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A reabertura da caixa de pandora

 Por Érica Perazza e Thaís Teles

Uma população totalmente desigual e gananciosa. Toda essa verdade é materializada nos maiores representantes da sociedade em grandes cargos governamentais. O momento agora é o caso do Distrito Federal.

A operação Caixa de Pandora que começou no ano passado pela Polícia Federal para investigar a suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do Governo do DF, levou preso o governador, José Roberto Arruda. Policiais federais realizaram buscas e apreensões nas casas e gabinetes de diversas autoridades do Distrito Federal. Hoje foi a vez do vice, Paulo Octávio renunciar hoje por falta de apoio. Antes de sua renúncia, ele buscou apoio para o seu governo com o presidente Lula. Mas parece que nem Lula quis saber da história. Lavou as suas mãos e deixou o caos enraizar na capital do país. Mas pelo menos esse caos está varrendo políticos corruptos e cara-de-pau para fora do poder. Ou será que foi apenas uma faxina mal feita? Bom, como conhecemos a política do Brasil de cor, sabemos muito bem que a sujeira sempre volta. Mas isso não é o pior.

O dinheiro da propina, que de acordo com o STJ, era uma pequena quantia de R$400 mil e supostamente vindo de empresas que prestam serviços ao DF, provavelmente era para bancar taças de champanhe Veuvet Cliquot, viagens de férias ao exterior e lingeries e jóias de amantes. Enquanto quem cede a propina e quem recebe vira apenas mais uma banal notícia escandalosa de corrupção, seis jovens ainda continuam desaparecidos em Goiás e a inflação e as enchentes se espalharam no restante do Brasil. O caos floresceu como árvores gigantescas.

Casos como este deixaram de surpreender a população, uma vez que assuntos que envolvem a falta de ética de políticos brasileiros tornaram-se cada vez mais freqüentes e comuns, como o caso do Sarney, que tomou conta de diversos veículos de informação e ainda resultou na censura do jornal “O Estado de S. Paulo”. Em suma, procuramos fechar os olhos para tornarmos esses problemas distantes e fazer de conta que não repercutem em nosso cotidiano e achar que todos os “escândalos” de corrupção que ocorrem na política são apenas “burburinhos”.

A sociedade se conformou com toda a situação e as vozes que procuram mudar essa realidade, a fim de dar às futuras gerações um futuro digno, são caladas pelo poder financeiro inerente ao poder. A mudança não está na polícia mal preparada e nem na obsolescência das matérias jornalísticas, mas sim no poder de transformação inserido na sociedade, que há muitos anos encontra-se apagado na população brasileira.

Ninguém faz nada e não fará, a não ser assistir, ouvir, discutir sobre o assunto – ou continuar roubando, dentro de uma caixa de pandora que não abre. Até o dia, quem sabe, que nessa caixa não caiba mais nada e estoure, sem possibilidade de fechá-la.

                 

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Categorias: Caixa de Pandora, Dossiê de Têmis, Política Nacional

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um comentário em “A reabertura da caixa de pandora”

  1. 6 de março de 2010 às 20:17 #

    Ótimo texto. Poderia ser publicado no http://puuublic.com/politica ou no http://puuublic.com/eleicoes_2010

    Puuublic é uma forma de a sociedade manifestar sua palavra em conjunto e com liberdade real de imprensa e expressão.

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