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Então é carnaval…

Fotos e texto por Rafa Albuquerque

É impossível calcular a quantidade de pessoas que consideram a época do carnaval como um tempo de descanso, de viagens e festa. Perdemos tanto tempo fazendo planos para a data, nos preparando para pegar a estrada e torcendo para não chover que sequer pensamos que para um bocado de gente o mesmo carnaval é sinônimo de trabalho duro.


Ao entrar no sambódromo de São Paulo, o Anhembi, dois dias antes dos desfiles oficiais, é perceptível que absolutamente tudo é muito diferente da  ideia clichê que existe do carnaval.


Sob um Sol dardejante e cruel, a pista completamente branca projetada por Oscar Niemeyer ofusca completamente, nos cegando assim que entramos na avenida. Durante o dia, é impossível percorrê-la sem óculos escuros.


Pessoas espalhadas, que do alto das arquibancadas mais parecem formigas fugindo do Sol, trabalham sem pausa em um calor intenso. Por lá, em dias assim uma garrafa de água tem o valor de ouro. Operários arriscam-se no alto de andaimes, com seus quase 20 metros de altura. Lá do alto, não é possível ver se há algum tipo de proteção — uma corda presa a cintura, ao menos. A claridade não deixa. Mas fechando um pouco os olhos vemos os contornos dos trabalhadores. Pelo menos estão de capacete.


Puxam cordas que carregam placas para o alto dos andaimes, resmungam pela temperatura que castiga, gritam quando percebem que estão sendo filmados por uma equipe de televisão que faz uma matéria sobre os preparativos do desfile. — Hei, hei, vai logo aí que eu vou sair na tevê! — disse um operário do alto para os companheiros que estavam na pista.


No meio da avenida do sambódromo, muita gente trabalha na construção dos camarotes, onde ficarão as autoridades da cidade e convidados. Logo ao lado está o espaço onde acontece o recuo da bateria das escolas. É um lugar privilegiado. Além disso, será instalado um potente conjunto de ar-condicionado. Mas, por enquanto, o calor não tem remédio.


Na área da concentração, aonde o desfile inicia, estão sendo montados os imensos carros alegóricos. Por um motivo óbvio, é muito difícil entrar lá. Depois do trabalho de levar os carros das quadras das escolas até o sambódromo — enfrentando o tráfego intenso, ruas esburacadas e todos os fatores positivos do trânsito da capital — todos os cuidados para protegê-los são poucos. A maior parte das peças está coberta por um saco preto, deixando a imaginação criar seus detalhes.

Como tudo em São Paulo, carnaval também é época de trabalho.


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Categorias: Fotografia e Artes, São Paulo

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um comentário em “Então é carnaval…”

  1. Gino.
    13 de fevereiro de 2010 às 19:24 #

    Trabalho exelente, um angulo novo do Carnaval paulista.

    Esta rei atento a sua s novas postagens.

    Nota 10 Nota 10.

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