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Segredo guardado a sete chaves

Por Diogo Leite

Em colunas passadas falamos aqui que o cardápio do brasileiro é um mix de culturas, não se pode falar sobre a maioria de nossas receitas sem olhar para o passado e perceber o quão grande é a influência de Portugal em nossas refeições.

Na casa grande havia mesa farta dos mais variados quitutes, o sociólogo Gilberto Freyre em seu livro “Açúcar” nos conta que os doces, desde os tempos colonias, já faziam parte do cardápio dos senhores de engenho.

As senhoras portuguesas prendadas trouxeram de Portugal muitas receitas que aqui sofreram algumas modificações, Freire ainda listou as sobremesas mais apreciadas naquele período, como a banana frita ou assada com canela e mel de engenho com farinha de mandioca.

Durante quatro séculos, a economia foi baseada na cana, então o desenvolvimento da doçaria, sobretudo em Pernambuco, seria natural, o Nordeste brasileiro virou referência na área de bolos autorais, como por exemplo o Bolo Souza Leão, com cerca de mais de 140 de tradição.

A tradicional família pernambucana Souza Leão é detentora da invenção, no seu livro o sociólogo diz que tentou descobrir a receita certa, mas eram tantas que chegou até a duvidar se existia uma original. O bolo era feito pela Dona Rita de Cássia Souza Leão Bezerra Cavalcanti apenas para familiares e amigos.

Como a família descendia da nobreza, certa vez, recebeu em sua casa o imperador Dom Pedro II e sua esposa, Tereza Cristina, quando de passagem por Pernambuco, no ano de 1859, a eles foi oferecido o bolo, daí por diante foi sucesso imediato.

Muitos tentaram reproduzir a receita certa, mas esta é guardada a sete chaves, para sua elaboração Dona Maria utilizava ingredientes europeus, como farinha de trigo e manteiga francesa  – que com o passar dos anos logo foram substituídos por farinha de mandioca e manteiga feita na fazenda -, havia ainda a obrigação de ser servido em pratos de porcelana ou de cristal.

Hoje existem milhares de receitas do Souza Leão, porém segundo a família,  apenas algumas são fiéis à original . Reza a lenda que o segredo do bolo não está no modo como é preparado, mas sim em quem o prepara, uma vez que  o sucesso da receita estaria ligado às raízes portuguesas, ou seja, o bolo que tinha de ser preparado por uma autêntica Souza Leão que tivesse orgulho de pertencer à tão tradicional família.

Em 2008, o governador Eduardo Campos sancionou lei dando ao bolo Souza Leão o título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco. Aos curiosos e apaixonados pela arte de descobrir e inventar sabores, essa pode ser uma boa dica! Bom apetite.



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Categorias: Cardápio de Démeter

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um comentário em “Segredo guardado a sete chaves”

  1. Marcos Santos
    7 de fevereiro de 2010 às 13:50 #

    Parabéns Diogo! Muito interessante o seu artigo aliando gastronomia e história com uma pitada de muito sabor e criatividade.

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