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A Amazônia, os bois e os jagunços

por Rafa Albuquerque


O Brasil sempre foi conhecido por ser um país de muitos contrastes, que não se limitam apenas ao nosso cenário socioeconômico. A Amazônia, que tem a maior reserva de madeira tropical do mundo, é também o bioma mais explorado e devastado que existe, vítima de um modelo considerado insustentável e predatório, completamente ilegal.

A floresta transformada em pasto para o rabanho

Hoje, temos o maior rebanho bovino comercial do planeta, fato que nos dá o título de maiores exportadores de carne que existe. Porém a ascendente atividade pecuária é também a grande vilã do meio ambiente. De acordo com dados fornecidos pelo próprio governo federal, a criação de gado é responsável por aproximadamente 80% de todo o desmatamento da floresta amazônica, e por 14% do desmate global anual, com a finalidade de transformar a área derrubada ou queimada em grandes pastos.

Como para toda ação existe uma reação, a exploração descontrolada da Amazônia garante outro título para o Brasil, que está longe de ser comemorado. Não apenas por nosso enorme exército de carros nas ruas, o país é atualmente o quarto maior emissor de gases que contribuem para o efeito estufa, o que equivale à 5,4% da emissão total, atrás apenas dos Estados Unidos, que emitem 45,8% dos gases, China, com 11,9% e Indonésia, que emite 7,4%.

Se esse quadro mundial não for rapidamente minimizado, a temperatura do planeta não parará de aumentar. Por mais pequeno que possa parecer, um aumento de 4ºC na temperatura global é capaz de gerar consequências irreversíveis ao meio ambuiete. De acordo com um recente estudo realizado pelo Hadley Centre, a unidade responsável por pesquisas de mudanças climáticas do Departamento de Meteorologia britânicoMet Office, um acréscimo de 4ºC é capaz de elevar as temperaturas na região amazônica entre 8ºC e 10ºC, o que levaria à destruição de uma grande parte da floresta.

Porém a Amazônia não será a única a sentir os efeitos do aquecimento. Analisando outras áreas do país, regiões que hoje já são castigadas pelo clima também sofrerão mudanças drásticas. O Nordeste, por exemplo, teria o seu índice pluviométrico reduzido entre alarmentes 40% e 60% dos números atuais que, diga-se de passagem, já são muito baixos.

Descendo um pouco mais pelo mapa brasileiro, entre o Nordeste e o Sudeste, a bacia do rio São Francisco registraria uma redução de 25% no volume d`água, afetando a produção de energia hidrelétrica. “A Amazônia é um órgão vital no planeta. Ela controla os índices de chuva em muitos lugares do país, talvez até em lugares dos Estados Unidos”, comenta Karina Miotto, jornalista da Editora Abril e dona do blog “Eco-Reporter-Eco” e que já atuou em duas oportunidades na assessoria de imprensa do Greenpeace. Logo, as chuvas que persistem em cair em São Paulo diariamente desde o fim do ano passado e os desastrosos temporais que castigaram Santa Catarina não soam como uma mera casualidade.

Falta de informação ou negligência?

Talvez por estes dois fatores, somados à corrupção no governo e ao controle de muitos canais de imprensa, os crimes ambientais têm tanto suporte de maneira indireta. Não é por acaso que os lucros obtidos com a pecuária — uma das economias que mais cresceram no Brasil nos últimos dez anos — e o aumento da derrubada de árvores na Amazônia são números proporcionais.

A necessidade dos ativistas de ONG´s como o Greenpeace de cruzar o maior país latino-americano carregando uma árvore morta em uma caminhonete (em um dos protestos que o grupo fez que Karina participou) é apenas um reflexo do grande descaso que a maioria dos cidadãos das metrópoles mostram quando o assunto são os problemas ambientais. Pela imensa distância geográfica entre o Sul e o Sudeste do país da floresta amazônica, o  desmatamento e as queimadas acabam se tornando somente um eco em meio ao infinito.

Por outro lado, evitar o consumo de produtos ilegais amazônicos não é uma tarefa das mais fáceis. Das carnes do açougue da esquina da sua rua aos caríssimos móveis de um renomado designer, toda origem deve ser suspeitada, já que São Paulo é o maior consumidor nacional de carnes e madeiras ilegais.

Com isso, a importância de existir um jornalismo ambiental atuante e livre se torna enorme. Manter a população e consumidores os mais informados possíveis é hoje o grande dever — e desafio —  dos comunicadores. “Temos a faca e o queijo na mão. Devemos conscientizar não só as pessoas, mas nós mesmos. Jornalistas também são cidadãos e devemos ser o maior exemplo daquilo que falamos”, conclui Karina.

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Categorias: Os titãs de Gaia [Meio Ambiente], Território Nacional

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