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O criador e a (revoltada) criatura

por Rafa Albuquerque


Há quanto tempo você não compra um CD? Claro, há sempre exceções, mas não se pode negar que as lojas de CDs, tão numerosas e sempre intransitáveis na segunda metade dos anos 90, hoje não passam de uma espécie em extinção. Ironicamente, quem ainda costuma comprar CDs sabe que hoje o melhor lugar para encontrar os títulos que queremos é a internet. A mesma internet que fez a venda de discos despencar absurdamente, que endividou as maiores gravadoras do mundo e aterrorizou milhares de artistas.


Se pararmos para pensar nesse eterno dilema que é o choque entre as gravadoras e a pirataria, as proporções se tornam ainda maiores do que imaginamos. Apesar dos grandes avanços que a tecnologia digital trouxe para a música — gravações sem chiados, discos muito mais compactos etc — foi o surgimento do CD  que deu subsídios para que a pirataria deslanchasse sem limites.

Talvez a grande ingenuidade das gravadoras foi não ter pensado nos resultados que a possibilidade de podermos gravar um CD em nossa casa, levando apenas minutos para fazer isso, fariam ao seu bolso. Um ótimo exemplo que ilustra isso é a Philips. Nos anos 80 a empresa holandesa investiu pesadamente no desenvolvimento dos discos compactos, que substituiriam o disco de vinil.

Porém, a Philips também investia no mercado fonográfico, comandando uma das maiores gravadoras que existem, a PolyGram, criada em 1972 e com um catálogo invejável de artistas. Ao perceber que levaria uma brutal rasteira de si mesma pelo fato de, ao mesmo tempo, vender (milhões de) CDs para uso caseiro e administrar uma gravadora — isso só é possível na economia mesmo —, em 1998 a Philips vende a PolyGram, que hoje faz parte da “Universal Music Group”. Os problemas da troca de tecnologia só foram considerados depois que causaram estragos.

A Philips apresenta o CD: um salto na gravação

Com a virada do século, as coisas só se tornaram piores. Uma sigla pequena, mas catastrófica, se tornou popular: P2P. Os programas peer-to-peer, ou par-a-par em português, começaram a dominar todos os computadores ligados na rede mundial. O primeiro deles, Napster, provocou a grande depressão do mercado fonográfico mundial. Radicalmente, os paradigmas de aquisição de produtos se transformaram, fazendo com que qualquer — QUALQUER! — tipo de produto fosse incrivelmente vulnerável à pirataria, passando a mão não apenas nas economias das gravadoras, mas também nos direitos dos autores.

Mas no fim das contas, nós, fãs de artistas e (ex)clientes das gravadoras, numa ilusão de estarmos fazendo um ótimo negócio em não pagarmos jamais para ter qualquer música que queremos, também perdemos bastante. Tudo se tornou banal. Na mesma velocidade em que fazemos um download por algum programa P2P, a deletamos do nosso computador, do nosso celular, Ipod ou seja lá de onde ela estiver, sem ao menos escutá-la mais de algumas vezes. Jamais ouviremos uma música “até furar o disco” e correremos como loucos pelas lojas atrás de um “The Wall”, do Pink Floyd, como faziam os nossos pais. Coitados dos nossos filhos!

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Categorias: Ciência e Tecnologia, Música

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um comentário em “O criador e a (revoltada) criatura”

  1. Solange
    9 de março de 2010 às 1:23 #

    EU compro! Inclusive o último que comprei foi em janeiro, no site da AMAZON, porque talvez o artista nunca terá a chance de ter seu disco veiculado por aqui. E eu, apesar de já ter as mesmas músicas em mp3 (de graça) desde 2006, achei que ele e eu merecíamos essa troca comercial, boa música se compra sim! Tenho muitas músicas em mp3, mas não abro mão dos meus CD’s físicos.

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