tempo

Por Thaís Teles

Não há tempo para pensar ou contemplar, afinal, “tempo é dinheiro”. À medida que o homem tornou-se conhecedor de suas capacidades, deixou de conhecer a si mesmo e passou a viver em função da ganância e da busca desenfreada pela superação de limites efêmeros, que amanhã serão obsoletos e novos padrões serão estabelecidos. Vivemos presos a um ciclo vicioso e que em nada emancipa nossa capacidade de evoluir, pelo contrário, cada vez mais fragmentamos nossa mente para superarmos o ritmo frenético que vivemos, quanto mais depressa e intensa for nossa vida, maior a falsa sensação de missão cumprida. Ou seja, o equilíbrio mental foi substituído pela vontade e necessidade de reinvenção inserida na sociedade capitalista.

A exposição Wonderland-Ações e Paradoxos, em cartaz no Centro Cultural São Paulo, mostra como diversas realidades e ações de indivíduos são simultaneamente antagônicas, enquanto a vida de muitas pessoas é pautada no comprometimento com o ritmo frenético do capitalismo, outras fogem dessa vida superficial e buscam abrigo em si mesmas, mergulham fundo em suas mentes em busca de respostas a fim de estabelecer a autoria de seu próprio destino. Esse momento de paz e contemplação da vitalidade humana logo são fragmentadas por pensamentos e deveres, que novamente centralizam as pessoas em suas realidades obsoletas e ritmadas por uma sinfonia desafinada, essa situação pode ser experimentada pelos visitantes da exposição ao contemplarem vídeos totalmente díspares, como Voyage e Nado y nada, além de outros que tratam dessa temática tão intensa, confusa e presente no cotidiano dos moradores de grandes cidades.

Dentro dessa mesma perspectiva, o documentário Koyaanisqatsi: Life out of balance, dirigido por Godfrey Reggio, foi lançado em 1983. No enredo, apenas imagens e a trilha sonora, composta pelo músico Philip Glass, dão intensidade ao ritmo antagônico característico das megalópoles e das paisagens naturais, para tanto, cenas que representam a vida urbana são passadas de maneira mais rápida, assim como a trilha sonora, a união dessas duas técnicas contribuem para traduzir ao espectador a idéia de que nos centros urbanos o tempo mais rápido e sem ser percebido, situação oposta à realidade da vida em meio à natureza.

Artes compostas em épocas diferentes, mas que se singularizam de maneira única. A percepção da necessidade que o homem possui de estar sempre à mercê do capitalismo e das tecnologias inseridas nesse sistema que torna o auto-conhecimento dos indivíduos um detalhe descartável, são retratadas tanto no documentário Koyaanisqatsi: Life out of balance, de 1983, como na exposição Wonderland-Ações e Paradoxos, cujo objetivo central é reencontrar o controle do ser humano sobre sua própria mente, autonomia perdida a partir do momento em que os sonhos e vontades passaram a ter valores e prazos de validade.

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Categorias: Atena, Cinema, Exposições

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um comentário em “O Prazo do Tempo”

  1. 9 de abril de 2010 às 10:36 #

    Meu, tentei dar uma lida para fazer o meu texto… mas cara, que exposição tosca… hahaha

    vou assumir minha nota baixa (:

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