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O sistema irracional

por Érica Perazza

“É da essência do capitalismo que tanto os bens como o trabalho sejam geralmente comprados e vendidos no mercado”. Esta máxima se expande para as relações interpessoais. Hoje em dia tudo é uma troca; dinheiro por mercadoria, um sentimento por outro, um favor por outro. Vemos o que as pessoas possuem para nos oferecer, quando não só vemos os outros só como outros, sempre como adversários, concorrentes, inimigos.

Ainda somente à base da troca equivalente era possível conseguir a utilização mais racional dos recursos humanos e materiais. Isso não acontece. Os lucros absurdos, a escassez dos recursos naturais, a miséria e a pobreza, a exploração, demonstram que o sistema tornou-se irracional, pois nega a razão humana.

O homem é o meio para a tecnologia se desenvolver e não ao contrário.

A necessidade do desenvolvimento da sociedade é incompreendida mesmo com tanta com tanta tecnologia, avanços e descobertas científicos. Será que realmente é progresso o que nos cerca com tanto conforto e modernidade?

O homem cria “novos fetiches” e defende “meias verdades” porque está incapaz de perceber o que realmente quer e necessita. Todavia, a ambição do homem consegue liberdade na publicidade e nas empresas de grande poder. É mais fácil acreditar mesmo sabendo que não é verdade, pois a propaganda e o produto dão status. Na política não é diferente. A propaganda incansável de que vivemos numa democracia, representada pelos EUA, se repete como se fosse uma verdade absoluta. Enquanto isso, as verdades não são descaradas, oligarquias mandam e desmandam, se repetem desesperos, pobreza, mentiras e manipulação. O amor, a tristeza e a fé são leiloados como negócio e não nos cansamos de assistir a tudo isso nos nosso cotidiano e na programação da televisão.

Há alguns poucos que levantam do sofá e vão a luta para um mundo melhor. Todavia, esses que são contra o sistema, são acusados de comunistas utópicos, subversivos e são isolados da sociedade.

O capitalismo é quem promete a felicidade e outros detalhes da vida. Com a produtividade do trabalho e o salário no final do mês, você pode adquirir o que quiser. A desilusão vem rápido.

Mesmo que tenha o último iPod, o carro mais equipado, a câmera digital com mais memória e velocidade, sempre vão querer mais e mais, sempre buscando um modelo novo, um modelo melhor porque as vidas estão vazias de planos, metas e sonhos. O salário faz crer que dinheiro traz felicidade, pois é a única satisfação do emprego entediante e desvalorizado. Dívidas aparecem por gastos fúteis e o importante que era a promessa da felicidade não se cumpre, porém a presença da frustração torna-se constante. O outro lado, o lado das empresas, enriquece-se financeira e tecnologicamente cada vez mais, com promessas antigas, novas e até mais ousadas.

O empregado permanece fechado em seu casulo, preso em seu mundo particular, com direito a grades que dividem o seu trabalho, a sua mente, a sua personalidade e desesperos dos outros.

Medo de perder o emprego, consumismo excessivo, stress, conformismo (in)consciente. Enganamos, matamos, iludimos, envenenamos a nós mesmos no círculo vicioso, que não andamos nem para frente nem para trás. O nosso trabalho que nos sustenta é o mesmo trabalho que produziu armas para matar, o mesmo que produziu informações para manipular. O trabalho justifica-se pelos fins.

Só que o salário já está comprometido com as contas. Resta o tempo livre. Mas até o lazer, ou seja, a “renovação das energias”, perdeu seu sentido. Não ter que fazer nada é tão torturante do que ter que fazer mil coisas. Logo, o lazer torna-se um buraco a ser preenchido com qualquer coisa que venha a frente. E normalmente é a TV com entretenimento sem o menor conteúdo e ainda com lavagem cerebral. Às vezes pode surgir um bate papo com alguém, mas não vão compartilhar nenhuma ideia interessante. As relações interpessoas são forçadas e artificiais. Até a vida sexual é afetada. Agora, mesmo que seja uma época mais liberal, com mais conhecimento sobre o assunto, as pessoas sofrem mais. Quando fazem, é só por fazer, como se fosse uma obrigação. Os parceiros não conseguem se ajudar e se desiludem. Mas ainda é melhor ser solitário do que desempregado. Nessas condições, é um alívio começar a segunda-feira, porque já não precisa mais matar o tempo, o tempo é que vai atribuir-se dessa função.

Assim, o homem fica satisfeito em voltar a ser robô e ter sua vida programada. Acomoda-se no seu dia automático e previsível, igual, padronizado, homogenizado assim como ele. Esquece-se de expressar sentimentos autênticos, quem realmente é, o que deseja, do mapa que mostra o caminho ao nosso universo espôntaneo. Ele também para não paracer chato, fraco, diferente, deixa de ser humano. Condena a própria liberdade por causa da violência ao invés de buscar soluções.

A sociedade inteira sofre com essa epidemida do sistema irracional. É tão forte e profunda que torna-se uma cultura. O sistema determina o comportamento, a ideologia, a filosofia de vida.

E assim, de forma contínua, a sociedade entra em decadência e degradação. As próximas gerações talvez não escapem já que essa irracionalidade está envenenada na abstinência de viver desde os pais. A não ser, que antes de o mundo ficar intolerável e antes de enlouquecer ao olhar o que aconteceu com a realidade, o ser humano faça novas escolhas, enfrente os fatos, compreenda a “totalidade” do mundo.

Por enquanto conclui-se que desde após a Belle Époque existe o sentimento que o homem fracassou. O impacto que as inovações foram utilizadas para matar e para patrocinar cada vez mais mortes, como Primeira e na segunda Guerra Mundial e tantos outros conflitos armados

Por mais que ele tenha inventado, renovado, desenvolvido novas alternativas e tecnologias, ele acabou criando um sistema que aprisiona a ele mesmo. A energia humana foi substituída pela máquina e uma das engrenagens saiu do seu controle. O homem transformou-se em sua própria invenção, tão irracional quanto.

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Categorias: Crônicas do Olimpo, Educação e História

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2 Comentários em “O sistema irracional”

  1. Sylvia
    16 de junho de 2010 às 10:25 #

    Lendo o primeiro parágrafo vi um erro igual no texto do lucas e igual a vários…quem disse aquela máxima? Foi Fulano? Ciclano? Ou é um comentário popular?…
    Vcs precisam por fontes para ter sempre onde se apoiar…a idéia sobre os fatos são de vcs, como vcs escrevem tb..mas os dados…esses precisam de referencias sólidas.
    Depois eu volto pra ler o resto
    Bjuss

  2. Sylvia
    16 de junho de 2010 às 10:34 #

    Lembrei de uma coisa que meu professor disse pra gente que se aplica aqui: “Sem referências, você pode fazer o melhor trabalho, e ele vai ser desacreditado por toda a comunidade acadêmica…” O mesmo se aplica a uma revista comprometida com a vdd na minha opinião…

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